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por Flávio H. Souza

 

Graças ao portal Mundo Rubro Negro, que agora, finalmente, teve acesso justo e de direito ao Setor de Imprensa do Maracanã, experimentei algo único. Ser imprensa, pelo menos, por um dia. Sabe aquele setor lá em cima na Oeste, onde tem cabines de televisão, jornalistas, pessoal de rádio, cameras, meio ao lado e em cima das cadeiras cativas? Pois é. Eu fiquei por lá no jogo entre Flamengo e Vasco, no qual perdemos vergonhosamente de 2 a 1 para os vices.

Esperei meu amigo, Diogo Almeida (@DidaZico) o criador e editor desta fantástica iniciativa chamada Mundo Rubro Negro, um portal que reúne informações, opiniões, blogs e notícias de rubro-negros espalhados por todo país. A mídia independente fazendo sua história. Como colaborador de primeira ordem e colunista fui agraciado desta honra de acompanhá-lo nesta primeira ida do @MRN_CRF ao setor de imprensa do Maracanã.

Esperei por sua chegada em frente ao Portão 11 no qual entra imprensa, presidente, VP´s que vão ao camarote do Flamengo, convidados que ganham permissão de estacionar por lá, é um acesso de pessoas a pé (imprensa) e de carros. Enquanto esperava encontrei, para minha surpresa, o coordenador da TI do Flamengo, o Leonardo Tripoli. Ele informou que quando há jogos do Flamengo no Maracanã é voluntário para recepcionar VP´s, pessoal do STJD, e demais convidados que podem entrar pelo portão 11, por parte do Flamengo. Estavam lá tb representantes da ACERJ para recepcionar a imprensa que chegava de carro com permissão de estacionar e jornalistas que vinham a pé e queriam entrar no Maracanã.

Como era jogo contra o Vasco, vários vascaínos passavam pelo local. Estávamos perto do acesso de entrada desta torcida. Eventuais rubro-negros por ali. Alguns vascaínos passando bêbados, outros mexendo com rubro-negros que encontravam, mas na boa. Sem violência ou qualquer tipo de agressão verbal. Só zoeira mesmo, que faz parte e pessoalmente acho muito saudável. Como estava vestido com camisa verde, o que pode (desculpem!) não ter trazido sorte ao Flamengo, passavam por mim sem sequer notar minha presença.

E aí chega o Diogo! Conversamos mais um pouco com o simpático Leonardo, entramos em contato com o representante do Maracanã que iria liberar nossa presença e aguardamos. Depois de alguns minutos enfrentando um sol a pino, finalmente chega nosso contato com nossos crachás de acesso.


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Só permitido acesso a Setor 1,2 e 3…

Bem, sou um “Apoio Imprensa”. Não sei bem o que é isto, mas se serve para cobrir o jogo, vamos nessa. Na entrada não resisti e registrei o momento único da entrada inaugural e merecida do Diogo Almeida como imprensa no Maracanã.

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Diogo Almeida

O representante do Maracanã andava muito rápido, enquanto eu ao menos, deslumbrado, entrava pelo térreo e, em uma sala ampla, vislumbrei pessoas tirando fotos da Fla Refugiados, em que estava junto o presidente Eduardo Bandeira, pessoas circulando. Mas não podia perder o cara. Entrou no elevador e lá fomos com ele então para o quinto andar, que deve ser um destes setores do crachá. Não sei exatamente qual. Ao contrário do setor leste ou norte, a saída do elevador dá para um corredor pouco espaçoso. Não há lanchonete, nada. Mais ou menos como se saísse de um elevador de um, vá lá, hotel. O representante abriu uma porta descemos uma escadinha e voilá! Estávamos no setor de imprensa da arquibancada. Ele apontou e disse:”Senta ali pelo meio!”. Agradecemos e fomos lá, sentar pelo meio, seja lá onde era isto. Fomos andando. Um pouco acima de nós, as cabines de TV…SportV, ESPN…no nosso nível um monte de mesas brancas com duas cadeiras cada. Serve para os jornalistas apoiarem seus notebooks e embaixo da mesa, tem tomadas que servem para carregar seus equipamentos. Procuramos uma mesa que não tivesse uma camera atrapalhando nossa visão na frente e fomos sentar no tal “meio”, agora já extremista….logo abaixo da cabine do SportV, onde víamos Junior e Juninho.

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Juninho e Junior da Sportv

Nem precisa dizer que eu, como um “jornalista” newbie, não levei nada, a não ser um bloquinho e caneta para anotar minhas observações como se tivesse sido descongelado da década de 90(?). Na minha imaginação sentia o ar de desprezo dos jornalistas ao redor, todos eles com notebooks digitando freneticamente, ao lado de celulares com telas grandes que usavam para se comunicar aparentemente com uma multidão, sei lá. Bem, peguei meu Motorola, de tela digamos, abaixo das 5 polegadas, para digitar também com a senha de wifi dada pelo ilustre representante anteriormente. Claro que não consegui. Tive que pedir “ajuda aos universitários”, o jornalista que estava ao meu lado digitando freneticamente em seu notebook. Ele me atendeu gentilmente, trabalha na FutRio, ou algo assim. Consegui me conectar mas vi logo que a conexão era nível time do Flamengo que veria logo mais em campo. Cheio de altos e baixos. Conectava e desconectava como uma onda senoidal.

A simpática Cris, do Fim de Jogo, estava, coincidentemente na mesa ao lado. Ela chegou logo depois. Conhece literalmente todo mundo. Disse que a melhor conexão era a da Claro. Bem, a minha da Oi nem “um pauzinho” dava no telefone… Ao lado dela duas jornalistas, todas com o indefectível notebook.

E a visão? Bem estávamos no alto. Me lembro que no Maracanã antigo as cabines de TV ficavam logo acima das cadeiras. Nesta colocou todo mundo afastado, com uma visão mais ampla mas menos detalhada (eu acho).

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Visão do local: Notem as cabines em cima, e as tais mesas brancas embaixo. Campo afastado embaixo.

Bom que dali dava para observar bem a torcida do Flamengo e a do Vasco. A torcida do Flamengo muito animada até o início do segundo tempo. Depois se calou a partir do primeiro gol do Vasco.

E então? Como foi observar o jogo dali? Reconheço que foi difícil. Sou torcedor do Flamengo. Na primeira jogada bisonha do Paulinho comecei a gritar xingando. Aí me lembrei rápido onde estava e me calei. Mico…tsc tsc…”bem que aquele bloquinho não me enganou”, pensou um jornalista. Tentava me conter, mas para mim é muito difícil em um estádio. O juiz deixando o Vasco jogar MMA com o Flamengo sem punição e inventando um monte de faltas para os vices, estava difícil de aturar. E pior, do alto ali, do meio de campo (onde gosto mais de ficar no estádio), deu para perceber melhor a extrema precariedade tática do Samir. Como ele abandona a posição a todo momento deixando n buracos na defesa. É exasperador. Flamengo jogando espaçado, Paulinho aéreo em campo, Canteros com seu amigo imaginário, ambos não jogando nada. Assistir o jogo como jornalista é difícil. Olhava para o lado. Todos encarando como se fosse um trabalho (claro, não é?…). Sem emoção. Frios. Digitando freneticamente em seus notebooks enquanto eu tentava imaginar o que eles poderiam digitar tanto se olhavam mais para a tela que para o jogo…Em todo caso, certamente isto deve auxiliar e muito o trabalho deles. Na velocidade da internet a matéria deve ser postada em sequencia. Algumas horas depois já é notícia velha. Gutemberg não deve ter previsto isto com sua prensa de tipo móvel. Acredito que se o jogo pára, é hora de digitar o que tiver na cabeça. Devem agradecer demais um jogador se machucar e parar o jogo…

Intervalo…Diogo saiu dali e foi lá para dentro, fez uma social e depois voltou. Então fui eu, subi a escada, abri a porta e entrei de novo no tal corredor. Lá tinha banheiro (pelo menos) e um bebedouro. Só isto. Tomei vários copos d’água e trouxe outro monte para minha mesa branca. Bem, fica a dica para o jornalista de primeira viagem que for ao Maracanã. Leve mochila com água, tomada para celular, tomada para notebook, lanche, notebook, caneta e bloco (se notebook falhar, claro). Não esqueça destes itens. Passa-se fome lá e não dá para sair durante o jogo senão atrapalha o pessoal que trabalha vendo o jogo das cabines logo acima. Outra coisa, no tal corredor passa-se pelas portas abertas que dá acesso a estas cabines. Eles abrem no intervalo. Então vi diversas pessoas de imprensa, um perto da cabine do outro, interagindo entre si. Vi pessoal da Bradesco, ESPN, Globo…

Voltei logo no início do segundo tempo. Flamengo, nem preciso comentar. Apanhando do Vasco, do juiz e sumindo em campo. Lá de cima percebeu-se claramente que a jogada do primeiro gol do Vasco foi marcada falta por causa da má intenção do juiz. Bolca quicando por ali, lance normal, jogador do Vasco cai e juiz dá falta. Como ocorreu a partida toda. Vexatório este Vuaden.

Depois o tal penalti em um lance que, sabemos, juiz algum marcaria caso fosse para o Corinthians. Todos os comentaristas diriam também que “claro que não foi…bola na mão..não podia evitar o movimento”. Mas com a Geni do futebol brasileiro, tudo pode. É penalti, é falta, é para cartão. Tudo de ruim é válido.

Jogo acabou. Fim de desta. Hora de outra etapa para minha jornada. O fim de jogo. Coletivas e entrevistas. Emocionante. Embora triste com o resultado estava ansioso para ver como era.

Saímos de novo para o tal corredor. Bem, patos novos, nem sabíamos onde tínhamos que nos dirigir. Ficamos meio sem saber o que fazer até que Diogo, numa sacada esperta, resolveu seguir uns cameras. Entraram no elevador e fomos juntos. Primeiro andar. Novamente. Interessante.

Víamos jornalistas meio que se dividindo no amplo salão do primeiro andar. Uns indo por um lado, outros para outro. E nós ali, meio que em circulos tentando ver pelo movimento alheio o que fazer…Bem, vimos vários se dirigindo para uma única sala e um segurança conferindo permissão de acesso olhando o crachá. “Será que somos permitidos lá? Temos este “poder”?…debatemos entre nós. Como não quer nada, fomos entrando, segurança olhou e aproveitei e disse que era minha primeira vez ali e não sabia o que tinha acesso. Ele disse que podia ficar ali na área mista, tranquilamente, assim como acompanhar a coletiva dos técnicos. Olha só. Legal. Gostei deste crachá.

Bem, o que é “área mista”? Descobri que é uma área em que os jornalistas se posicionam para fazerem perguntas aos jogadores. Passa jogadores de um time de um lado e do outro time, do outro. No caso, os jogadores do Flamengo passavam pela direita (olhando de dentro para fora, que dava para o gramado). Encontrei lá meu amigo Yuri, que trabalha no clube e está sempre nestes jogos, ajeitando o painel de propaganda do Flamengo.

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Yuri arrumando o painel

Como é o sistema? Os jogadores passam por este corredor atrás desta faixa azuis escritas “Maracanã”. Os jornalistas se posicionam do outro lado da faixa. O jogador que quiser dar entrevista vai para frente do painel. Os outros seguem por trás do painel, circulam pelo corredor, saem e vão para o ônibus. Quando o jogador sai do corredor é intocável. Não se pode entrevistá-lo, nada. Jornalistas já sabem disso.

Mas conversando com Yuri e mais um colega deles perguntei sobre a coletiva. Bem, ele explicou que, infelizmente, ela ocorre geralmente concomitante a saída dos jogadores. Enquanto os jogadores se arrumam no vestiário, alguns tomam banho e tal, o treinador vai para a sala ou auditório fazer a coletiva. Ou seja, você, jornalista, tem que optar, perde um pouco da saída dos jogadores ou acompanha a coletiva? Escolhi a segunda opção, saí então do salão da área mista e fui para o auditório onde Oswaldo Oliveira daria a coletiva. Não podia perder esta, certo? Como uma barata tonta procurando o tal auditório, acabei perguntando a um segurança que indicando o caminho explicou que no Maracanã, o mandante geralmente dá coletiva no auditório e o visitante numa sala menor. Andando um pouco, achei o auditório. No corredor que dá acesso a ele, vi muitos torcedores andando do lado de fora. Interessante. Pois bem, entrei. Salão amplo. E vazio.

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Vista interna do auditório da coletiva do Oswaldo Oliveira

Esperei um pouco, com meu amigo Diogo. Poucos jornalistas. Um funcionário do Flamengo, jovem, ficava com um microfone sem fio nas mãos. Chega Eduardo Bandeira pelo palco, sai e senta solitário em uma cadeira na frente. Ninguém faz qualquer pergunta a ele. Jornalistas se sucedem em perguntas ao Oswaldo. Nada assim de muita originalidade. Nas perguntas e nas respostas. Particularmente me lembrei de uma resposta do Oswaldo que a partida foi decidida em detalhes, lances fortuitos de jogo, porque o Vasco não teria tido volume de jogo para ter ganho. Poderia ter sido empate ou o próprio Flamengo ter ganha. Bem, discordo. Enfim, não ia fazer qualquer pergunta. Queria só observar, mas reparei uma coisa. As pessoas que faziam as perguntas sequer levantavam a mão tipo “Eu aqui!”. Não, o rapaz ia entregando o microfone como se tivesse uma lista de quem ia perguntar. Auditório vazio (vide foto), era fácil de localizar. Talvez se você, jornalista, queira perguntar algo tem que dar seu nome para a tal lista antes. Em certo momento vi o rapaz apontando para um jornalista e fazendo um sinal que seria a última pergunta. E foi. Fred Luz, CEO do Flamengo,  apareceu na beirada do palco. Eduardo Bandeira se levantou e subiu, saindo de vista e Oswaldo foi embora, educadamente.

Voltei correndo para a área mista, no caminho vendo que tinha uma lanchonete por ali (olha aí…). Olhei de relance para a sala onde rolava a coletiva com Jorginho, técnico do Vasco. Muita cheia. “Ao vencedor as batatas”, pensei. Chegando de novo na área mista  encontrei com o simpático segurança Douglas, onipresente na Gávea e em vários eventos do Flamengo. Gabriel passou, falou com ele, Paulinho, Wallace, vários jogadores. Ele realmente parece bem querido. Explicou de novo como funcionava a área mista e quem podia perguntar. Passou o Marcelão da Massa, e com raiva do Samir, disse para ele que tinha que ter jogado…foi minha, digamos, contribuição no local…E eis que chega César Martins e se posiciona em frente ao display dos patrocinadores. Jornalistas correm para lá, filmar, fotografar e gravar.

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César Martins

Cheguei perto, mas achei a voz do César Martins ininteligível. Não entendia nada que ele falava. Muito baixo e um tom meio monocórdio. Vi a “briga” dos jornalistas para posicionar o microfone e perguntar. Uma hora rolou uma troca de agressões entre dois jornalistas, um dele com raiva do outro o ter esbarrado.

Enquanto César Martins falava vi outros jogadores saindo de fininho por trás do painel.

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Saída pela esquerda

O time do Flamengo saiu todo. Enquanto isto o Vasco ainda tinha jogador. Jogadores todos passando e dando entrevistas. Em frente e fora do painel. A vitória faz todo mundo ser comunicativo.

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Vasco saindo. Jogadores dando entrevista…

Na saída tinha um salão com várias mesas e alguns jornalistas por lá. Bem, aparentemente eles fazem parte da matéria durante o jogo, da arquibancada e finalizam lá embaixo, neste salão, depois das entrevistas e coletivas. Pode ser também que haja jornalista que passe a matéria ali depois da coletiva e/ou entrevista e não do jogo. Enfim, algumas variáveis a considerar. Monte aí seu quebra-cabeça.

Bem, Me perdi um pouco para sair do local. Mas Diogo salvou com seu senso de localização. Saímos do Maracanã pelo mesmo portão 11. Triste com a vitória mas, confesso, maravilhado com esta experiência. Obrigado Diogo!

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Os conceitos emitidos nos textos do Blog Pedrada Rubro Negra são de inteira responsabilidade do autor. Não refletindo, obrigatoriamente, a opinião do mundorubronegro.com. Flávio H. Souza (Twitter: @PedradaRN) escreve no MRN Blogs e no Buteco do Flamengo.

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