Por Daniel Endebo (twitter: @danisendebo)

Ausentei-me por alguns dias para fugir do carnaval carioca e relaxar um pouco antes do ano finalmente começar. E o primeiro dia pós-quarta-feira de cinzas já reservou uma notícia daquelas: segundo o colunista Ancelmo Gois, de “O Globo” (o mesmo que cravou a saída de Jayme de Almeida horas antes da demissão oficial), o lateral-direito Leo Moura está de malas prontas para os EUA.

Isso mesmo: depois de uma chatíssima novela que se estendeu entre o fim de dezembro e a metade de janeiro, o atleta mais longevo do atual elenco rubro-negro deixará a Gávea. Não demorou muito para que todos os portais noticiassem a transferência: o mais assíduo camisa 2 da história rubro-negra jogará no Fort Lauderdale Strikers, time que tem Ronaldo como um dos acionistas, e que disputa a NASL, uma espécie de “liga inferior” nos EUA – seria incorreto chamar de 2ª divisão, uma vez que no país não há acesso e descenso. Na Flórida, voltará à sua posição de origem, a armação, e terá contrato válido por três anos.

Não pretendo me alongar no debate sobre o atleta, sua relevância histórica e se o fim de sua passagem teve a devida atenção ou não. Entendo que as partes chegaram a um acordo no início do ano e os meses subsequentes se desenhavam como os últimos da longa passagem do lateral pelo rubro-negro. O atleta optou por abreviar o acordo, buscando uma nova experiência. Que seja feliz nessa empreitada.

Vamos ao que interessa: sem Leo Moura e Leo, emprestado ao Inter, o Mengão fica apenas com Pará como opção de origem para a lateral-direita. Outras variações possíveis são a improvisação de Luiz Antônio (que atuou com relativo sucesso na posição na partida contra a Cabofriense) ou, ainda, a de Anderson Pico, que é destro e jogou por ali nas duas últimas rodadas do Brasileirão passado. Boa parte da torcida teme ter apenas essas opções, mas não vejo razão para desespero. O atual elenco deverá ser suficiente para competir nas primeiras fases da Copa do Brasil e, claro, fazer bonito no Carioca. Para o Brasileiro, buscar reposição – e não só para a lateral – é importante. Vale ficar de olho na Libertadores, que deverá apresentar aos clubes brazucos muita gente talentosa (e por um preço muito mais acessível). Que a nossa diretoria vasculhe bem o mercado e se antecipe aos rivais na busca por peças valiosas.

Em relação aos líderes do elenco, a saída de Leo Moura pode até ter um impacto imediato, por conta da identificação e tempo de casa do atleta; prefiro olhar como um campo fértil para o desenvolvimento de novos líderes e ídolos. Paulo Victor, Wallace, Canteros e Éverton despontam como meus favoritos aos postos – Cáceres e Alecsandro, até pela bagagem, deverão ter papel importante na liderança do time, também. Samir, Cirino e Nixon, ao se consolidarem como indiscutíveis no time, também assumirão um espaço de destaque. Ao menos é essa a expectativa.

Depois de um par de jogos em ritmo de folia e uma notícia que salta aos olhos, o Flamengo tem nessa quinta-feira a oportunidade de assumir a dianteira do Carioca, após tropeços de Fluminense e Vasco. Para tanto, basta vencer o Boavista, no Maraca, por 2 ou mais gols de diferença. É hora de mostrar quem manda no futebol carioca e fazer valer a força e manutenção de seu elenco, mesmo que ele esteja desfalcado do seu personagem mais assíduo na última década. Que comece o ano!

Para nunca esquecer!

O dia 19 de fevereiro é um dia para todo molambo de boa fé lembrar com carinho. Nessa dia, nasceu Gustavo, autor do primeiro gol flamengo em todos os tempos, no histórico 16 x 2 sobre o Mangueira. Faria ainda outros três gols nessa partida. Gustavo foi também o autor do primeiro tento internacional da maior instituição esportiva do mundo, contra o Sportivo Barracas, da Argentina.

A história do ex-atacante é indissociável à do Mengão. Foi presidente do clube entre 39 e 42, conquistando dois títulos cariocas – únicos de sua história. Completaria hoje 121 anos.

Vale lembrar também o aniversário do Doutor Sócrates. Personagem dos mais interessantes da história do futebol canarinho, foi companheiro de Zico, Júnior e cia. na seleção ao longo da década de 80. Jogou no Mais Querido com pouco destaque, mas como qualquer Imortal do esporte, sentiu o prazer de envergar a camisa mais bonita do Mundo.

SRN