“Em 2016 penso em arrebentar na Copa São Paulo, ter oportunidade na equipe principal e também na Seleção Brasileira sub-20”

 

Foto- Facebook do jogadorO Mundo Rubro Negro conversou com Felipe Vizeu, umas das nossas grandes promessas para a “Copinha”. O atacante que chegou ao clube em 2013, assumiu a condição de titular, esse ano, após a subida de Douglas Baggio para o time profissional.

Além de talento dentro das quatro linhas, Vizeu é um jogador diferenciado fora dos gramados. Com apenas dezoito anos, já mostra maturidade e têm seus objetivos bem definidos. Amado pela família, seu principal pilar, querido pelos amigos, e agora, temido pelos adversários. O atacante promete deixar sua marca e fazer história vestindo o Manto Sagrado.

Felipe dos Reis Pereira Vizeu do Carmo, nasceu na cidade de Três Rios (RJ), mas passou boa parte da sua vida em Belo Horizonte, já que atuava pelo América Mineiro, o seu primeiro clube. De uma saída conturbada do Coelho à chegada empolgante no Urubu: no meio disso tudo o jogador ficou seis meses de “molho”. Felipe conheceu bem cedo as mazelas que o futebol de vez em quando proporciona. Por um momento pensou que sua carreira, que mal havia começado, teria chegado ao fim. A fé foi mais forte e a redenção aconteceu. Conheça um pouco mais da história do jogador, quem em menos de três anos de Flamengo já soma 78 gols.


 

Como começou sua história com o futebol? Tem algum jogador na família?

Pra falar a verdade não teve nenhum profissional, porém, vários tentaram. Meu avô até chegou a se profissionalizar, mas depois largou. Não quis saber de jogar futebol. Fui jogar no América Mineiro através do tio do André (atacante que atualmente joga no Sport Recife). Ele foi ex-jogador do clube, me viu jogando e me levou pra fazer um período de duas semanas. Comecei a me destacar e em um campeonato Sub-15, a famosa BH Cup, o Flamengo e outros grandes clubes tiveram interesse em mim. Foi quando decidi vir para o Flamengo. O coração falou mais alto.

 

O América Mineiro é um grande revelador de jogadores no futebol brasileiro, mas como foi essa transição de sair de um clube regional para jogar no gigante Flamengo? 

Na verdade foi bem complicada. Depois que tomei a decisão tive que ficar 6 meses na justiça pra esperar a liberação pra eu poder atuar pelo clube. Foi difícil demais. Nesse período achei que minha carreira iria acabar ali mesmo. Graças a Deus quando fui liberado o Flamengo estava me esperando.

 

Ficou esses seis meses parado?

Não, não. Na verdade meus pais já moravam em Cabo Frio. Então retornei pra lá, voltei aos estudos e continuei treinando em um time que sempre treinei quando morei lá.

 

Qual foi o problema que fez com que esse caso fosse parar na justiça? Você quis sair antes do término do contrato?

Na verdade eu só tinha contrato de formação com o clube. Então eles não quiseram liberar e acabaram que quebraram muitas cláusulas do meu contrato. Então foi onde pude conseguir me liberar.

 

Sobre sua chegada ao Flamengo, como te receberam? Se adaptou rápido?

Me receberam muito bem. Tive que me adaptar. Na minha segunda semana de clube fui para um jogo de titular pela sub-17. Foi pela Copa do Brasil, contra o Internacional. O primeiro jogo foi 1×0 pra eles, então estávamos saindo da competição. Foi onde no segundo jogo fiz 2 gols e saímos classificados lá no Rio Grande do Sul. Depois disso continuei me mantendo. Chegamos até a final. (Flamengo 1 x 3 São Paulo). Continuei de titular na equipe e graças a Deus estou até hoje brilhando pela Base do clube. Agora já vai fazer três anos.

 

O Flamengo está trabalhando para dar a seus atletas uma estrutura de excelência. Alguns clubes, por enquanto, estão à frente do Mais Querido nesse quesito. Você percebeu muita diferença na estrutura do América para a do Flamengo? 

Foto: Reprodução Facebook

Juniores no Ninho do Urubu. Foto: Reprodução Facebook

Sim, muita diferença. O América é um clube formador, então a base é muito boa. Claro, não tem comparação com o Flamengo. Flamengo é Flamengo! Então, sobre estrutura, morei nos dois alojamentos. Tanto no América quanto no Flamengo. A diferença era que no América faltava água. Às vezes ficávamos sem poder ir estudar porque o transporte não tinha gasolina.

Já no Flamengo é diferente. Desde quando cheguei ao alojamento, a cada dia que passa está melhorando ainda mais a estrutura. Hoje tenho meu apartamento no Recreio. Meus pais e meus dois irmãos já moram comigo.

 

Como vocês (jogadores da Base) fazem para conciliar agenda de jogos e treinamentos com os estudos?

Na verdade é um pouco difícil. Quando saí da concentração ficou um pouco complicado para conciliar os estudos com os treinamentos. Então acabei parando no 2º ano. Mas no próximo ano irei estudar a distância pra terminar o Ensino Médio.

 

Sempre pensou em ser jogador de futebol ou já cogitou trabalhar em outra área?

Eu sempre pensei em ser atleta profissional. Nunca me passou pela cabeça ser outra coisa, além de atleta.

 

Felipe, você sempre foi importante para a equipe, mas nessa temporada assumiu a titularidade do Sub-20. A pressão é maior ou você joga do mesmo jeito?

A pressão é maior sim, além de ser maior, a boca do funil fica cada vez menor. Sempre me dedico ao máximo nos treinamentos, não só nos coletivos e nas finalizações, mas também na academia nos treinos físicos, táticos e tudo mais.

 

Você se cobra muito quando não consegue fazer aquilo que se espera de um atacante?

Sobre gol eu penso que é natural. Sou atacante, vivo de gols. Então sempre mantenho minha concentração para quando eu tiver a oportunidade conseguir balançar as redes.

 

Taça São Paulo, Campeonato Carioca, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Torneio OPG, Copa Ipiranga. O ano foi agitado. Qual é o balanço que você faz da temporada 2015?

Sobre minha temporada esse ano, acho que obtive sucesso, não tanto quanto ao ano passado, quando fiz 43 gols. Mas fui muito feliz na maioria das vezes que entrei em campo pra disputar um jogo. Fui campeão Carioca Sub-20. Ganhei a Taça Guanabara, Taça Rio, Torneio Super Clássicos. Então foi um ano muito bom. Batemos na porta no Brasileiro, um campeonato em que minha estrela brilhou muito. Agradeço a Deus por essas oportunidades, sem Ele não teria conquistado nada disso.

 

O jogador mostrou que tem estrela ao marcar esse belíssimo gol, que resultou na vitória de 1 x 0 sobre o Vasco, quando acabara de entrar na partida, pelo Campeonato Brasileiro Sub-20. Reprodução: SporTV

 

Muricy Ramalho, novo técnico do Fla, disse em sua apresentação na Gávea, que pretende implantar no clube o mesmo método utilizado pelo Barcelona, que é de unificar o sistema de jogo de todas as categorias de Base com o time profissional. O que você acha disso?

O Muricy é um grande professor. Esse ano ficou um grande período no Barcelona, então sabe do que um atleta precisa pra alcançar o sucesso. Tenho certeza que com esse pensamento dele irá dar tudo certo. E para nós jogadores da Base será muito bom. Pois quando chegarmos em cima já não será tão difícil e demorado para nos adaptarmos, pois já estaremos cientes do que temos que fazer, por já estar sendo aplicado nos jogos da Base o que ele está aplicando no profissional. E espero ter oportunidades de poder mostrar o meu talento. Espero ter sucesso tanto agora quanto no profissional.

 

O Flamengo tem grandes jogadores que atuam na mesma posição que você. Como pretende vencer essa barreira e ser chamado para o time profissional, levando em conta, muitas vezes, a falta de paciência da torcida com o jogador da base?

Em todas as equipes profissionais, na posição em que jogo, existem grandes jogadores. Na verdade são os grandes personagens do time. Quanto a isso estou tranquilo, sei do meu potencial, o dia em que eu tiver a minha oportunidade agarrarei com unhas e dentes. Tenho certeza que farei o meu melhor, pois se eu tive a oportunidade de estrear pelo profissional do Flamengo é porque tenho potencial pra ser o camisa 9 do time. Então terei que trabalhar muito. Não só no campo, mais na parte da psicologia também. Hoje no futebol, nós jogadores, precisamos muito da parte mental. Ter nosso autoconhecimento, autodisciplina, autocontrole, autoconfiança. Nós, jogadores, temos que nos conhecer primeiramente. Estando tudo ok não tem como dar errado.

 

Quem são os seus ídolos no futebol?

No futebol atual me inspiro em 4 jogadores. Lewandowisk e no Benzema. São dois jogadores que me identifico muito. Pela estatura, pelo posicionamento e também pelas funções feitas nos jogos. Aqui no Brasil gosto muito de ver o Fred jogar. Acho que ele é muito diferente. Na área é com ele mesmo. Não tem conversa, é rede… E também com o Paolo Guerrero. Vejo ele treinando e percebo o quão profissional ele é. Além de ter muita postura é um fenômeno. Mas o meu maior ídolo é o Ronaldo Fenômeno. Igual a ele eu acho que nunca vi. Era rápido, habilidoso, inteligente e excelente finalizador.

Vizeu observa Guerrero duante os treinamentos. O Peruano é um dos seus ídolos. Foto: Site Oficial

Vizeu observa Guerrero durante os treinamentos. O Peruano é um dos seus ídolos. Foto: Site Oficial

 

O que espera da próxima temporada?

Em 2016 penso em arrebentar na Copa São Paulo e ter oportunidade na equipe principal e também na Seleção Brasileira sub-20.

 

Um recado para a Maior Torcida do Mundo.

Nação, sou o Felipe Vizeu centroavante da equipe sub-20 do Mengão. Queria deixar um grande abraço e dizer que em breve estarei dando muitas alegrias pra vocês torcedores rubro-negros. A maior do Brasil #SRN

 

 

              


Bruno Vasconcellos faz parte da equipe MRN Informação. Twitter: @Brunocellos_