B82_fDZIEAEvEZC_converted      Diogo Almeida

 

Na minha última coluna tracei um panorama do nosso atual elenco, desta feita vou fazer uma reflexão acerca de como o Campeonato Brasileiro deste 2015 deve ser encarado pelo time e pela torcida. Longe de mim querer dizer como vocês devem administrar suas expectativas! Todavia podemos, em determinados pontos – aqui e ali, como diria um amigo – traçar paralelos equânimes que nos ajudem a não sofrer iguais uma barata tonta depois da rajada de veneno.

Afinal, sempre vou acreditar que os resultados no esporte não são ou serão definidos por uma ou outra causa, e sim pela interdependência entre os processos de trabalho. E por “Processos de Trabalho” entende-se a correlação de condições, meios, atitudes coletivas e posicionamentos individuais que integram uma filosofia macro de trabalho: de tal forma que sua força norteia a tomada de decisão seja ela concernente a pequenos ou grandes problemas e desafios da rotina do nosso futebol. O Flamengo ainda não encontrou seus processos de trabalho e nem vai encontrar este ano.

O Clube de Regatas do Flamengo é um clube em crise financeira. Não se entorpeçam pelas notícias sem fundamento ou com fundamento – tendo em vista que nossos atuais dirigentes perdem a perspectiva no afã de agradar o torcedor, atitude humana, que reflexiona a indignação (desbaratada) com reveses no campo. O Flamengo deve muito, senhores e senhoras. Ser o clube mais valioso do Brasil é um orgulho bem parecido com o embuste do mendigo que dorme de terno e gravata. O Tostes talvez saiba disso, concorde comigo. Nosso time em campo é espelho da desgovernança de décadas. E o feio a se enxergar, pense comigo torcida, não é a gangrena da dívida astronômica. É sim putrefacto da completa falta da matéria-prima para os processos de trabalho, a saber: os aspectos básicos.

Como nosso foco é o futebol, nosso time, graças aos deuses é o Maior do Brasil, e nosso clube se chama Clube de Regatas do Flamengo, é torturante assistir um completo alienamento da parte de alguns torcedores quando tentamos mostrar que, no futebol, dois mais dois nem sempre são quatro. O resultado vem ou não. O que o clube precisa fazer para que os resultados venham com mais frequência é aumentar as condições. E depois de aumentadas essas condições, concatená-las à feição de uma engrenagem bem azeitada. Quanto tempo demora para a incorporação dos processos de trabalho que levam um clube a diminuir o seu vácuo de conquistas?

Barcelona, Bayern, Manchester United, Real Madrid… Em algum momento esses clubes encontraram seus “processos de trabalhos” que os elevam há décadas de vitórias outrossim uma temporada ou outra sem taça. Primeiro esses clubes criaram os aspectos básicos para a construção de um bom time de futebol, cada qual escolheu sua estrada para Roma. O Diogo Almeida e a maioria dos rubro-negros conhece pouco dos percalços para o alicerçar dos aspectos básicos de outros clubes. Eu mal sei das dificuldades do São Paulo Futebol Clube para a construção do seu famigerado CT. O que sei é que em algum momento uns clubes pelo mundo se tocaram que precisavam de infraestrutura. E aspectos básicos pode ser definido mesmo como infraestrutura, um simplismo que convém…


A questão que acredito fielmente é: Não adianta culpar A, B ou C pela atuação ridícula contra o Atlético Mineiro, povo! Este ano a gente pode ser Hepta, podemos pegar Libertadores, podemos ficar no meio da tabela e podemos de novo chegar às últimas rodadas com chance de cair.

O Flamengo que não têm ASPECTOS BÁSICOS para sedimentar seus PROCESSOS DE TRABALHO está propenso a qualquer coisa. Na sorte ou na magia da torcida, o Mengão atual consegue seus brilhos, mas eles se provam demasiados furtivos. O brilho do Flamengo é catártico, intenso, lindo e esporádico. É um 2009. É um 2013. As temporadas aflitivas são mais presentes nos últimos dez anos.

Quando você for assistir o Flamengo jogar, seja na arquibancada do Maracanã, seja na mesa preferida do seu bar favorito, seja no conforto do seu sofá, seja no churrasco com os brothers… Lembre apenas de uma coisa: Independente do resultado, perdendo ou ganhando, quem faz o resultado a longo prazo são os aspectos básicos junto aos processos de trabalho.

Mas eu vou falar sim do Brasileirão 2015, como enunciado no primeiro parágrafo desta coluna! Com base na explanação acima eu criei um critério-torcedor pra minha pessoa este ano. Sim… Meio que cansadão de verborragir e me estressar. Cansadaço do sobe e desce de emoções do agora-esse-time-vai… Criei o meu modus vivendi com meu time. E fiz isso dividindo o campeonato em subcampeonatos compostos por pelotões de clubes. O Flamengo está, ao meu modo de ver futebol (eu não sou tão bom nisso, tenho sempre posturas extravagantes acerca do ludopédio, como preferir acompanhar a segundona ao invés do inglesão, por exemplo) no 2º Pelotão. Vou organizar melhor isso:

A TEORIA DOS SUBCAMPEONATOS DO DIOGO ALMEIDA

O Brasileiro está dividido em três camadas de clubes. Cada camada leva o nome ilustrativo de pelotão. Os Pelotões são compostos por clubes que possuem semelhantes níveis de processos de trabalho. Claro que há um e outro clube que têm aspectos básicos melhores que outro clube inserido no mesmo pelotão. Isso pode ser explicado facilmente pela falta de processos de trabalho. O Grêmio é um exemplo. Com boa estrutura, porém a engrenagem da sua máquina não demonstra muita eficiência.

1º PELOTÃO

Atlético Mineiro, Corinthians, Cruzeiro, Internacional e São Paulo.

É muito difícil que estes clubes não estejam ocupando as 5 primeiras posições da competição ao fim da 38º rodada.

A nota feliz é a provável descida do Corinthians rumo ao 2º Pelotão.  A crise promete atrapalhar os planos corintianos para viagens sulamericanas no próximo ano. O elenco corintiano é muito caro e as dívidas de curto prazo são maiores do que qualquer outra deste grupo. Podemos lembrar que o CAM também anda atrasando salários, contudo há diferenças pontuais entre os dois casos que não precisam ser tratadas aqui.

G4 → Atlético Mineiro, Cruzeiro, Internacional e São Paulo. A ordem é apenas alfabética

2º PELOTÃO

Atlético Paranaense, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Santos e Sport.

Esse é o nosso pelotão. Triste realidade. Depois daquele papo todo de processos e aspectos eu penso que esse aqui é o nosso torneio. Precisamos e temos condições de vencer esse torneio. Mas ganhar dos outros seis competidores do 2º pelotão não implica em apenas vencê-los! Implica em saber quem perde menos pontos contra os times do 1º Pelotão e do 3º pelotão. O papel da Comissão Técnica é estudar meios e maneiras de ganhar esse subcampeonato. Precisamos saber que nossos rivais este ano são estes 6 listados. O pelotão dos medíocres.

De uma forma bastante rude (mas não consigo explicar de outra maneira) o técnico do Flamengo tem que dizer para os jogadores:

– Contra o 1º Pelotão o resultado normal é derrota. Vamos tentar sair com um ponto. Quem sabe a gente não ganha?

– Vamos jogar com esse time do 2º Pelotão, moçada. Eles disputam o nosso subcampeonato! Então é entrar pra jogar bola e tudo pode acontecer!

– Esse time do 3º Pelotão é mais fraco que a gente. Nosso dever não é pensar assim. Precisamos vencer de qualquer jeito. Então vamos respeitar mas sabendo que é chegar lá e explorar as deficiências deles.

Quem sabe uma sequência boa reviva aquela arrancada DCF típica do Mengão? Quem sabe nesse momento dois clubes lá do G5 não arregam, se enfraqueçam pelos motivos lá deles e a gente não chega todo pimpão à Liberta do próximo ano? Ou então vai que tudo conspira e de novo as constelações flamengas não se alinhem e a gente leva o Hepta? Mas não se esqueça: Hoje o Flamengo é um clube resgatando sua existência em seu quarto de hospital. Sem os vitais aspectos básicos que dão força para os processos de trabalho.

3º PELOTÃO

O resto dos times. A sobra. Todos que vão lutar pra não cair. Os pequenos, os bagunçados e os clubes que estão muito na merda. O engraçado é que nesse Pelotão aparecem clubes que possuem aspectos básicos e processos de trabalho. Um clube organizadinho. O torcedor da Chapecoense, por exemplo. Qual a grande alegria desse torcedor? Continuar a ver seu time na Série A.

CONCLUSÃO

Ufa! Enfim o fim. Seguinte: Não quero parecer derrotista em nenhuma linha. Depois vou escrever de forma mais concreta sobre os aspectos básicos. Vou falar como ter estrutura e processos de trabalho farão do Flamengo o maior clube jamais visto na história, sem clubismo. Por que escrevo este texto é a pergunta que me fiz neste derradeiro e pretérito instante. Apenas quis mostrar que não temos condições atuais de cobrar mais do nosso próprio apoio. Noves fora Guerrero e Sheik. O time merece seu apoio consciente de onde ele pode chegar. Se entrarmos no desespero de que nada presta e levar esse desespero para as arquibancadas, redes sociais e consequentemente para nossas vidas de segunda a sexta aja Deus-nos-acuda, pitís eufóricos, teorias internas e externas de conspiração, e alucinações que viram atitudes raivosas quiçá violentas.

Calma. Perdemos feião pro Atlético. Provavelmente perderemos feião pro Internacional. Vá ao estádio ou faça parte de uma corrente positiva levando em conta o nosso real tamanho hoje. Repito: Podemos chegar à Libertadores, podemos até ser Hepta. Mas torça pelo Flamengo como se não houvesse amanhã hoje mesmo. Esse time mediano precisa de sua torcida tranquila, em paz. Você acha que a torcida nunca aceitará um time na derrota? Então comece VOCÊ a aceitar a derrota, por todos os motivos que expus aqui. Temos que passar por esse período de transição do Flamengo sem métodos, sem CT, sem dinheiro, com a cabeça erguida e visão no horizonte.

Ou você esqueceu que o pacto era aceitar anos de resultados ruins para um futuro mais sólido?

 

ALI EM EMBAIXO TEM O CAMPO DE COMENTÁRIOS. O AUTOR TEM IMENSO PRAZER EM LER E RESPONDER CRÍTICAS, SUGESTÕES, ELOGIOS ETC. 😉