Depois de 6 vitórias, duas derrotas acachapantes. Qual é a explicação?

Depois de 6 vitórias, duas derrotas acachapantes. Qual é a explicação? | Foto: Site Atlético-MG


Náyra M. Vieira | Twitter @NayraMV

Uma sequência de 6 vitórias seguidas no campeonato brasileiro não pode ser simplesmente sorte ou coincidência, sendo assim o que mudou nesse período que fez com que os 2 últimos jogos fossem desastrosos?

Mas antes de analisar o que houve contra o Atlético-MG, vale esclarecer um ponto para evitar ruídos: O que faz um time ser melhor que outro durante um período de tempo em uma partida?

Posse de bola

Alguns clubes e seleções da Europa adotam a posse de bola como princípio de domínio de jogo, algo executado primorosamente pelo Barcelona, o que faz todo sentido já que o time que retém a bola possui mais chance de chegar ao gol do que de sofrer um. Porém no Brasil as coisas funcionam diferente, quem ganha vantagem no placar tende a ficar mais sólido na defesa e deixar a bola com o adversário, que no afã de fazer o gol se expõe defensivamente e fica frágil a contra-ataques.

Número de finalizações

O número de finalizações diz muito pouco sobre uma partida se analisado de forma isolada, precisa-se pôr no contexto analisando a porcentagem de chutes que de fato foram na direção do gol e, se possível, ver as condições em que se deu. Surpreendentemente não é incomum no campeonato brasileiro ver um time que perdeu ter um número maior de finalizações que o adversário, porém nota-se sempre um equilíbrio entre as que foram na direção do gol.

Volume de jogo

Ter volume de jogo é manter a posse de bola no campo ofensivo, principalmente no último terço, e criar jogadas, situações que possam gerar finalizações e, portanto, gols. O time que tem mais a posse de bola geralmente tem mais volume de jogo, apesar de exceções serem possíveis.

 

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Atlético mesmo ganhando não relaxou em nenhum momento | Foto: Site Atlético-MG

Esclarecidos os pontos acima, vamos voltar ao jogo Atlético-MG x Flamengo, que surgia como um marco para ambos os times que vinham de derrota e precisavam reagir se quisessem alcançar posições na tabela. O jogo contra o Coritiba foi cercado de críticas a torcida de Brasília e falas sobre oba oba provocando um pequeno tropeço, mas não vi ninguém discutindo as reais falhas do time durante o jogo. A consequência foi ver a repetição de uma escalação equivocada.

Paulo Victor – Pará, Marcelo, Samir, Everton – Canteros, Alan Patrick, Márcio Araújo – Cirino, Guerrero, Paulinho

Com a indisposição de Jorge este fim de semana, Everton foi recuado para a lateral e Cirino ganhou uma vaga no time, além disto, Guerrero voltava de lesão. Marcelo entrou no lugar de César Martins, suspenso pelo 3° amarelo.

No cenário geral, o Atlético-MG e o Flamengo começaram buscando fazer o placar, ambos os times iam para o ataque e davam espaços, o jogo estava parelho, até que em um contra-ataque Paulinho lançou Cirino que dominou driblando, entrou na área e sofreu um pênalti cometido por Victor. Alan Patrick foi pra batida e chutou fraco, Victor pegou sem problemas e o time da casa se empolgou.

Em um contra-ataque, após Cirino perder a bola no meio, o fantasma da bola aérea voltou com força quando Marcelo cabeceou o cruzamento pro gol, marcando contra. Houve, contudo, esperança de que não fosse afetar tanto o psicológico do time quando Canteros deu um passe primoroso para Paulinho, que bateu de primeira dentro da área e a bola desviou no defensor tirando completamente do goleiro e empatando o jogo.

O time da casa não relaxou e voltou a buscar o ataque, conseguindo apenas 6 minutos depois chegar ao gol quando Datolo cobrou uma falta lançando a bola na área e Jemerson pulou entre Samir e Pará para marcar o 2° do Atlético-MG. Sem querer dar abertura para outro empate, o alvinegro adotou uma postura um pouco mais cautelosa ficando mais recuado, abrindo a mão da posse da bola, mas partindo forte nos contra-ataques, geralmente pela esquerda do Flamengo onde Everton ficava sozinho na marcação… opa, sozinho?

Conhecem a célebre frase “pika não marca” do Jônatas? Pois é, Cirino e Paulinho que já mostraram o quão rápido se contagiam com oba oba e vestem a máscara — hoje isso foi mais claro que nunca. No 4-3-3 os pontas precisam voltar para marcar auxiliando os laterais para não deixar espaços na defesa, mas nossas divas não podiam se sujeitar a fazer “trabalho de peão” então que Pará e Everton se virassem! Novamente também pudemos ver Paulinho prender a bola, abandonando a lateral pra ir passear pelo meio (e ficando!), forçando dribles, distribuindo mal a bola e perdendo a posse desta.

Com o Flamengo tendo mais volume de jogo, poder-se-ia esperar que o time pressionasse, criasse situações de jogo, porém o domínio não se refletia em poder ofensivo real. Primeiramente, se um time quer ser perigoso, tem que colocar jogadores na área para finalizar, isso vinha acontecendo até o jogo contra o Coritiba, foi o que, por exemplo, o Palmeiras fez ontem quando em todos os ataques tinha pelos menos 3 jogadores dentro da área, coisa que o Flamengo não fez nos últimos dois jogos. Choviam cruzamentos ruins para Guerrero sozinho entre dois zagueiros bons pelo alto, além disto os pontas pouco conseguiam realmente produzir, houve poucas ultrapassagens dos laterais, em parte pelo modo fominha dos ponteiros e outra pela desatenção tática, quando, por exemplo, Everton por algumas vezes tinha a bola e ninguém aparecia pra receber na esquerda.

Já o Atlético-MG aproveitava muito bem os contra-ataques, toda hora aparecia jogador cara-a-cara com Paulo Victor que por várias vezes teve que sair do gol para evitar o pior, os zagueiros ficavam no mano-a-mano com os atacantes, Márcio Araújo não estava tão fixo pela necessidade do time atacar, os laterais não tinham cobertura, enfim, não vou culpar só os zagueiros quando a defesa estava um caos como um todo.

Everton improvisado e Datolo em grande dia | Foto: Site Atlético-MG

Everton improvisado e Datolo em grande dia | Foto: Site Atlético-MG

Aos 10 minutos do 2° tempo o 3° gol, segundo de Jemerson, que novamente subiu mais que os marcadores e colocou a bola na rede. Oswaldo novamente demorou muito a mexer, ia tirar Alan Patrick e acabou por tirar Cirino, que pediu pra sair, para colocar Ederson. O time já cansado e sentindo o peso da derrota continuou com seu domínio pouco produtivo, Guerrero que vinha de muito tempo parado estava sem ritmo e também não recebeu muitas bolas, Victor não trabalhou tanto quanto Paulo Victor e a consequência da exposição rubro-negra e da letalidade do Galo foi um golaço, com um drible humilhante no Pará, para encerrar o jogo, já que logo depois Oswaldo colocou Almir no lugar de Alan Patrick e isso diz tudo.

É normal que na história um clube se torne freguês de outro por um período de tempo, mas o Flamengo não simplesmente perde para o Atlético-MG, o Urubu tem caído de quatro e sendo destroçado pelo Galo. Hoje, o Atlético-MG jogou com inteligência, eficiência e ainda contou com a falha generalizada na defesa do Flamengo, vitória com méritos, indiscutível.

Por fim, vou lembrar do texto que escrevi antes do jogo contra o Coritiba, os números mostravam alta eficiência na defesa, que além de ser protegida fixamente contava com rápida recomposição de TODOS (lembram-se do Sheik vindo tirar bola na linha de fundo do Flamengo?), duas linhas de 4 bem postas e Márcio Araújo ou Jonas na proteção. Além disso, havia alta eficiência no ataque com o time colocando 3 ou 4 dentro da área para receber as bolas, com direito a meia aparecendo de trás pra finalizar, algo que Alan Patrick não tem feito. O esquema era o 4-3-3 com dois atacantes abertos, o que dava mais consistência ao meio, algo que nem de perto se viu nos últimos jogos.

Saudações Rubro-Negras

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