Mesmo jogando mal, Flamengo vence o Cruzeiro com dois golaços e finalmente, figura o G4 do Brasileirão


Jogadores festejam o gol de Alan Patrick, que abriu caminho para a vitória que deu vaga no G4. (Foto: Flamengo Oficial/Gilvan de Souza)

Jogadores festejam o gol de Alan Patrick, que abriu caminho para a vitória que deu vaga no G4. (Foto: Flamengo Oficial/Gilvan de Souza)

“O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, no Flamengo venta, chove, troveja, relampeja.”

É com essa célebre frase do saudoso Nelson Rodrigues que iniciaremos o nosso pós jogo de hoje. Há duas quartas feiras atrás, uma Nação se via desolada, nas cordas, triste após eliminação na Copa do Brasil. Mas choveu, ventou, trovejou e relampejou. E o Flamengo ressurgiu, mais uma vez. O ecossistema Rubro Negro foi alterado, suas condições, leis, influências e infraestrutura de ordem física, química e biológica foram modificadas mais uma vez por conta do peso do Manto Sagrado e no embalo de seu povo, que carrega este humilde time no colo em mais uma temporada.

E no primeiro tempo, sofrimento. O Flamengo sentia demais o peso dos desfalques, Luiz Antônio e Jonas evidenciavam falta de ritmo de jogo, e erravam praticamente tudo o que tentavam. A ausência de Canteros atrapalhava a transição do time, que mesmo com o Cruzeiro todo recuado, não conseguia se fazer presente no campo de ataque do adversário, e ainda era presa fácil em alguns contra ataques, não aproveitados pela equipe mineira. Enquanto isso, Paulo Victor já havia operado defesa importantíssima após cabeçada certeira de Paulo André, aos 12 minutos. Um jogo extremamente pobre tecnicamente, no qual o Flamengo confundia vontade com afobação, errando passes simples e devolvendo a bola ao adversário.

Aos 32′, Wallace que era dúvida na terça feira e mesmo assim foi pro jogo, sentiu a coxa e deu lugar a César Martins, que entrou seguro em campo. Sem objetividade, o Flamengo cercava a área do Cruzeiro, sem conseguir uma finalização ao gol de Fábio. Mas na primeira oportunidade concreta construída, explosão no Maracanã. Alan Patrick rola de calcanhar para Kayke, o atacante vai até a linha de fundo e cruza de três dedos para o meia, que pega a bola num lindo bate pronto, o desvio em Paulinho mata o goleiro Fábio, e a bola morre no fundo da rede. 1 x 0 Flamengo aos 45′, e o time cheio de moral desce para o intervalo com a torcida dando um show na arquibancada. Um fraquíssimo primeiro tempo, e a clara evidência de que nosso São Judas Tadeu já estava agindo.

No segundo tempo, outro Flamengo. A mesma limitação técnica, mas com uma vontade impressionante. A Raça apareceu. Pará incansável na marcação, salvou duas oportunidades claras de gol. Com a desvantagem no placar, o Cruzeiro tentava manter a posse de bola e ser incisivo, mas com a equipe do Flamengo bem postada em campo, os ataques eram neutralizados e Paulo Victor pouco trabalhou. Aos 20′, o incansável Emerson Sheik sentiu um problema muscular no adutor da coxa direita, e saiu de campo preocupando a comissão técnica. No seu lugar, entrou Marcelo Cirino, que no seu primeiro lance já roubou uma bola na intermediária e carregou até ter seu chute travado por Paulo André.


E aos 23′, São Judas se faz presente outra vez. O Maracanã fervia, a torcida inteira cantava a plenos pulmões o hino do clube, como se estivessem chamando o gol, e ele veio de forma magistral. O contestado Luiz Antônio, após bola que sobe afastada num escanteio, pega de primeira e a bola morre no ângulo esquerdo do gol do Cruzeiro. Golaço, aço, aço! Na sua comemoração, o volante desaba no gramado, visivelmente emocionado, e é festejado por todos, numa clara demonstração de união do grupo.

O Flamengo tinha mais espaço depois do gol, já que o adversário se lançava ao ataque de forma completamente desorganizada, mas a equipe pecava no último passe e não conseguia concluir em gol. Sem poder de reação algum, o Cruzeiro depois dos 35′ passou a assistir o Flamengo administrar a vantagem, e a última chance concreta de gol só viria aos 44′, após chute colocado de Kayke, obrigando Fábio a realizar grande defesa. Final de jogo, sensação de dever cumprido. Flamengo no G4, candidato forte nessa briga.

Hoje no Maracanã choveu, fez sol, relampejou e trovejou. Tudo por culpa da Nação Rubro Negra. Tivemos uma noite de Flamengo de verdade. E se não for na técnica, vencemos na vontade. A essência de todo Rubro Negro esteve em campo hoje. Sangue, suor e vontade de vencer. E se esse casamento continuar, preparem-se.

O Flamengo volta à campo no próximo domingo, para enfrentar a Chapecoense, na Arena Condá, às 16 horas. Para essa partida, tereremos os desfalques de Paolo Guerrero, que ainda não se recuperou do problema no tornozelo e Alan Patrick, suspenso pelo terceiro amarelo.

 

FLAMENGO 2×0 CRUZEIRO
Data/Hora: 10/09/2015, às 21h
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

Árbitro: Marcelo Aparecido de Souza (SP)
Assistentes: Vicente Romano Silva (SP) e Herman Brumel Vani (SP)
GOLS: Alan Patrick, 45’1ºT (1-0); Luiz Antônio, 23’2ºT (2-0)
Cartões amarelos: César Martins, Paulinho, Alan Patrick (FLA); Ceará, Manoel, Henrique (CRU)
Cartão vermelho: Não teve.
Público/Renda: 38.537 pagantes, 43.017 presentes/R$1.124.447,50.

Flamengo: Paulo Victor; Pará, Wallace (César Martins, 31’1ºT), Samir e Jorge; Jonas, Luiz Antônio e Alan Patrick; Paulinho (Jajá, 46’2ºT), Emerson Sheik (Marcelo Cirino – 21’2ºT) e Kayke. Técnico: Oswaldo de Oliveira

Cruzeiro: Fábio; Ceará, Manoel, Paulo André e Pará; Henrique, Willians e Ariel Cabral (Marcos Vinícius – Intervalo); Willian, Allano (Marquinhos – 10’2ºT) e Vinícius Araújo (Arrascaeta – 33’2ºT). Técnico: Mano Menezes

 

Flamengo 2 X 0 Cruzeiro ATUAÇÕES: Enfim, G4. As notas de Flamengo 2 x 0 Cruzeiro

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