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Bruno Vasconcellos e Diogo Almeida

 

 

Domingo de despedida para o Flamengo. O time que entrou apontado como favorito disparado para ganhar seu 34º título não mostrou, em nenhum momento, poderio que garantisse completamente a antecipada alcunha. O Vasco conseguiu “achar” seu pênalti vitorioso e saiu com a vitória debaixo dos braços.

A festa está completa: o mimetismo grotesco está na fotografia da final. FFERJ x Botafogo x Vasco. É a primeira final do Campeonato Mais Charmoso do Brasil disputado à três. A comemoração será em conjunta, a cama está arrumada para as três entidades se unirem e se locupletarem num amor doentio pelo poder reacionário do sistema federativo que culminou nos 7×1 e na degradação orgânica do mais belo dos ambientes desportivos do Brasil, o futebol carioca. O Maracanã vilipendiado, o palco perfeito.

Mas não podemos fazer de conta que a culpa no cartório é apenas do falsário. O Clube de Regatas do Flamengo, enquanto representatividade de sua história, jogou sem alma, sem raça, sem corpo, sem sangue. O técnico incensado errou e errou muito. Luxemburgo fez pré-temporada, jogou com os jogadores que mais serão utilizados no Brasileiro desta ano, e noves fora as contusões que lotaram o departamento médico rubro-negro, foi incapaz de construir um padrão tático. O time chegou destruído! Psicológico ruim, técnica fraquejada, tática inexistente, físico extenuado.

Entretanto, diante desse quadro aterrador, clamamos a necessidade básica de todos os torcedores de mitigarem os senões e poréns. Não esqueçamos de desviar nossos olhos para o submundo político que culminou na arbitragem tendenciosa ao longo do Estadual 2015… Desde o primeiro aviso, o ocorrido em Macaé. Não cerraremos os olhos para as punições absolutamente surreais do TJD-RJ. Não daremos às costas para a penalidade marcada. Contudo, que time é esse que nossa Diretoria, Comissão Técnica e Elenco estão montando para o Brasileirão 2015? A pergunta não é fruto do exagero de um espírito coletivo flamengo magoado que transtorna a todos. A pergunta pode ser confundida com mil respostas, pois é complexa, multifacetada. Assim como o rosto de milhões de rubro-negros espalhados pelo país.

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Arthur Maia tenta jogada. Setor criativo do time mais uma vez não existiu (Foto: Site Oficial)

PRIMEIRO TEMPO


O primeiro tempo do Clássico dos Milhões foi marcado pelo equilíbrio. Os dois times alternaram bons e maus momentos e terminaram com o mesmo número de finalização 5 a 5. A equipe cruz-maltina obteve suas melhores jogadas explorando as bolas áreas, principal fragilidade do time rubro-negro.

O Vasco começou melhor, rondando a área do Mengão. Aos 5’ Marcinho cobrou escanteio, Luan tocou na bola pra dentro da pequena área e Júlio dos Santos, livre de marcação cabeceou por sobre a meta do nosso goleirão Paulo Victor. O Flamengo cedia espaço. Bressan se enrolou e recuou uma bola na fogueira pro Paulo Victor. A torcida via um time novamente nervoso em campo.

O Flamengo cometia faltas desnecessárias. Jonas por pouco não recebeu o cartão amarelo, pois cometeu cinco faltas na primeira etapa.

Só com 17’ de bola rolando que o Fla assustou o time de São Januário. Bola cumprida pra Cirino, Luan recuou pro seu goleiro e quase entregou. No minuto seguinte Luiz Antônio cruzou para grande área, Alecsandro ajeitou pra Everton que chutou por cima da trave. O Flamengo chegava com perigo.

O domínio do Vasco era parcial, o clima tenso fez com que Marcinho e Guiñazu discutissem em campo. Gilberto em uma jogada sem bola, na maldade, atingiu por trás Anderson Pico e recebeu o cartão amarelo. Em uma das poucas vezes que participou do jogo, Cirino fez um lançamento pro Everton que chegava pela ponta esquerda, cruzou pra grande área, mas não conseguiu encontrar Alecsandro.

Luiz Antônio, que no treinamento de ontem, foi o último a deixar o gramado -pois ficou treinando cobrança de falta com o auxiliar técnico Jayme de Almeida – não decepcionou. O camisa 15 cobrou bem. A torcida chegou a tirar de gol da garganta, mas a bola acertou a rede pelo lado de fora.

Martín Silva mostrou porque é o goleiro titular da seleção uruguaia. Numa jogada sensacional de Everton que ganhou de Madson e arrancou pela ponta esquerda, cruzou para Alecsandro e este antecipou a Rodrigo e mandou um chute à queima roupa, obrigando o Martín Silva a fazer boa defesa.

O clima do jogo esquentou. E num lance bastante parecido com o de Jonas no último domingo, Cristiano com o pé alto atingiu as costas de Anderson Pico.  O lateral adversário recebeu apenas amarelo. Quem condenou o volante do Flamengo na semana passada não pode absolver o vascaíno.

SEGUNDO TEMPO

Flamengo e Vasco voltaram para o segundo tempo com alterações. Vanderlei Luxemburgo trocou Luiz Antônio por Arthur Maia. Doriva tirou Marcinho para a entrada de Dagoberto. Precisando da vitória para chegar à final, o Vasco continuou comandando as ações. Logo no início, Pará foi derrubado dentro da área, lance polêmico. Reclamação de lá, reclamação de cá.

Logo em seguida, Paulo Victor agarrou uma bola chutada por um pereba vascaíno qualquer: Os jogadores do Vasco, totalmente destemperados, pressionaram a arbitragem reclamando que a bola teria entrada. Não entrou. Jogo que segue, o domínio cruz-maltino era territorial.

Chegamos ao lance capital da partida. Serginho aproveitou a falha de Márcio Araújo no meio – erro de passe banal – e tabelou com Rafael Silva até chegar a grande área e se chocar com Wallace num lance ABSOLUTAMENTE NORMAL mas que o juiz Rodrigo Nunes de Sá considerou como falta. Pênalti marcado e convertido por Gilberto para o Vasco. Na sequência , o atacante que já tinha cartão amarelo, foi até a escadinha do muro que separa o campo das arquibancadas comemorar com sua torcida. O árbitro ignorou a infração e não expulsou o jogador. A “escadinha” é considerada como alambrado.

O Mais Querido que até então se encontrava numa situação confortável no jogo foi obrigado a partir pra cima do rival, pois o empate o levaria para a decisão. Porém o gol desestabilizou o time da Gávea que não conseguiu se encontrar em campo. Totalmente desesperado, Vanderlei Luxemburgo trocou Cirino e Everton por Eduardo da Silva e Gabriel respectivamente. As alterações não surtiram efeito algum.

Com a vantagem no placar o contra-ataque pertencia ao Vasco que recuou mas não sofreu pressão alguma. Na sua única jogada perigosa na partida Arthur Maia achou Gabriel que dentro da área bateu em cima do goleiro Santo que operou mais um milagre na tarde deste domingo. Nos minutos finais o jogo voltou a ficar equilibrado. O Fla chegava no desespero e o Vasco se defendia sem grandes sustos. Estava mais para sofrermos o segundo do que fazermos o gol de empate e da classificação.

Em silêncio, a torcida do Flamengo acusou o golpe. Não restava mais nada a se fazer.

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Flamengo não demonstrou padrão tático neste domingo. Luxemburgo mexeu mal. (Foto: Site Oficial)

FICHA TÉCNICA

Flamengo 0 x 1 Vasco

Flamengo: 48-Paulo Victor, 21-Pará, 3-Bressan,1 4-Wallace, 6-Anderson Pico, 8-Márcio Araújo, 18-Jonas, 15-Luiz Antônio (10-Arthur Maia), 22-Everton (17-Gabriel), 9-Alecsandro e 7- Marcelo Cirino (23- Eduardo). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Vasco: 1-Martín Silva, 2-Mádson, 4-Luan, 3-Rodrigo, 6-Cristiano, 5-Guiñazu, 8-Serginho, 7- Júlio dos Santos, 10-Marcinho (16-Dagoberto), 11- Rafael Silva (15-Bernardo) e 9- Gilberto (14-Lucas). Técnico: Doriva

 

Arbitragem: Rodrigo Nunes de Sá, Rodrigo Figueiredo Corrêa, Rodrigo Pereira

Cartões amarelos: FLA : Pará, Bressan, Wallace e Eduardo da Silva. VAS: Guiñazu, Gilberto, Cristiano, Júlio dos Santos, Dagoberto, Rafael Silva e Martín Silva

 

Cartões vermelhos: Não houve

Local: Maracanã

Horário: 16H

Renda: 2.420.610

Público Pagante: 48.221

Público Presente: 53.134