A paralisação do Campeonato Brasileiro trouxe tempo para treinar, os jogadores tiveram dois dias de folga e depois passaram a trabalhar em função do Figueirense e até usaram o amistoso para testar o time que iria a campo. E, assim como o time que enfrentou a Desportiva, o time que entrou em campo ontem contra o Figueirense não foi sombra do que deveria ser um time vestido com o manto rubro-negro.

A escalação inicial só teve alterações nas laterais: Paulo Victor – Pará, César Martins, Samir, Éverton – Canteros, Márcio Araújo – Paulinho, Alan Patrick, Emerson – Kayke.

Vejam bem, como podemos esperar algo diferente de um time praticamente idêntico ao que andou fazendo péssimos jogos? Não se mudam peças-chave ou esquema de jogo, nem mesmo a lógica e momentos de substituição, simplesmente não dá para esperar resultados diferentes quando se faz as mesmas coisas, isso é uma lógica primaria.

Querem um exemplo? O primeiro gol do Figueirense teve o seguinte roteiro:

Foto: Charles Guerra

Cena 1: Éverton cobrou apressadamente um lateral para Márcio Araújo, que tinha 2 jogadores adversário perto de si. Alan Patrick, Canteros, César Martins e Samir estavam marcados, o único livre era Pará do outro lado do campo.

Cena 2: Márcio Araújo passa a bola de qualquer jeito num ponto exatamente entre Canteros e César Martins, sendo o volante o único a ir na bola. A corrida acaba com um escorregão que faz a bola bater no próprio jogador e espirrar entre os zagueiros.

Cena 3: Samir não reage a tempo de evitar que seu marcador toque a bola para o jogador que marcava o caído Canteros.

Cena 4: O jogador com a bola, ao receber o bote de Samir, passa a bola para quem havia lhe passado. Éverton, que estava perto, não encostou para marcar, Márcio Araújo que fez a lambança inicial fica trotando no meio campo e não chega junto a Éverton para marcar Clayton que antes estava caído e termina fazendo um gol.

Para coroar a falha coletiva da defesa, a falha de Paulo Victor culminando no gol. Mas como eleger um culpado, quando desde o primeiro momento houve jogadores ou tomando decisões erradas ou errando suas ações?

E o lance do gol não foi isolado. O Flamengo entrou em campo posicionado atrás, esperando uma chance de contra-atacar, mas dava muito espaço, não conseguia estar compacto atrás, toda hora alguém passava pela avenida Éverton, que não tinha qualquer cobertura, já que Márcio Araújo estava muito ocupado fazendo o que não devia para proteger a zaga ou cobrir o lateral. Havia buracos no sistema defensivo como um todo, que deveria estar composto pelos 10 jogadores de linha, por isso o Figueirense dominou completamente o início de jogo até abrir o placar aos 22 do 1° tempo.

Depois disso, o Figueirense passou a ficar numa postura defensiva esperando o Flamengo se expor para contra-atacar. Só que o Flamengo, como temos visto em vários jogos, não tem uma boa saída de bola, perdia tempo demais trocando passes entre os defensores, Alan Patrick que deveria recuar para tentar sair e armar o jogo com Canteros, se esconde o tempo todo.

Emerson movia-se erraticamente, hora tentando ir pro meio fazer o que Alan Patrick deveria estar fazendo e deixava Éverton sem ajuda na marcação, hora se movia para abrir a marcação do Figueirense para Kayke e Paulinho entrarem na área, mas Kayke acaba tendo que recuar pra ajudar na marcação, enquanto Paulinho mal parecia estar em campo.

O Flamengo chegou a ter 70% da posse de bola, terminou com 62,7% e, ainda assim, não conseguiu ter o controle da partida. Para terem uma ideia, se somarmos os passes certos de Paulinho e Sheik, ainda temos um número inferior ao número de passes certos de qualquer jogador da defesa. Poucas jogadas de perigo foram criadas, talvez o destaque tenham sido 3 cruzamentos, 2 de Canteros e 1 de Pará, todos desperdiçados.

O Figueirense terminou o jogo com 32,7% da posse de bola, mas das 14 finalizações acertou 7 na direção do gol, o Flamengo conseguiu apenas 3 de 11 e ainda assim Muralha só fez 1 defesa difícil. Números absolutamente ridículos e que mostram que o Figueirense simplesmente humilhou o Flamengo.

Agora eu pergunto a vocês, como um treinador, com tempo para treinar, arma o Flamengo para jogar se defendendo, jogando por uma bola, contra o Figueirense que só havia vencido em casa 5 vezes no campeonato, sendo a última contra o Sport em 23/08!? Não era o Atlético-MG no Independência, era o Figueirense no Scarpelli.

Não esqueçamos também que o Flamengo, por ter sido eliminado pelo Vasco da Copa do Brasil, não tem os meios de semana ocupados como outros times e, portanto, mais tempo para treinar. E como isso se traduz em campo? Não há jogadas ensaiadas, não há variação tática, os jogadores não sabem o que fazer com a bola, tem jogadores que se acham craques passeando em campo e não dando a mínima para as derrotas e não saem do time, simplesmente não vemos jogadores terem chance no time desde que Oswaldo fechou seus 11, coincidentemente o mesmo momento em que o time parou de vencer.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Então, com o time perdendo e cheio de problemas em campo Oswaldo nada faz. Não muda o posicionamento de ninguém no campo, nem durante as pausas pra atendimento, nem no intervalo, espera o time levar o 2° gol aos 21 minutos do 2° tempo para mexer e aí tira Emerson e Paulinho para pôr Gabriel e Almir… ALMIR! Ah, sim, não esqueçamos também de Matheus Sávio que entrou no lugar de Canteros quase aos 38 minutos do 2° tempo, tempo o suficiente para mudar algo, não?

Esse time que desonra o manto rubro-negro está longe de atender aos lemas Raça, Amor e Paixão e muito menos ao Vencer, Vencer, Vencer. A exceção de poucos, não dão a mínima para perder, não jogam com raça, só amam o dinheiro que cai pontualmente em suas contas, sequer parecem gostar de futebol. Como time e treinador podem ser tão apáticos, tão sem iniciativa, tão passivos, como podem ser o total oposto de tudo o que aprendemos ser o Flamengo?

E sabem o que é pior em tudo isso? Nada disso é novidade nessa administração, ao menos em 2013 havia gana, houve aquele momento em que todos se uniram em torno do objetivo de jogar na cara de Mano Menezes e da imprensa que o Flamengo deveria ser respeitado, não havia superioridade técnica ou tática, mas ao menos tinham compromisso com a vitória! De lá para cá o que mudou? Bandeira de Mello continua presidente, Jayme está na beira de campo só que como auxiliar, temos um treinador novo e medíocre a cada 3 meses.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Como esperar que o Flamengo deixe de ter uma boa base e um plantel caro, que não dá resultados da mesma proporção, se o diretor de futebol está negociando renovar com Márcio Araújo, dar aumento a Emerson, entre tantos outros absurdos como o discurso de Bandeira pró-manutenção de Oswaldo, o treinador que não muda nunca e não tem a mínima capacidade de leitura de jogo?

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

A exceção da torcida, que sempre comparece e dá show, apoia o time, consome Flamengo o tempo todo, fala em título na vitória e fica sem dormir na derrota, todo o resto parece ser o anti-Flamengo, algo completamente oposto a tudo o que aprendemos a amar e, ao mesmo tempo, o que aprendemos a aceitar após os 3 anos de campanhas patéticas no Campeonato Brasileiro.

Saudações Rubro-Negras

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Nayra M. Vieira faz parte da equipe MRN Informação.

 

 

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