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Thauan Rocha | Twitter @Thauan_R e @flaimparcial Facebook: Flamenguista Imparcial

Sempre que tem jogo do Flamengo fora do RJ, vejo alguns reclamarem do péssimo tratamento dado aos rubro-negros visitantes. Pensando nisso, resolvi convidar Julio Hofacker James (@JulioJamesJJ), que mora em SP e já frequentou jogos do Flamengo em diversos Estados, para relatar suas experiências. Então, confiram a baixo o texto desse RN.


 

Caros Thauan, do Blog Fla Imparcial, e amigos do Mundo Rubro Negro,

Agradeço ao convite para falar a respeito da questão do tratamento da torcida do Flamengo na condição de visitante.

Frequento jogos do Flamengo como visitante desde 1995, quando eu e meu pai saímos de carro do Rio para acompanharmos Flamengo x Cruzeiro pela semifinal da Supercopa. O jogo foi no dia do centenário do Flamengo. Ganhamos de 1 x 0 e fomos muito bem recebidos pela torcida do Cruzeiro que chegou a abrir uma Bandeira do Flamengo na Arquibancada e ainda cantou ‘Parabéns pra Você’.

Desde então, já frequentei Morumbi, Pacaembu, Parque Antártica, Vila Belmiro, Moisés Lucarelli, Barueri, Canindé, etc. Em 2007, quando passei a morar em São Paulo a realidade de torcedor visitante ficou mais frequente e pude notar uma outra questão: Se o tratamento é ruim pro torcedor do Flamengo que viaja pra ver o time jogando fora de casa, tenha certeza de que é ainda pior para o torcedor rubro-negro que mora na cidade onde o jogo será realizado.

O Rubro Negro que mora na cidade ou que não vai em ônibus de Torcida Organizada ou excursão do Clube não conta com escolta da polícia para jogos e tempos atrás tinha muitas dificuldades pra conseguir ingressos.

Não foram poucas as vezes em que tive de comprar ingressos com cambistas para assistir ao jogo do Flamengo em São Paulo.

  • Em 2010, pelas Oitavas de Final da Libertadores, os ingressos foram vendidos somente no Rio e os torcedores de São Paulo tiveram de comprar ingressos fora dos pontos oficiais de venda;
  • Até 2012, nos jogos no Pacaembu, boa parte dos ingressos em bilheteria eram adquiridos antecipadamente por cambistas e outra parte destinadas às Torcidas Organizada do clube. Em várias oportunidades comprei ingressos com cambista que era de titularidade de uma determinada torcida organizada do Flamengo.

Os problemas não param por aí. A localização da torcida também é ruim. No antigo Parque Antártica a torcida ficava na arquibancada já depois do campo, com vista para as piscinas e assistia ao jogo praticamente de lado. O efeito no Pacaembu é o mesmo, mas com menos intensidade. No Morumbi, atualmente, ficamos na arquibancada vermelha superior, muito longe do campo. Na Vila Belmiro um espaço mínimo atrás do gol para menos de 500 torcedores.

Há ainda a questão da violência de algumas torcidas. Flamengo x Palmeiras é quase um guerra! Já tive que fugir de garrafadas por parte da torcida alviverde. Ir com a camisa do Flamengo nesses jogos é quase impossível.

Em 2007,  em um Flamengo x Corinthians, no Morumbi, aconteceu algo surreal e inaceitável: as Torcidas Organizadas do Flamengo brigaram entre si e se uniram às dos adversários. A Raça com a Camisa 12 (Corinthians) e a Torcida Jovem com a Independente (São Paulo) – que foi ao estádio só pra arrumar confusão…

Tirando os jogos contra a Portuguesa, Barueri e São Paulo, os jogos fora de casa são caros para o torcedor rubro-negro. Em geral se aproveitam da assiduidade da torcida flamenguista para cobrarem preços mais altos nos ingressos. Recentemente contra a Ponte Preta, o ingresso para o torcedor do Flamengo foi de R$ 80,00. Contra o Palmeiras, jogo em que não pude ir por conta da mudança de horário, foi R$ 140,00.

Expostas estas exemplificações, entendo que, fundamentalmente, temos algumas questões a serem resolvidas nos jogos fora-de-casa. E até aponto algumas soluções:

  • Venda de Ingressos – Possibilitar a venda pela internet para os Sócios-Torcedores e em pontos físicos no Rio e na cidade do jogo para quem não for Sócio-Torcedor;
  • Carga de Ingressos – Exigir o cumprimento mínimo do Regulamento do Campeonato, 10% da carga. Caso não seja possível, atuar com reciprocidade e no jogo em casa disponibilizar a mesma carga de ingressos;
  • Localização da Torcida – Exigir um setor aceitável para a alocação dos rubro-negros. Havendo impossibilidade, alocar a torcida visitante na parte mais superior do Setor Sul do Maraca, de forma a ficar mais distante do campo;
  • Preço dos Ingressos – Constantemente o torcedor do Flamengo paga mais caro pelo ingresso do que o torcedor local. A reciprocidade deve ser adotada. Há uma desculpa de que o ingresso é precificado por setor e no caso seria todo o setor sul. Eu sugiro uma simples mudança de nome e criação de um setor “Sudoeste” de forma a permitir a precificação diferente. Além disso, podem ser testadas promoções que já funcionam no basquete como preço diferenciado pra quem for com a camisa do Flamengo, por exemplo;
  • Setor Misto – Infelizmente, em nenhum outro estádio do Brasil existe o setor Misto. O que é uma pena. Entendo que no Maracanã, exceto nos jogos contra equipes do Rio de Janeiro, o setor misto deve ser abolido. A justificativa é simples, com o setor misto não há como limitar a venda de ingressos para o torcedor visitante. Lógico que existem exceções e entendo que o Setor Misto deve ser respeitado nos jogos com adversários que ajam da mesma forma conosco. Mais uma vez entra a questão da reciprocidade.

Espero não ter me estendido muito. Saudações Rubro-Negras!

 

Também quero destacar o relato da Thais Basseti (@thaisbapm) numa conversa no Twitter sobre o último jogo contra o Palmeiras:

Por ordem da polícia paulista, os ingressos para visitantes são vendidos apenas no dia do jogo. No último jogo contra o Palmeiras, eles só começaram a ser vendidos pouco tempo antes do jogo começar, sendo que 1h antes do início os PMs já queriam que os rubro-negros estivessem dentro do estádio, mesmo com filas enormes nas bilheterias.  Ao fim do jogo, a torcida flamenguista teve que esperar 40 minutos para ser escoltada por apenas um quarteirão e depois… dar de cara com a Mancha Verde logo em seguida!!! As escoltas das TOs são feitas bem próximo dos estádios, mas no RJ ela começa a ser realizada na Dutra.

 

Opinião do Blog:

Claro que os times não podem ser responsáveis pela segurança fora do estádio, mas é dever do clube e torcida exigir proteção policial em locais públicos que concentrem grande quantidade de pessoas, principalmente quando esses encontros tem potencial para gerar violência.

Já na parte de responsabilidade dos clubes, independente de quem é o adversário, o cliente deve ser bem tratado. Porém, esse é um mercado um pouco diferente. O cliente do meu concorrente também é meu cliente em algumas oportunidades, e vice-versa. Sendo assim, devemos tratá-los bem e exigir tratamento igual. Se não o fazem, primeiro deve ser usada a diplomacia. Caso não tenha solução, é preciso dar o mesmo tratamento a eles (ou até pior) até que uma medida seja tomada. Olho por olho, dente por dente.

 

SRN!

Veja também:

Wesley Kovic: As aventuras (e desventuras) de um rubro-negro paulista


Respeito é bom e o torcedor gosta, Flamengo!

 

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