Analise

Na quinta-feira, quando Zé Ricardo foi anunciado como treinador interino do profissional, este estava voltando para o Rio de Janeiro após estar com o sub-20 em jogo pelo Campeonato Brasileiro da categoria. Com praticamente um dia de treino, Zé Ricardo só pôde mesmo conversar com os jogadores e fazer uma pequena atividade. Assim, ainda mantendo a estrutura que vinha sendo trabalhada, foi a Campinas buscar a vitória.

Como Paulo Victor e Sheik foram tirados do jogo por sentirem um problema físico, Zé Ricardo mexeu nestas posições e na de Éverton, expulso no último jogo, levando a campo: Alex – Rodinei, Léo Duarte, César Martins, Jorge – William Arão, Márcio Araújo, Alan Patrick – Cirino, Vizeu, Fernandinho.

Entendo a escalação

Com o 4-3-3 posto e sem tempo para trabalhar outra formação, Zé Ricardo optou por uma escalação conservadora. No lugar de Éverton colocou Fernandinho, o único atacante de lado disponível, ao invés de “improvisar” os meias Ederson e Mancuello. Cuéllar, que voltava de lesão, ficou no banco para ser poupado, assim manteve-se Márcio Araújo entre os titulares. E no lugar de Paulo Victor, vimos Muralha com Thiago de opção e não Daniel.

É importante registrar que nada indica que esta escalação seja definitiva, pelo contrário. Conforme Zé Ricardo for treinando a equipe, mais ele conhecerá os jogadores, suas características e então poderá mudar do esquema tático à escalação, principalmente se não houver alguma imposição do departamento de futebol quanto ao 4-3-3.


Primeiro tempo ruim, com equilíbrio no fim

O início do jogo foi complicado, a Ponte Preta estava disposta a pressionar e o Flamengo dava espaços. O meio-campo novamente não funcionava, Arão parecia um tanto perdido quanto ao posicionamento, nitidamente orientado a não subir muito, já Alan Patrick começou muito apático, praticamente nulo.

Márcio Araújo, como sempre, desfilou sua arte de não se expor e assim se poupar de críticas. Não entendo como um jogador com tantos anos de carreira pode se mover tão mal pelo campo, estivesse o Flamengo com ou sem a bola. Não era difícil vê-lo marcando a bola e não os adversários, o que o fazia sempre correr atrás e deixar Jorge na roubada contra 2 adversários. Quando o Flamengo tinha a bola pouco se movia para receber e, quando ainda assim recebia a bola, tocava para trás e pros lados, o que provocou uma série de chutões para o ataque.

Aos 12 minutos, após cobrança de escanteio, Wellington Paulista – sim, aquele anão – abriu o placar ao cabecear entre Jorge e Vizeu. Mas a culpa não foi deles, assim como nos lances anteriores e seguintes de bola alçada na área não foram culpa dos jogadores e sim do sistema equivocado e confuso de marcação na bola aérea. Definitivamente o novo treinador precisa colocar marcação individual nesses lances e trabalhar muito para não ser mais um ponto fraco.

20160529130544_700Zé Ricardo, que ficou praticamente todo o jogo na área técnica orientando o time, tal qual faz no juniores, conseguiu manter o time calmo e focado no jogo. Incentivou os jogadores a sair com a bola no chão, buscar os lances sem se precipitar. E o time não se perdeu, ainda oscilou, mas conseguiu aos poucos ir equilibrando o jogo e criando uma ou outra chance.

O gol de empate veio numa cobrança de falta de Alan Patrick, que Felipe Azevedo desviou pro gol. Assim como no gol de Wellington Paulista, Daronco viu o bandeira marcar impedimento, mas confirmou o gol ao apontar que foi contra e, no primeiro gol, ao confirmar Wellington Paulista como autor e não o jogador que estava impedido e de fato não havia tocado na bola.

O lado direito produzia pouco, muito em parte pela inutilidade de Cirino em campo. Já na esquerda, Fernandinho fazia uma partida razoável e conseguia trocar mais com Jorge, que teve mais liberdade para avançar com Zé Ricardo. E, após uma cobrança de escanteio que o goleiro afastou, Jorge pegou o rebote na meia lua e encheu o pé para fazer o gol de desempate aos 42 do 1° tempo.

Mesmo com um a menos, o Flamengo se segura bem

Na volta para o 2° tempo, a Ponte Preta fez duas trocas e Zé Ricardo não mexeu no time, tentando organizar o time apenas com sua orientação no intervalo. O time da casa recuperou o domínio do jogo e Léo Duarte começou a se sobressair, mostrando-se muito seguro e arrumando a “bagunça” deixada por Rodinei e Arão, que continuavam se posicionando mal.

Irritado com a ineficiência do ataque, Zé Ricardo apareceu voltando de semblante fechado para o banco, onde conversou com os auxiliares antes de chamar Gabriel. A surpresa foi ver que o escolhido para sair não fora Cirino e sim Felipe Vizeu, que mal havia tocado na bola, já que o Flamengo não conseguia criar boas chances no ataque.

Aos 13 minutos, com a entrada de Gabriel, Cirino foi para a referência. A proposta de jogo era clara, já que o time não conseguia criar boas jogadas de ataque, se fecharia mais atrás e sairia em velocidade pro contra-ataque com Gabriel e Cirino. O que ninguém esperava ver, era Fernandinho, que já vinha fazendo faltas duras, tomar o 2° amarelo apenas 4 minutos depois.

Fotos: Rodrigo Coca

Fotos: Rodrigo Coca

A expulsão de Fernandinho, que até atuava razoavelmente bem, se deu pela ausência de boa marcação na direita. Pouco depois da metade do 1° tempo, Zé Ricardo havia invertido Fernandinho e Cirino para reforçar a marcação lá, onde a Ponte Preta atacava com mais facilidade, o que fez Jorge tomar um pouco mais de sufoco com Cirino não marcando e Márcio Araújo sempre atrasado. No 2° tempo, com lados invertidos, Fernandinho continuou estabanado mesmo após levar o amarelo, cometendo faltas duras, assim o 2° amarelo não foi injusto.

E, para reorganizar o time, Zé Ricardo fez mais uma substituição 5 minutos depois, tirando Alan Patrick e colocando Cuéllar. Houve gritaria da torcida nas redes sociais dado que Cirino continuava mal em campo e Alan Patrick era o único que tentava organizar, apesar da falta de inspiração e efetividade, mas naquela altura do jogo, tendo a vitória e um jogador a menos, a opção foi por fechar o meio-campo e deixar Cirino para puxar contra-ataque.

O 4-4-1 instaurado teve na 2ª linha Arão, Cuéllar, Márcio Araújo e Gabriel, o que fez o rendimento de Arão melhorar muito. Mais eficaz na marcação e tendo liberdade para subir nos contra-ataques, apesar de serem raros, Arão mostrou que poderia atuar naquela posição em um eventual 4-1-4-1. Cuéllar continuou sendo um monstro na defesa e até chegou a se aventurar num contra-ataque no finalzinho do jogo, mas o importante é que conferiu maior segurança num setor em que Rodinei não consegue proteger.

Apesar da boa organização, a Ponte Preta ainda amassou o Flamengo, que mal conseguia passar do seu campo. Aos 31 minutos do 2° tempo, Ederson entrou no lugar de Cirino e conseguiu segurar um pouco mais a bola na frente, mas ainda assim sem conseguir levar perigo. Já a defesa do Flamengo sofria com a pressão alvinegra, Márcio Araújo deixava um rombo no meio e César Martins por vezes foi muito inseguro, obrigando a Léo Duarte dar 120% para além de executar sua função, cobrir Rodinei e César Martins.

Alex Muralha, que muitos pediam no lugar de Paulo Victor, foi muito seguro durante todo o jogo, apesar de ter começado a ser mais exigido apenas após a expulsão. Fez defesas importantes, principalmente no fim do jogo onde evitou o empate ao tirar uma bola que entrava no canto inferior direito, algo que poucas vezes vimos Paulo Victor conseguir fazer, apesar da boa atuação deste nos últimos dois jogos.

Quem termina em alta e em baixa?

Zé Ricardo pode por prudência continuar sem fazer mudanças drásticas na equipe, mas já pôde ver que o 4-3-3 dificilmente poderia ser implementado com os atacantes de lado que o plantel tem. A alternativa do 4-2-3-1 com a opção por meias ofensivos abertos passa a ficar mais clara, apesar de eu ainda preferir o 4-1-4-1 que ele usou na Copinha.

Márcio Araújo, Cirino e Fernandinho dificilmente merecem continuar no time. Arão e Alan Patrick deverão receber atenção especial no posicionamento e na movimentação em campo, ao menos por enquanto, a tendência é que Zé Ricardo tente recuperá-los ao invés de pedir uma nova função.

Cuéllar deve voltar ao time, foi bem hoje e deve ser avaliado pelo departamento médico para um ok. Não vejo como Mancuello possa não ganhar uma chance atuando aberto na esquerda, já na direita Ederson e Gabriel disputariam a vaga.

Resta saber se Paulo Victor estará recuperado até quinta-feira para enfrentar o Vitória. Nitidamente Alex fez uma partida que, por mérito, deveria garantir sua permanência em campo, mas por outro lado Paulo Victor é um líder neste elenco e não é tão simples barrá-lo.

Saudações Rubro-Negras