Analise

O resultado do jogo contra o Vasco pode ser considerado bom, já que manteve o Flamengo vivo no Campeonato Carioca.

Mas esportivamente só não foi ruim porque os jogadores ao menos mostraram garra, vontade de vencer.

Assim como o Vasco, o Botafogo é um time arrumado e tem um jogo coletivo forte o suficiente para compensar o plantel limitado. Já o Flamengo tem um bom plantel limitado pelo time fraco, desorganizado, mal escalado e ainda prejudicado por substituições ruins.

A sorte começou a pintar quando Emerson Sheik teve que ser poupado por cansaço e Muricy – resistente em usar Ederson aberto – resolveu testar o 4-4-2 com o meio em quadrado, empurrando Cirino para o ataque.

Escalação: Paulo Victor – Rodinei, Wallace, Juan, Jorge – William Arão, Cuéllar, Ederson, Alan Patrick – Marcelo Cirino e Guerrero

Meias fazem um 1° tempo promissor


O 4-4-2 teve como ponto positivo acrescentar um meio mais dinâmico, segurando Arão atrás e deixando Cirino mais livre para flutuar. Não que a fluidez vista não possa ser alcançada no 4-1-4-1, mas precisa de treino, disciplina tática e jogadores mais comprometidos com a marcação.

De cara, os meias Ederson e Alan Patrick se sobressaíram, fazendo Jefferson aparecer e sua primeira grande defesa foi emblemática sobre a participação deles. Alan Patrick cobrou o escanteio na segunda trave e Ederson cabeceou com precisão, mas Jefferson estava atento e saiu muito bem.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Alan Patrick se firmou como o cara das bolas paradas. Cobrava escanteios de ambos os lados e faltas, mas pouco se movimentava em campo e participava apenas quando alguém o acionava, também não criou muito e tão pouco ajudou na marcação. E foi nessa sua aparente displicência, quando via a jogada se desenvolver na direita, que a sorte lhe favoreceu. Rodinei cruzou para a área, a defesa tirou e a bola parou redonda no pé bom de Alan Patrick, que livre bateu forte e acertou o ângulo, indefensável para Jefferson.

Já Ederson era o oposto de Alan Patrick. Correu por ele e pelo companheiro de meio, parecia estar em todos os lados do meio-campo, armou boa parte das jogadas de maior perigo, finalizou algumas vezes, sendo tão perigoso com a bola rolando quanto Alan Patrick com a bola parada. Além disso, contribuiu como pôde com a defesa ajudando na marcação.

Falhas defensivas assombram o Flamengo

O Botafogo se colocava defensivamente em campo, tentava reduzir os espaços e, até por isso, os ataques do Flamengo geralmente eram bloqueados pela marcação, o que gerou um bom número de escanteios e algumas faltas. Dificilmente os atacantes tinham liberdade e, quando tiveram por duas vezes, Cirino e Guerrero perderam a chance.

Já a defesa do Flamengo seguia desarrumada, problemática, dando espaços quando não deveria, principalmente pela direita onde Rodinei permanece como uma avenida. Os ataques alvinegros eram geralmente velozes, a defesa quando tinha sorte estava com o mesmo número de jogadores ou mais, Cuéllar e Arão tiveram enorme trabalho, Wallace foi um dos que mais desarmou no jogo.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Paulo Victor, que defendeu muito contra o Vasco, foi muito mal hoje, principalmente nas bolas aéreas. O gol que abriu o placar surge em um escanteio onde “caçou borboletas” ao ver a bola passar na pequena área, a defesa não estava bem posicionada e Joel marcou. No segundo gol alvinegro, já no 2° tempo, foi até bem ao defender o pênalti e o rebote, mas aí a defesa não acompanhou os jogadores do Botafogo, que novamente ficou à frente no placar.

Muricy faz o que pode para prejudicar o time

Novamente o jogo começou com um banco mal escalado. Para que levar três atacantes para o banco? Além de Vizeu, Sheik e Gabriel estavam no banco, além do sempre presente Márcio Araújo, enquanto o versátil e tecnicamente qualificado Canteros não foi para o jogo.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Então, na falta de um meia para substituir Ederson, que havia sofrido uma pancada e seria poupado, Muricy escolheu Sheik – sim, o jogador que mais errou passes no último mês e um dos que menos marca – voltando ao antigo e questionado 4-3-3. A nova formação foi menos eficiente e facilmente dominada pelo Botafogo, que encontrou mais espaços e chegou ao 2° gol, ficando à frente no placar.

Talvez no único erro do jogo, o Botafogo se encolheu para segurar o resultado e isso fez o Flamengo crescer. O time pressionava o alvinegro em busca do empate, mas pouco conseguia de fato criar. A melhor chance até então fora um ótimo passe de Alan Patrick (única boa jogada dele no 2° tempo) deixando Cirino penetrar livre na área, mas este perdeu o gol.

A sorte novamente passa o pé em Muricy

Com mais posse de bola e preso na defesa eficiente do Botafogo, ainda sujeito a contra-ataques pontuais, o Flamengo parecia que perderia. Mas eis que Alan Patrick pede para sair alegando cansaço e, sem outras opções, Muricy coloca Gabriel, que vinha entrando muito bem nos jogos, fazendo ótima temporada.

O baiano ainda perseguido pela torcida, mas voando graças ao ótimo trabalho da preparação física, vem desenvolvendo um importante papel tático e técnico no time. Hoje mudou o jogo dando não só mais velocidade, como mobilidade, alterando a dinâmica do time e fazendo boas jogadas de ataque surgirem. Inclusive, não há exagero ao dizer que foi Gabriel que decidiu o jogo ao fazer um cruzamento preciso na cabeça de Cirino, que na pequena área apenas desviou para as redes empatando o jogo.

Briga esquenta por vaga no meio campo

Mancuello voltou a treinar com bola e se espera que ele jogue o próximo jogo. Muricy praticamente garantiu Alan Patrick na próxima partida em sua coletiva pós-clássico. Como Ederson saiu para ser poupado, pode ser que o Flamengo comece com Alan Patrick na armação e depois Mancuello entre no decorrer da partida, invertendo a situação no jogo seguinte.

O desempenho dos meias até aqui mostra que Ederson é importante para o time, mas joga melhor aberto e não no meio. A retomada do 4-1-4-1 com o Ederson aberto na esquerda e o Mancuello ao seu lado parece a melhor possível, sobrando para Alan Patrick ser o reserva natural do argentino, que é disparado o melhor jogador ofensivo do Flamengo na temporada. Isso faria com que Sheik e Cirino brigassem pela posição de meia aberto na direita, apesar do desempenho de Gabriel ser muito melhor que o deles nessa posição.

Saudações Rubro-Negras