Análise

Zé Ricardo tinha um grande desafio pela frente contra o São Paulo, o confronto direto podia garantir o time no G4. Repetindo a escalação do último jogo, chegou a estar com um jogador a mais por mais de 20 minutos e terminou apenas com o empate, ficando atrás do São Paulo na tabela.



Com a volta de Sheik no banco, Zé Ricardo levou a campo o Flamengo com Alex – Rodinei, Réver, Vaz, Jorge – William Arão, Márcio Araújo – Cirino, Alan Patrick, Éverton – Felipe Vizeu.

Evoluções perceptíveis

Os jogadores estão melhor posicionados em campo, agora é possível ver nitidamente a organização tática e suas variações em campo. Também é possível notar compactação defensiva e alguma ofensiva. Com destaque para o espaço ocupado por Arão e por Rodinei, um pouco mais recuados e presos atrás, apesar de ainda terem problemas de movimentação a serem corrigidos.

Os jogadores estão melhor entrosados dentro do padrão de jogo do Zé Ricardo e conseguem desenvolver melhor suas características e individualidades, principalmente quando há espaço como hoje. O São Paulo tinha uma formação ofensiva que não procurava marcar a saída de bola e por vezes deixava a zaga exposta pelo posicionamento adiantado de alguns jogadores de meio.

Como sempre acontece, Arão e Alan Patrick acabam sobressaindo quando há espaço pela qualidade com que conduzem a bola. Cirino e Éverton apareceram bem nos contra-ataques graças a sua força e velocidade, chegando rapidamente ao último terço do campo. E os jogadores perderam um pouco o medo de chutar, porém ainda o fazem exageradamente de fora da área.

Vícios que atrapalham

O Chile não goleou o México por acaso. Quem viu o jogo observou que os 2 volantes saíam rapidamente com a bola, seja com passes agudos ou com lançamentos precisos. O São Paulo dava espaço para o meio do Flamengo fazer tal transição veloz, mas enquanto a seleção chilena tem Díaz, o rubro-negro tem Márcio Araújo.

A lentidão imutável da saída de bola é um problema que prejudicou muito o time no 1° tempo. No início do jogo o São Paulo pressionou e teve domínio do jogo por sufocar a saída de bola ineficiente do time, depois passaram a marcar apenas em seu campo, dando mais espaço para o Flamengo, que não aproveitava.

Márcio Araújo segue se escondendo na marcação e quando recebe a bola procura tocar para um dos zagueiros, nunca faz um passe agudo e muito menos dá velocidade ao jogo. Cúmplice desse aprisionamento da bola é Arão, que deveria auxiliar a transição e se coloca mais adiantado, na linha do Alan Patrick, o que é errado, ainda que seja melhor do que se posicionar como atacante como na época do Muricy.

O efeito colateral da ineficiência dos volantes em sua função fundamental é a armação ser feita pelos zagueiros, que frequentemente subiam para o ataque para distribuir passes, o que deixa a defesa exposta a contra-ataques, como o que gerou o primeiro gol.

Quando Ganso faz um lançamento espetacular para Calleri, posicionado no círculo central, Márcio Araújo era o último homem e, ao invés de olhar a bola para se posicionar, olha apenas o adversário e se move na direção dele para intercepta-lo. Calleri e Márcio Araújo se chocam e o jogador tricolor leva a melhor, partindo em velocidade até Muralha, tirando do goleiro e saindo para comemorar. Jorge foi o único a acelerar para tentar alcançar o atacante, os demais “corriam” olhando o árbitro e pedindo a marcação de impedimento ou falta.

Mobilidade ZERO

E quando por graça divina a bola conseguia alcançar o meio-campo do Flamengo a coisa não melhorava muito. No jogo contra o México, era comum ver os chilenos se movendo o tempo todo. Quando um recebia a bola, via o companheiro passando para receber, tocava e continuava o movimento para dar opção para receber de volta ou indo para a área finalizar. No Flamengo, só Jorge fez jogadas de ultrapassagem como a que gerou o gol de empate.

Jorge roubou a bola na intermediária do Flamengo e passou para Arão, centralizado, que viu Jorge disparar para receber e devolveu a bola. Jorge avançou pelo corredor e fez excelente passe para Éverton, que dentro da área chutou para a defesa do goleiro, que rebateu em cima de Rodrigo Caio e entrou.

Jorge ainda fez outras jogadas do tipo, algumas percebidas por Éverton e Alan Patrick, gerando bons ataques. Mas no restante do campo a imobilidade era a regra, os jogadores passavam a bola como quem diz: Se Vira! Não importa se o companheiro estava marcado por um, cercado por três, eles apenas ficavam esperando a meia distância que na individualidade o companheiro resolvesse e isso permitia ao São Paulo recuperar a bola em sua intermediária ou gerava chutes bizarros de longe e passes de qualquer jeito para quem estava na área tentar finalizar.

Num desses lances, Arão apertado pela marcação, sem ninguém se apresentando para receber, errou o passe. Ganso recebeu dando um drible humilhante em Márcio Araújo, abriu o jogo para o companheiro que construiu a jogada pela esquerda com a defesa aberta, voltando em velocidade. No cruzamento, Réver e Muralha falharam e Calleri subiu para colocar o São Paulo a frente no placar pela 2ª vez.

Alan Patrick não cria, se coloca como distribuidor

Muitos devem ter terminado o jogo elogiando a atuação de Alan Patrick, vários inclusive com elogios entusiasmados o chamando até de gênio, mas a verdade é que Alan Patrick anda devendo e muito no que deveria fazer por função como único armador do time.

Por mais que Cirino e Éverton ou seus substitutos estivessem na mesma linha que Alan Patrick, a função deles é de acelerar pelos lados ou ajudar numa tabela pelo meio, entrando em diagonal na área para finalizar ou indo ao fundo cruzar. Não se espera genialidade deles, apenas visão de jogo e qualidade no cruzamento e na finalização.

Mas Alan Patrick, como o cérebro do time, não pode ser um simples distribuidor de bolas na zona intermediária. Ele recebe e toca lateralmente ou conduz em diagonal para da entrada da área cruzar, no máximo tenta um chute de fora quando tem a frente aberta, o que algumas vezes lhe rende bons lances e até um ou outro gol. Fora isso, suas assistências se resumem a uma bola parada muito bem ensaiada.

O gol de empate surge numa cobrança de falta em que Alan Patrick levanta a bola na área e Arão desvia no primeiro pau, sem chance para Denis. Jogada tipicamente ensaiada, assim como vários escanteios que levaram perigo, o que é ótimo, mas não pode ser a principal arma do time.

Para coroar com chave de ouro a atuação hoje, nos acréscimos, Alan Patrick ainda perdeu o pênalti que daria a vitória ao Flamengo e dois minutos depois deu uma entrevista vergonhosa, onde se mostrou indiferente ao resultado e sequer se dignou a pedir desculpas pelo pênalti perdido.

Pontas ineficientes

Qualquer um ao ver Éverton e Cirino na escalação inicial torce o nariz e sabe que terá motivo para se aborrecer. Os dois jogadores não possuem visão de jogo e sempre optam pela jogada errada, quando chutam de longe isolam, cruzam mal e nunca se posicionam bem na área para ajudar Vizeu ou explorar o espaço aberto por ele ao deslocar os marcadores.

Para piorar, Fernandinho e Cirino tem péssimo hábito de tentar cavar faltas. Qualquer lance procuram o drible em cima do adversário e já deixam o corpo para o toque, dobrando o joelho antecipadamente para exagerar na atuação. O excesso de cavadas tende a fazer os árbitros não marcarem nem as faltas que realmente acontecem, a menos que sejam muito acintosas.

Tão pouco adianta trocar Éverton por Fernandinho ou Cirino por Gabriel como Zé Ricardo fez ao estar com um jogador a mais em campo. A saída de Vizeu para a entrada de Sheik só piora, pois escancara a falta de leitura do treinador, que não consegue perceber que o meio não cria chances para que o atacante tenha a oportunidade de finalizar.

Com o esquema definido como 4-2-3-1, transitando para o 4-1-4-1 defensivamente, urge a necessidade de se usar meias na linha de Alan Patrick e não pontas brucutus para jogar no corpo do adversário. Com jogadores capazes de ajudar na armação, dando verticalidade ao time, melhorando a qualidade do último passe e aumentando a velocidade de jogo (que nada tem a ver com a velocidade dos jogadores e sim da bola), veríamos Alan Patrick subir de rendimento e o ataque do Flamengo ser mais mortal, não ficar só cercando e finalizando mal.

Como opção na direita, lugar ocupado por Cirino, Zé Ricardo poderia usar Arão que tem se destacado ofensivamente e tem velocidade e pegada para acompanhar lateral e ajuda a recuperar a bola ainda no ataque, ou ser mais conservador e usar Ederson na meia direita. No lugar de Éverton, a opção varia de acordo com a escolha da direita: caso Arão seja adiantado, Mancuello pode atuar como 2° volante e Ederson aberto; caso Arão permaneça como 2° volante, a melhor opção é Mancuello na meia esquerda. E como 1° volante Cuéllar não pode ser banco para Márcio Araújo.


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