Analise

Em mais uma rodada, Jayme comandaria o time interinamente enquanto Muricy se decidia sobre sua permanência. O desfalque de Cuéllar após a lesão contra o Grêmio prometia causar problemas na defesa, mas não no nível que foi visto. Jogar sem o colombiano foi extremamente crítico não só para a defesa, mas também para o ataque.

O time foi escalado com Paulo Victor – Rodinei, Léo Duarte, Juan, Jorge – William Arão, Márcio Araújo, Alan Patrick – Cirino, Vizeu e Éverton. Somente Cuéllar era desfalque por lesão, as outras mudanças foram opções de Jayme.

Início movimentado pela esquerda

Ao contrário do que estamos acostumados a ver, o lado esquerdo estava muito mais participativo no ataque que o lado direito. Cirino era uma nulidade e Rodinei segue em péssima fase. Arão tentava fazer algo, mas acabava jogando com Alan Patrick pelo centro.

Na esquerda, Jorge começou a subir mais com Éverton dando alguma cobertura. O problema é que quando os dois subiam cabia a Márcio Araújo proteger, como Cuéllar sempre faz, o que não aconteceu e deixou Juan um pouco sobrecarregado. Ofensivamente, porém, as jogadas saíam como naquela que gerou o primeiro gol. Jorge roubou uma bola, lançou Éverton que foi ao fundo para cruzar rasteiro pra área, onde Vizeu apareceu muito bem.

O início do jogo, inclusive, lembrou o bom momento contra o Sport. O time tinha dificuldade em alguns setores, mas conseguia exercer alguma pressão. Éverton e Vizeu eram os destaques desse momento, apesar de não ter chegado mais nenhuma boa bola para o centroavante.

Pênalti e desequilíbrio emocional

Após Arão errar um passe no ataque, a Chapecoense contra-atacou e pegou a defesa do Flamengo exposta. Márcio Araújo estava fora de posição, Léo Duarte adiantado, Rodinei no ataque, então Juan foi cobrir a direita e só conseguiu dar o bote dentro da área. Como o juiz estava distante, visto que era um contra-ataque em velocidade e o lance aconteceu no lado oposto ao bandeira, quando o jogador da Chapecoense dobrou o joelho e caiu, simulando uma falta inexistente, o pênalti foi marcado e Juan, que recebeu apenas amarelo, saiu sentindo a coxa.

Graças ao planejamento brilhante do departamento de futebol, a única opção para a posição era o jovem Dumas, que entrou aos 15 minutos de jogo. E, mais do que sentir o empate, o Flamengo sentiu a ausência de Juan. Jorge foi o mais prejudicado, pois teve que segurar mais na defesa para cobrir a falta de bom posicionamento de Márcio Araújo e as falhas de posicionamento de Dumas, que não joga há muito tempo.

Aos 38 minutos foi possível ver o problema que era a defesa quando, num lance pela esquerda, Márcio Araújo estava completamente fora de posição, a zaga desprotegida e Jorge se viu obrigado a fazer falta, recebendo amarelo. O laterial saiu dando esporro em Dumas, que errara a sua movimentação, o que teria deixado o atacante entrar sem marcação na área, ficando cara-a-cara com Paulo Victor.

Márcio Araújo evidencia a importância de Cuéllar para o time

Nas redes sociais não foi incomum ver após o jogo quem isentasse Márcio Araújo, dissesse que não comprometeu, o que mostra que a torcida tende a avaliar os jogadores isoladamente e não como partes de um sistema. Ou seja, o impacto de sua atuação para o time e não para o placar.

Como vimos muito em 2015 e 2014, Márcio Araújo esteve correndo muito pelo campo atrás dos jogadores adversários, pois se posiciona extremamente mal. Enquanto Cuéllar por várias vezes está marcando os adversários em cima do lance e de frente, Márcio Araújo tinha que correr de onde estava até o jogador com a bola. A zaga estava sempre desprotegida e, graças a mais uma ótima atuação de Léo Duarte, vários dos lances não levaram o perigo que poderiam.

E na saída de bola vimos novamente uma infinidade de troca de passes entre os zagueiros, Juan dando chutão antes dos 4 minutos, tudo pela inutilidade de Márcio Araújo na transição de bola da defesa para o meio. Cuéllar encontra dificuldades pela imobilidade do time, mas nada perto do que era Márcio Araújo, incapaz de tentar um passe vertical.

Arão novamente curtindo mais como atacante que como volante não ajudava a saída de bola, tão pouco tem repertório de passe. Cirino era quase invisível no jogo. Alan Patrick recuava para tentar organizar o jogo, fazia a transição da bola pro ataque, mas nunca conseguia uma única boa jogada próximo da área.

E a demora na transição da bola era crítica para toda esse deficiência macro do time. Se Márcio Araújo se apresentasse, tentando sair da marcação, acionando mais rapidamente os outros meias ou buscando uma saída mais veloz com Éverton –bem ativo no jogo, apesar das escolhas ruins de jogada – o Flamengo poderia ter tentado alguma reação, pegando a defesa da Chapecoense desorganizada.

Jayme demora a mexer e erra em todas as substituições

Além de ter errado e muito na escalação do time, Jayme conseguiu voltar sem alterações mesmo vendo o Flamengo ser dominado pela Chapecoense no 1° tempo. As coisas não melhoraram no início do 2° tempo, mas só aos 15 minutos ele resolveu mexer. E errado. A bola não chegava no ataque, nenhuma chance era criada e, ao invés de tentar arrumar o meio-campo que não defendia bem e nem conseguia criar, Jayme tirou Vizeu para colocar Ederson.

Muricy inventou Ederson de centroavante e, apesar do jogador se dispor a jogar na posição, sabemos que ele não é um atacante fixo. Sua posição ideal é atacando pelos lados, em velocidade, não sendo fixo dentro da área. E “falso 9” só dá certo quando um time treina para a formação, não depende apenas do jogador.

Obviamente nada melhorou, até piorou já que a torcida começou a injustamente ficar impaciente com Ederson. Aos 21 minutos, para tentar minimizar o erro, colocou Ederson na posição em que Cirino jogava, mas como centroavante entrou Sheik, que há muito tempo joga mal.

O meio continuou aberto e ineficiente, o ataque não ameaçava mais do que a nossa defesa era ameaçada. E, para piorar, Éverton fez uma falta muito imprudente e levou vermelho direto. Aqui cabe dizer que o lance foi muito questionado, mas se fosse um jogador da Chapecoense fazendo aquela falta no Alan Patrick, todos teriam pedido vermelho.

Com um a menos em campo e todas as alterações feitas, Jayme apenas se limitou a assistir o time completamente perdido, desorganizado, ser dominado por uma Chapecoense que está longe de ser um time muito bem organizado e treinado como o Santa Cruz.

Impacto do resultado no futuro do Flamengo

O pênalti inexistente nos acréscimos garantindo o empate em 2 x 2 “salvou” o desastre que seria perder para a Chapecoense em casa, mas não diminuiu a pressão da torcida. Vaias durante quase todo o jogo e brados exaltados de “Burro” direcionados a Jayme exigiam mudanças, mas o pontinho por enquanto parece ter salvado os cargos de Rodrigo Caetano e Godinho.

Muricy Ramalho entrou em contato com a diretoria e comunicou que sairia do clube para cuidar da saúde. O auxiliar Tata Martino continua na fase de transição até que a diretoria contrate um novo treinador e Zé Ricardo, técnico dos juniores, assume interinamente com Jayme de auxiliar.

A torcida perdeu a paciência com as seguidas más atuações e péssimos resultados. A base política também pressiona Eduardo Bandeira de Mello e se mostrou contra a vinda de Abel, de modo que não há perspectiva de mudança a curto prazo. Por um lado é bom, pois Zé Ricardo é um bom treinador que pode começar a arrumar a terra arrasada que Muricy deixa. A parte ruim é que dificilmente as coisas melhorarão no curto prazo e podem queimar Zé Ricardo.

Contra a Ponte Preta, Zé Ricardo mudará muito o time?

Dificilmente Zé Ricardo chegará fazendo mudanças profundas como escalar Muralha ao invés de Paulo Victor. Precisaremos dar um tempo para que, com o trabalho, ele vá ajeitando o time e mudando nomes. Após a notícia de que Juan ficará fora por pelo menos 1 mês, Rodrigo Caetano chamou César Martins, que estava de férias até o fim do empréstimo, e o zagueiro aceitou retornar e ajudar o time, mesmo após “animais” de torcida organizada atacarem o carro do jogador, após o jogo de basquete, estando não só o jogador como a esposa e o filho dentro do veículo.

No juniores, Zé Ricardo ganhou a Copinha com o 4-1-4-1 e, dado que o plantel parece ter sido montado para este esquema, deve voltar a implementá-lo, após Muricy ter abandonado ainda no início da temporada em favor do 4-3-3. Na escalação em si, os nomes podem mudar muito ou pouco e abaixo dou algumas sugestões:

Escalação que acho mais provável: Paulo Victor – Rodinei, Léo Duarte, César Martins, Jorge – Cuéllar – Ederson, William Arão, Alan Patrick, Mancuello – Felipe Vizeu

Escalação que eu usaria: Paulo Victor – Pará, Léo Duarte, César Martins, Jorge – Canteros –William Arão, Cuéllar, Mancuello, Ederson – Felipe Vizeu

Uma observação válida é sobre os meias centrais da segunda linha de 4, onde poderíamos ter dois armadores ou um armador e um volante. Dados os problemas da defesa do Flamengo, acho que o mais prudente seria adiantar Cuéllar (que jogava de 2° volante) e Mancuello (2° volante mais ofensivo) para primeiro arrumar atrás. No juniores, Zé Ricardo costumava usar um meia mais fixo para ajudar Ronaldo (o 1 entre as linhas de 4) e um meia mais ofensivo, as características de Cuéllar e Mancuello são as que combinam melhor, mas a manutenção de Alan Patrick é uma opção possível. Já a manutenção a longo prazo de Arão no meio é improvável, dado que o jogador não mantém a posição.

Saudações Rubro-Negras