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Quem tem acompanhado a Copinha certamente tem sua lista de jogadores que se destacaram e gostariam de ver no profissional, porém o maior destaque do time tem sido o treinador Zé Ricardo. Após assumir o juniores no finalzinho de 2014, o treinador teve um duro trabalho na última temporada e conseguiu transformar o grupo em um time, que se manteve consistente mesmo com a entrada de jogadores vindos do juvenil no fim do último ano.

Em artigo anterior descrevi o potencial do esquema usado e espero muito que Muricy não o mude quando se reunir com Zé Ricardo após a Copa São Paulo, inclusive acho que o Flamengo só teria a ganhar usando o mesmo esquema do sub-20 no profissional.

Já nas fases iniciais da competição víamos o Flamengo sobrar, porém temia-se o resultado quando começassem a aparecer os “times grandes” e pudemos testemunhar que não seria fácil no jogo contra o Bahia e novamente não foi fácil contra o São Paulo.

Há poucos jogadores diferenciados no elenco rubro-negro, o que exige um esquema tático e um treinamento que compense a fragilidade do elenco, proporcionando assim que jogadores medianos se destaquem e façam o time como um todo brilhar e ganhar consistência.

A escalação inicial foi a mesma do jogo contra o Red Bull na fase de mata-mata. Thiago – Thiago Ennes, Léo Duarte, Dener, Arthur Bonaldo – Ronaldo – Cafu, Trindade, Klebinho, Paquetá – Felipe Vizeu


Com Trindade na linha de 4 o time ganha um jogador de maior poder de marcação, o que libera Paquetá para criar e subir mais. E, talvez seja justamente a forma defensiva o ponto de maior sucesso do time, com as linhas muito próximas e todos os jogadores comprometidos com a marcação e recompondo muito rápido.

Ronaldo, volante entre as linhas de 4, é cirúrgico em sua função tática ajudando a dobrar a marcação onde os adversários estão com a bola, Léo Duarte é um zagueiro veloz e que tem mostrado bom posicionamento e leitura de jogo, Thiago Ennes fecha muito bem a cobertura na direita tornando um lado bem forte. A esquerda passa a ser o ponto mais frágil com o improvisado Arthur na lateral, mas como o meio está bem protegido, a ameaça nos cruzamentos não costuma ser grande.

Ofensivamente o time não é tão forte quanto na formação com Sávio pelo meio, pois Paquetá passa a ser o maestro e, sendo o único armador, bastou o São Paulo passar a marcá-lo mais de perto e o Flamengo perdeu boa parte do ímpeto inicial, quando teve vários lances de gol perdido. Kleber e Cafu nas pontas são jogadores de velocidade e condução de bola, mas tendem a ser mais cruzadores do que finalizadores, apesar de Cafu às vezes arriscar de longe. A fragilidade então passa a ser o isolamento de Felipe Vizeu, que não é tão municiado, apesar de aparecer muito bem nos contra-ataques.

Ou seja, basicamente Zé Ricardo encontrou duas formações distintas para o Flamengo no mesmo esquema, apenas variando os jogadores em campo. Contra o Bahia usou uma forma mais ofensiva que visava “massacrar” o adversário, fato que fez o goleiro aparecer bastante com duas boas defesas e logo permitiu o confortável placar de 2 a 0. Já contra o São Paulo a opção foi um time de marcação mais forte que jogaria no contra-ataque, o que ficou bem nítido após os minutos iniciais em que o Flamengo pressionou até o time paulista encaixar a marcação, passando boa parte do jogo sustentando a vitória mínima e alcançando o 2° gol em contra-ataque nos minutos finais.

Eu particularmente não gosto de quando o Flamengo assume a vantagem e se encolhe na defesa, procurando segurar o resultado. Por mais que o time não permita tantas finalizações, Thiago não vem ganhando destaque à toa e sempre há um risco, afinal mesmo que eles não mudem de postura quando sofrem o empate mostrando maturidade e confiança no sistema de jogo, ainda não os vimos sob a pressão de estar atrás no placar.

O próximo jogo é contra o América-MG pela semifinal da competição, espero ver a formação mais ousada usada no jogo contra o Bahia para não dar chance de não vermos o Flamengo na final. De toda forma, o resultado até aqui é bem acima do esperado e comprova a competência de Zé Ricardo, treinador que em breve espero ver sendo enviado pelo Flamengo para o curso da UEFA e estagiando em um clube de ponta já sendo preparado para assumir o profissional após Muricy.

Saudações Rubro-Negras