Por Patrícia Castelan 


 

À primeira vista o leitor pode estar pensando: “O quê teria o Flamengo em comum com o Joinville? Ninguém conhece o Joinville, afinal! “

Essa pergunta pode ser respondida facilmente na pessoa de Antônio Nunes, o Lico.

Lico chegou ao Flamengo em 1980

Lico chegou ao Flamengo em 1980

Nascido em Imbituba, no litoral catarinense, Lico iniciou sua carreira no América de Joinville (Clube que se uniria em 1976 com o Caxias formando assim, o Joinville Esporte Clube – JEC). Ponta esquerda de boa qualidade, Lico venceu os Campeonatos Catarinense de 79 e 80 pelo JEC. A expoente geração do JEC na década de 80 fez com que o ponta tivesse destaque nacional. Em 80, Lico começa a jogar pelo Flamengo. A equipe dourada do rubro-negro carioca, enchia os olhos do Brasil com seu futebol bem humorado, bem jogado, brasileiro.

Lico jogou com os mestres Zico, Leandro, Andrade, Adílio, Júnior. Foram campeões da Libertadores da América e também mundiais, quando o Mundial ainda estava sob a batuta um pouco mais digna da UEFA, aplicando uma severa goleada no já na época, pomposo Liverpool. No dia 13 de dezembro de 1981, o Flamengo também de Lico, enchia os olhos do mundo com o melhor do futebol brasileiro.

Lico jogou pelo Flamengo de 80 a 84 (Em 81 ficou emprestado ao Joinville por alguns meses mas logo retornou ao Rio). Fez 129 jogos com o manto sagrado. Possui 16 gols e conquistou os títulos: Libertadores (81), Mundial (81), Brasileiro (82 e 83), Carioca (81), Guanabara (81 e 82), Taça Rio (83). Lico teve problemas graves nos joelhos e teve que deixar os gramados em 84, aos 33 anos. Lico treinou o Avaí em 1989. Hoje está com 63 anos e mora em Imbituba, cidade onde nasceu. Fontes dão conta que treina um pequeno time da cidade.

Fico aqui pensando: “Como baterá o coração de Lico hoje à noite?”. Após 28 anos, o JEC retornou finalmente à série A e como catarinense e jogador de um Clube que enchia Santa Catarina de orgulho na década de 80, tenho certeza que estará dividido mas batendo um pouco mais forte pelo rubro-negro carioca.

Eu, da mesma forma, costumo torcer pelo JEC. Time da cidade é sempre um carinho especial. Mas o Flamengo, é o Flamengo. Nada maior, mais encantador, mais fascinante que o Flamengo no mundo. Hoje, quando a Nação Rubro-Negra, que irá lotar o Arena Joinville, mesmo do lado que seria destinado ao JEC, o que se verá é um Clube valente (JEC), tentando honrar os torcedores que lhe são fiéis contra um gigante que toma por arrebatamento, o coração de senão todos, 98% dos que estarão presentes no lindo estádio que enfeita a bela Joinville.

Em contrapartida ao momento ruim que vive o Flamengo e também o JEC, porquê não dizer, ambos proporcionalmente merecem uma posição melhor no Brasileiro por toda sua história e tradição, o Urubu carioca, deve alçar voo e triunfar na Cidade dos Príncipes franceses. Quer coisa mais brasileira e apaixonante que isso?