Por Flávio H. Souza


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Em qualquer empreendimento que se pretenda lançar ou mesmo gerenciar é preciso definir sua “cara”. O que ele é? O que representa? O que pretende? Como se mostra ao público externo e interno? Claro que muitos utilizam para esta definição nomenclaturas como “Missão”, “Valores”, “Visão”, etc. Mas, na real, qual é sua cara? É a pergunta que seu “staff”, clientes, fornecedores, enfim, todos “stakeholders” envolvidos querem saber.

E o Flamengo hoje, 2015, mostra uma cara diferente de idos passados. Um clube administrativamente organizado, com contas e salários em dia. Com erros, claro, porque todos erram, mas dirigido por pessoas que buscam agir de forma correta embora ainda há várias carências a serem superadas. Um clube que, de uma fama justa no Brasil inteiro de ser uma bagunça administrativa, a ponto de dificultar vinda de reforços ou mesmo contratação de fornecedores diversos, passou a ser o único clube que, diferente dos demais, apóia a MP 671/2015, a MP do Futebol. Todos demais clubes pedem ainda mais facilidades de pagar a dívida e a flexibilização das das contrapartidas, como o fim da exigência de CND para disputa de campeonato. Ou sejam os demais clubes querem uma espécie de “Timemania 2, a missão”. Mas não o Flamengo. Não é mais sua “cara” fazer isto.

A torcida reconhece. Apóia ver seu clube, finalmente, trilhar um caminho honesto, justo e responsável administrativamente, depois de anos e anos achincalhado publicamente devido a esbórnia que culminava em dívidas explosivas e resultados “7 a 1” em campo.

O Flamengo Olímpico tem a mesma cara eficiente. Instalações sendo feitas, academias de ginástica, ginásios remodelados, basquete, ginástica olímpica, várias modalidades vencedoras, se tornou financeiramente autossustentável com os projetos de recursos oriundos de leis de incentivo. Mostra a cara moderna de superação administrativa, além de vencedora com o Basquete.


Mas no futebol há uma profunda dicotomia. Não se percebe modernidade, não se percebe filosofia de gestão, nem planejamento, a “cara” do futebol do Flamengo nada tem a ver com o resto que o Flamengo apresenta. E ainda há um problema sério porque o futebol não é apenas um esporte, não, o futebol é onde a sociedade brasileira se identifica. E o futebol no Flamengo é força, raça, paixão, levantados por uma torcida frenética, com jogadores dedicados em campo.

Qual a cara que a torcida percebe no futebol do Flamengo?

Qual a cara que a torcida percebe no futebol do Flamengo?

E não temos o planejamento adequado no futebol e nem jogadores dedicados em campo. Contratamos ainda por impulso, tapando buracos que a “vaga ideia” de como seria o ano vindouro não conseguiu prever. Os jogadores por deficiência de treinamento, falta de vontade, problemas táticos, enfim, sabe-se lá o motivo, não marcam sob pressão constante, não se deslocam de forma rápida para passes, não aproveitam espaços vazios, parecem um bando de cansados, partida após partida do Brasileiro. Eles não se identificam com a visão, ” a cara”, que a torcida do Flamengo projeta no time. Parecem burocratas enfastiados, cuja maior alegria do dia é a última marcação no cartão de ponto.

E isto reflete na torcida, na quantidade potencial de novos ST´s que não se consegue atingir. O futebol do Flamengo não está representando a torcida. Precisamos que haja um choque de pensamento no futebol para ele mostrar uma outra cara à torcida e associados. Uma cara de busca de eficiência organizacional, de planejamento, com jogadores dedicados em campo. Precisamos de pessoas de qualidade técnica e executiva para este processo, além de um total revisão no perfil de jogadores a serem contratados, assim como no gerenciamento do dia-a-dia, cobrando responsabilidade profissional aos mesmos para melhor performance física e técnica nos jogos.

E a cara do futebol não pode ser alijado da “cara” simbólica da torcida do Flamengo. Um não vive sem outro. A torcida do Flamengo é de todas as cores e níveis de renda. O torcedor de baixa renda tem que poder ir lá se manifestar nos estádios. O Flamengo é isto também. Sem ele não é Flamengo. Precisa criar nesta arena cara e abusiva do Maracanã um Setor Popular de ingressos mais baratos. Há o Setor Norte e sei que atualmente há uma tendência a se buscar isto. É louvável e necessário. Precisamos de todos. Sem todos não é Flamengo.

Twitter: @PedradaRN