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RICARDO MARTINS | Twitter @Rick_Martins_BH

Eu aprendi a torcer pelo Flamengo. Obviamente que após a década de 80 essa tarefa pareceu mais fácil. Ledo engano! Não se aprende a torcer apenas nas vitórias e conquistas. O torcedor de verdade é colocado à prova nos momentos mais difíceis.

No final da década de 70 O Flamengo teve decepções que poderiam ter colocado tudo a perder nos anos vindouros. Além dos desencontros que custaram o título Carioca de 1977, uma derrota em particular freiou nossa expectativas de conquistar o primeiro Campeonato Brasileiro, quando perdemos de 4×1 para o Palmeiras em pleno Maracanã:

Volta e meia eu me recordo desse jogo, pois eu estava no estádio. Lembro que fiquei tão atordoado que até perdi a conta de quantos gols levamos naquele dia. Tanto que até hoje eu pensava que 5×1 era o placar da partida. Pior, eu saí com um colega argentino que me acompanhara e fomos caminhando meio que sem rumo. Eu agitava uma bandeira do Flamengo e era xingado por alguns que passavam de carro. Andei tanto sem pensar, que quando vi eu já estava na Central do Brasil, onde peguei um ônibus para casa.

Essa talvez tenha sido a pior derrota que presenciei, mas ela está longe de ser o maior vexame ocorrido com o Flamengo. Bem recentemente sofremos uma goleada histórica de 4×1 para o Madureira, mas que também não foi mais dolorosa do que a ocorrida em 2004 para o Santo André, na final da Copa do Brasil.

Não obstante os vexames que culminaram em derrotas marcantes, o Flamengo acumula um conjunto de vitórias e conquistas bem mais representativas. Eu tive o privilégio de ser contemporâneo ao período mais rico em termos de jornadas bem sucedidas, mas nenhuma delas foi fácil. Até por que essa palavra não existe no vocabulário rubro-negro.

A derrota para o Coritiba na quinta-feira já integra o passado, apesar de ainda repercutir no presente campeonato. O principal aprendizado que tive diante dela é que talvez eu ainda não saiba torcer, embora pensasse justamente o contrário.

Talvez eu esteja errado ao torcer pelo Flamengo. Ao que percebi, o verdadeiro tem que exigir que o time vença sempre. Empates ou derrotas são permitidos apenas aos adversários. E se o treinador escalar alguém que não preencha os requisitos de jogador para o Flamengo, o contrato de sempre torcer poderá ser descumprido e a Magnética poderá passar a ser contra, com direito a gritos de olé.

Interessante é que acabei de me recordar que lá nos anos 70 e 80 ir ao Maracanã era obrigação de todo torcedor rubro-negro. Quem não fosse era logo taxado de “torcedor de radinho de pilha”. Hoje é pior ainda. Com o encolhimento dos estádios, o sócio-torcedor virou um consumidor. Então as categorias de torcedores são novas e diversas. Daí surge esse debate de que o torcedor do Rio de Janeiro é diferente do de Brasília, do Nordeste, do mundo…

Nesse novo cenário categorizado de torcedores eu admito que necessito aprender a torcer. Afinal, eu não torci contra o Flamengo nem quando Bruno (que atualmente encontra-se encarcerado) foi contratado para assumir a titularidade do gol do Flamengo. Eu não torci contra o Flamengo quando tinha elenco muito inferior ao atual e que, por muitas vezes obteve conquistas surpreendentes, apesar das limitações do time nas ocasiões.

Torcida

“Quem não fosse ao Maracanã era taxada torcedor de radinho de pilha”.

Talvez eu esteja errado por torcer pelo Flamengo com Diego, Marcelo Lomba ou César no gol. Eu sempre confiei e acreditei neles, mesmo que outros desconfiassem. Por favor, me perdoem, eu não sabia que torcer era uma atitude opcional. Eu sempre torci incondicionalmente.

E contra o Coxa eu devo ter errado novamente. Torci para o Flamengo vencer a sétima partida consecutiva. E logo para o time comandado por Oswaldo de Oliveira, do qual eu não tinha boas recordações de sua passagem em 2003, e pouco acreditava em seu atual momento. Mesmo assim torci para ele, que vem tendo um desempenho brilhante.

E por respeitar o trabalho atual, e por coerência (pois eu apoio qualquer treinador que leve o Flamengo a conquistas pontuais e holísticas), eu esperava que Oswaldo pudesse nos trazer mais uma vitória. Talvez por isso eu tenha acreditado em sua escalação e em suas substituições.

Por não dominar o regulamento do torcedor moderno, eu acreditei nas alterações que Oswaldo fez para tentar reverter o jogo. Eu tenho algumas convicções. Eu tenho opinião. Eu quero ver determinados jogadores em campo. O Jajá é um deles. Mas isso não quer dizer que eu vá torcer apenas quando ele for escalado. Por isso que ao ver Almir na beira de campo eu torci piamente para que ele entrasse e fizesse a partida da vida dele. Desculpem-me se errei mais uma vez. Parece que o comportamento correto era o de apostar que o treinador que o vê todos os dias estava totalmente equivocado.

Há jogadores que sequer são avaliados pelo que fazem. Sorte que existem alguns que são iguais ao Pará. Duramente criticado, vaiado, mas ele insiste em ser regular, raçudo e comprometido o tempo todo. Pena que eu tenha sempre torcido para ele acertar. Afinal, o manual do torcedor moderno parece indicar um roteiro que tem que levar o atleta de vilão a herói, para receber uma espécie de autorização para não ser mais vaiado e criticado.

Enquanto aguardo instruções para saber como torcer, eu vou torcendo da forma que aprendi. Nesse domingo torcerei para vencermos o Atlético Mineiro. Só que torcer é uma vontade, torcer é fé. O resultado de cada partida é o empirismo que nos leva ao choque de realidade. E só existem três resultados possíveis. Eu, velho torcedor, démodé, venho aceitando todos ao longo da minha vida rubro-negra. Se alguém acha que estou errado, por gentileza, ensina-me a torcer…

 

Cordiais Saudações Rubro-Negras!

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