Edgardo Bauza está livre. Foto: San Lorenzo/Divulgação

Edgardo Bauza está livre. Foto: San Lorenzo/Divulgação

A busca

A temporada 2015 está chegando ao fim, e entre muitas incertezas no futebol do Flamengo, uma coisa perece não haver dúvidas, Osvaldo de Oliveira não será o técnico do time em 2016. As três chapas que pleiteiam a presidência do clube já disseram que não pretendem renovar com o treinador.



Osvaldo chegou ao Flamengo em agosto. Na época, o carioca de 64 anos, tinha a difícil missão de arrumar o time, que não conseguia render com Cristóvão Borges. O seu início foi avassalador, em sete jogos conquistou seis vitórias no Brasileirão, e um empate pela Copa do Brasil. Após o começo apoteótico, o time caiu de rendimento e na tabela de classificação, perdendo a oportunidade de se classificar para a Copa Libertadores.

Alguns treinadores estrangeiros também são alvo de interesse, principalmente os argentinos, dentre eles estão Jorge Sampaoli, Diego Aguirre e Alejandro Sabella. O treinador  da seleção chilena perdeu força em seu país após a renúncia do presidente da ANFP (Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile), Sergio Jadue. Sampaoli é aliado de Jadue e já ameaçou demitir-se, caso o presidente continuasse afastado da federação. Mas um nome pouco ventilado começa a ganhar força e começa a ser lembrado, trata-se de Edgardo Bauza, bicampeão da Taça Libertadores da América. O argentino também estaria sendo procurado pelo São Paulo, segundo alguns jornalistas paulistas. Atualmente ele ainda é treinador do San Lorenzo, porém já anunciou sua saída ao final desta temporada.

 

Edgardo Bauza – A carreira

O treinador foi jogador de futebol, fez carreira no Rosário Central, onde foi campeão argentino em 1980 e 1987. Teve passagens por grandes clubes como Independiente e Vera Cruz do México e encerrou sua carreira em 1992, mas antes fez parte do selecionado argentino que eliminou o Brasil na Copa da Itália, em 1990. Foi um zagueiro goleador, com a incrível marca de ser o segundo jogador com mais gols na história do Rosário, atrás apenas de Mario Kempes. Também é o jogador com mais tentos na história do clube perante seu grande rival, o Newell’s Old Boys.

A oportunidade de ser treinador não poderia ter surgido em outra equipe e em 1998 ele assume o Rosario Central, depois de passar pelas divisões de base. Levou o Rosario ao vice-campeonato da Copa Conmebol de 98 e ao vice-campeonato do Torneio Apertura de 1999. Manteve o trabalho de longo prazo nos “Canallas” e disputou a Copa Libertadores de 2000 e 2001, chegando nas semifinais desta última. No mesmo ano, depois de maus resultados nas competições nacionais, deixa o clube e assume o Vélez Sarsfield e depois o Colón de Santa Fe. Logo depois assume o Sporting Cristal, foi novamente vice-campeão, dessa vez do campeonato peruano. Regressa para o Colón em 2006 e no mesmo ano assume a Liga Desportiva Universitaria de Quito, mas conhecida (especialmente pelos tricolores) como LDU. Classificado para a Libertadores de 2007, era muito criticado pela imprensa local e torcida pelos resultados iniciais, mas obteve respaldo

Na LDU, a guinada na carreira. Foto: LDU/Divulgação.

Na LDU, a guinada na carreira. Foto: LDU/Divulgação.

da diretoria e seguiu o trabalho. Acabou levando o clube ao título equatoriano e a conquista da Libertadores em 2008, em cima do Fluminense.

Em 2009 vai para o Al Nassr onde fica por apenas três meses. Regressa para a LDU em dezembro do mesmo ano e inicia outro ciclo vitorioso no clube. Em 2011 perde a final da Copa Sul-Americana contra a Universidad de Chile, de Jorge Sampaoli.

 

San Lorenzo – O topo da América novamente

Em 2013 assume o San Lorenzo, um dos cinco grandes do futebol argentino, em substituição a Juan Antonio Pizzi, contratado pelo Valencia da Espanha. E no primeiro semestre de 2014, o “Time do Papa” finalmente ganha a cobiçada Libertadores pela primeira vez. Bauza consegue levar pela segunda vez o título mais importante do continente pela primeira vez a um clube. O treinador anunciou no final de outubro que não mais dirigirá “Los Cuervos” de Buenos Aires.

O time de Bauza que venceu a Libertadores, passando por Grêmio (oitavas) e Cruzeiro (quartas) era um time vertical, com pouco toque de bola e muita presença dos laterais. Jogava em um 4-4-2/4-4-1-1. No gol, o experiente Sebá Torrico, goleiro que vinha desde 2013 em ótima forma, apesar dos 34 anos. Era respaldado por uma segura zaga, formada inicialmente por Carlos Valdés (colombiano de seleção, indicado ao clube por Bauza, jogou até às quartas. Teve seu contrato rescindido após reclamar de salários atrasados) que jogou até às quartas. Gentiletti, atualmente na Lazio era o zagueiro pela esquerda. Na direita Buffarini e na esquerda Emanuel Mas, que ganhou a vaga de Walter Kannemann. A entrada de Mas surtiu grande mudança tática no Azulgrana. O treinador considerava o lateral mais ofensivo e com maior capacidade de saída do Kannemann, usado muitas vezes como zagueiro por Bauza.

A segunda linha tinha Mercier, Ortigoza e Romagnoli como terceiro volante ajudando Piatti na armação. Na frente a revelação Ángel Correa, hoje no Atlético de Madrid e Nicolás Blandi.

O treinador é considerado “retranqueiro” e não parece o nome mais interessante para comandar a tão promulgada revolução com implantação de uma filosofia de jogo genuinamente rubro-negra. Com duas Libertadores da América nas costas pode conseguir algum tipo de anuência temporária da torcida ante um começo ruim. De qualquer forma pode promover uma consistência na nossa cozinha, setor que mais tem sido alvo de criticas (e com razão) nos últimos anos.

No Clausura 2015, encerrado no último dia 8, o San Lorenzo terminou em segundo lugar com 18 vitórias, 7 empates e apenas 5 derrotas. Fez 44 gols e sofreu 20.

 

Um cara diferenciado…

Bauza faz parte de um pequeno grupo de técnicos que já conquistaram a América por duas equipes diferentes: Felipão (Grêmio e Palmeiras), Carlos Bianchi (Vélez e Boca Juniors) e Paulo Autuori (Cruzeiro e São Paulo). Contudo, o argentino, natural de Granadero Baigorria, foi o único que ganhou o título por dois clubes de países diferentes e o primeiro a levar os dois clubes às suas primeiras conquistas.

Em 2000, o ídolo do Rosario Central entrou para a história do clube de outra forma. Ele participou da gravação de uma música que fez parte de uma coletânea em homenagem a “La Academia Rosarina”.

Como treinador é conhecido por se envolver profundamente com os clubes por onde passa. Já aceitou contratos com salários menores do que outras ofertas por conta do projeto e respaldo para trabalhar a longo prazo.

Os torcedores do San Lorenzo sentem enorme gratidão por Bauza. Graças a ele, nunca mais ouvirão dos rivais a expressão Club Atlético Sin Libertadores de América — trocadilho com o nome do clube, Club Atlético San Lorenzo de Almagro –, único dos cinco grandes argentinos que não tinha o troféu até então.

Seu bicampeonato no maior torneio do continente mostrou que outras qualidades de comando além da segurança defensiva. Sou be mesclar muito bem juventude com a experiência na montagem do elenco. O técnico teve o mérito de quando posto à prova com as saídas inesperadas de Angél Correa (teve que fazer uma cirurgia no coração) e o equatoriano Valdés (alegou salários atrasados e não se apresentou), que não retornaram ao time após a Copa do Mundo. Na final, não pode contar com o destaque Piatti, negociado. Mesmo assim não se abateu e manteve a equipe motivada.


 

E aí, Nação? Edgardo Bauza é uma boa pro Mengão?

 


Bruno Vasconcellos e Diogo Almeida fazem parte da equipe MRN Informação. Twitter: @BruNoCellos_CRF e @DidaZico.

 

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