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Valdemir Henrique Vogt

 
Desde que o Brasil foi anunciado como sede da copa de 2014 deram inicio a uma megalomania alimentada por expectativas sem nenhum embasamento.
Obras foram erguidas por todo o país, todas rigorosamente pautadas pelo “Padrão FIFA”.

O Brasil vivia um grande boom econômico, cambial e esportivo e aí morava o perigo que muitos ignoraram. Anos excepcionais não devem servir de parâmetro justamente por se tratar de ocasiões/ambiente especiais que dificilmente se repetem, mas o bom senso foi esquecido e deram inicio a fifalização do futebol brasileiro.
Eu não entendo como podem ter caído nessa armadilha. Vamos então fazer algumas considerações sobre o consagrado padrão:
 

1) Competições FIFA são de âmbito INTERNACIONAL em todos os aspectos incluindo venda de ingressos, patrocínios e cotas de TV;

2) Esses torneios são realizados no máximo uma vez por ano em formato de copa possuindo curta duração. O mais famoso deles a copa do mundo como todos sabemos é realizado quadrienalmente e corresponde por mais de 70% da arrecadação no período;

3) Na esmagadora maioria dos casos boa parte dos custos com estrutura e operação do evento são delegados ao governo do local que sedia a competição;

4) Quando a FIFA desenvolveu seu consagrado padrão em nenhum momento levou em consideração os custos com manutenção e sua viabilidade econômica ao longo de uma temporada;

5) Fazendo uma analogia simples a copa do mundo é como uma festa de casamento e as competições brasileiras são uma passadinha no buteco com os amigos. Se vc adotar o mesmo padrão de gastos terá um sério problema pois mesmo com recursos disponíveis a curto prazo ESSE PADRÃO NÃO É FINANCEIRAMENTE SUSTENTÁVEL;

6) Antes que alguém venha falar ah, mas e os europeus?? Eu poderia citar tantas coisas, mas vamos simplificar. Amiguinhos me façam um favor?? Vão até a varanda de suas casas/apartamentos e olhem pela janela, agora voltem e olhem qualquer cidade da Europa no Google Maps. Viram porque não podemos comparar? São realidades TOTALMENTE distintas.

 
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De posse dos argumentos apresentados acima, fica nítido o erro cometido por diversos clubes e empresas. A conta começa a chegar… A construtora OAS está vendendo sua participação nas arenas construídas.

No novo Maracanã o Mengão leva em média 30% da renda dos jogos. Palmeiras se vê pressionado por um custo de 700 mil por jogo. E o Corinthians terá que desembolsar em breve uma parcela de 100 milhões – até agora não viu um centavo da renda dos jogos realizados na “sua” Arena.

Toda essa situação não deve servir de maneira alguma para rubro-negros usarem aquela velha desculpa do “o Maraca é nosso” pois ainda que tenhamos todos os recordes e amplo domínio em qualquer aspecto, seja ele esportivo ou financeiro, o Maraca não foi, não é, e nunca será nosso. O consórcio dificilmente abandonará o Maracanã. Mesmo que o faça, outra empresa virá em seu lugar.

Ao invés de perdermos tempo discutindo o mérito dessa questão devemos nos focar em soluções viáveis.

Dá orgulho ver o atual momento do Mengão, estamos vendo a história acontecer diante dos nossos olhos com a evolução do projeto da Arena MultiUso (para mais infos clique aqui), recuperação da credibilidade institucional e um dos mais importantes passos: a construção do tão sonhado estádio. Quando este momento chegar (espero que em breve) devemos observar tudo o que aconteceu com nossos rivais para não sofrermos desnecessariamente.

Nós não precisamos de luxo e ostentação geralmente usados para compensar um nanismo histórico, o Flamengo é GIGANTE POR SUA PRÓPRIA NATUREZA. O estádio deve ser solução e não mais um problema.

Devemos continuar em nosso caminho de pés no chão e humildade rumo ao topo do mundo!