Os últimos dias foram conturbados para o Flamengo, primeiro a diretoria se submeteu a ameaça dos jogadores afastados e os reintegraram ao elenco, mas o pior é que sequer proibiram Oswaldo de escalá-los. E, o treinador disciplinador que fez um discurso “pra galera” na semana passada, logo colocou meio bonde no time titular e a outra metade no time reserva.



Foto: André Durão

As torcidas organizadas se uniram para protestar contra a sequência péssima de 7 derrotas em 8 jogos, time apático e a sequência de erros envolvendo a falta de disciplina do elenco e decisões equivocadas dos dirigentes. Primeiro foram pacificamente até a Gávea no sábado com faixas e protestaram pedindo para serem recebidos pelo presidente. No domingo haviam decidido que não cantariam, tocariam bateria ou balançariam bandeiras no 1° tempo, vaiariam os reintegrados e no 2° tempo se uniriam atrás do gol para juntas cantarem e tocarem.

Minha opinião é que o protesto não foi um erro, inclusive deveria ter sido feito antes, há 3 ou 4 jogos quando o Flamengo ainda brigava pelo G4. Entretanto preferiram não vaiar ou protestar enquanto o Flamengo tinha chances, portanto não gostei de ver as reclamações de torcedores e da imprensa 7 x 1, afinal o que não pode é o time emporcalhar o manto como vinha fazendo.

Vale ressaltar que isso não significa que as torcidas possam obrigar quem não quer protestar a fazê-lo, então as poucas confusões que houveram durante o jogo por esse motivo devem ser duramente criticadas.

Sobre o adversário, as notícias eram as melhores possíveis. Além de ser o 2° pior visitante do campeonato, o Goiás vinha de 6 derrotas nos últimos 8 jogos e briga contra o rebaixamento. Oras, sendo o adversário tão frágil não seria o momento de pôr o time que começou contra o Grêmio e foi bem, apenas trocando Guerrero (suspenso) por Kayke? Isso seria justo com quem entrou na fria, mas Oswaldo em sua “brilhante” lógica resolveu colocar em campo os reintegrados para que estes ficassem bonitos na foto jogando contra um adversário fraco.

Flamengo foi a campo com Paulo Victor – Pará, César Martins, Wallace, Jorge – Jajá, Márcio Araújo – Gabriel, Alan Patrick, Emerson – Kayke.

A troca de Canteros pôr Jajá fragilizou a marcação no meio de campo, principalmente por Alan Patrick pouco ajudar defensivamente. Contudo o meio do Goiás conseguia ser ainda mais improdutivo, o que somado aos espaços na defesa esmeraldina dava muito espaço para o meio e ataque do Flamengo produzirem, não havia marcação na saída de bola e a pressão só começava na entrada da área.

Logo de cara chamou a atenção tanto a facilidade com a qual o Flamengo chegava à área, quanto a facilidade de errar o último passe e as finalizações. Não importava quem tentava cruzar, a bola passava longe de onde deveria ir. Outro problema que atrapalhava o ataque era a presença de poucos jogadores dentro da área, geralmente apenas mais um além de Kayke, isso quando ele não saía pra ajudar a armar.

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Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Mas logo no início do jogo Alan Patrick tabelou com Gabriel, recebeu com caminho aberto e bateu colocado tirando do goleiro. O gol abriu o placar e fez algumas lágrimas de crocodilo serem derramadas na comemoração. Se o jogador estava sendo vaiado e não vinha rendendo a vários jogos a culpa era toda dele e de suas ações dentro e fora de campo, não cabe inverter e pôr a culpa na torcida.

Após o gol o Flamengo teve mais uma chance com Sheik em um lance que mostrou o porquê de o Flamengo não dever renovar com ele. Nitidamente a cabeça funciona em uma velocidade e o corpo em outra, a idade chega para todos, não tem como fugir. Após a chance clara perdida o Flamengo ainda encontrava espaços, o Goiás havia sentido o gol, mas o time rubro-negro não conseguia levar perigo.

Recuando e deixando o Goiás ter mais a bola, o Flamengo recolocou o adversário no jogo, foi agredido durante todo o último quarto do 1° tempo chegando a ter vários lances de bola parada a seu favor. E foi em uma cobrança rápida de falta que o Goiás pegou a defesa distraída, Pará sinalizando pro além não viu Erik passar por si para receber, Jorge tentou cobrir a falha, mas não chegou a tempo de evitar o empate no último lance do 1° tempo.

No intervalo Oswaldo deve ter chamado a atenção para a importância do jogo, fragilidade do adversário e, mais importante, os jogadores deviam estar ouvindo as organizadas juntas, cobrando todo o time a plenos pulmões. A única alteração foi a entrada de Jonas no lugar de Jajá, o que poderia ter sido ruim ofensivamente se não houvesse saído um gol logo de início.

Pará avançou no contra-ataque pegando a defesa do Goiás desarrumada, cruzou para a área e o goleiro se antecipou a Sheik, a sobra caiu nos pés de Alan Patrick que chutou de primeira, sem goleiro, para pôr o Flamengo novamente à frente do placar aos 3 minutos do 2° tempo.

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O Goiás tentou ir com tudo para o ataque e deixou muito espaço atrás, assim 3 minutos depois, novo contra-ataque e Jorge lançou Kayke, que recebeu sozinho, de cara com o goleiro que saía do gol e finalizou com inteligência, marcando o 3°. O golpe fez o Goiás se perder em campo, deixar mais espaço e o Flamengo cresceu, pressionou até que Pará sofreu falta na lateral da área, Alan Patrick alçou a bola e Kayke subiu para cabecear sem chance pro goleiro.

O quarto gol sacramentou o resultado aos 19 minutos do 2° tempo, as entradas de Éverton no lugar do extenuado Gabriel, que jogou muito bem, dando muitas opções no ataque, e de Canteros no lugar de Alan Patrick apenas estabilizaram o placar. Foi como se com a entrada do volante Oswaldo houvesse pedido pro time recuar e administrar.

Se houvesse punição por falta de combatividade o jogo teria terminado empatado. O Flamengo atrás deixava o Goiás tocar a bola no meio-campo, enquanto o esmeraldino não atacava forte para não dar espaço pro rubro-negro. Foram quase vinte minutos de jogo sonolento, despretensioso, com o Goiás vez por outra aparecendo com algum perigo, mas até pelo medo de se expor atacando com apenas 3, no máximo 4 jogadores, o que dificultava qualquer ameaça real.

No finzinho o Goiás pressionou, teve algumas chances de perigo, mas nada que diminuísse a facilidade da partida. No fim, contra um time que dava espaços na defesa, tinha um meio-campo improdutivo e um ataque com péssima pontaria, o Flamengo não fez mais que a obrigação e goleou.

Que tenham o cenário em mente nos 10 dias de pausa do campeonato para não se iludirem, acharem que está tudo bem e todos se “recuperaram”, pois o próximo jogo é contra o Santos.

Saudações Rubro-Negras

Em tempo: Parabéns ao Jorge pela convocação para a seleção olímpica, se tudo der certo estará vestindo a amarelinha em 2016, no Rio de Janeiro, e aumentando bastante o valor dos seus direitos econômicos, que pertencem ao Flamengo.

 


Nayra M. Vieira faz parte da equipe MRN Informação e também escreve no Blog Flamengo em Foco, da plataforma MRN Blogs. Twitter: @NayraMV
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