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Gustavo Roman | Twitter: @guroman


 

Por ter vencido os dois turnos anteriores, o Flamengo entrou no derradeiro com dois pontos de vantagem sobre os demais sete rivais. Era uma dianteira considerável, considerando-se que apenas sete partidas seriam disputadas e a inegável qualidade do elenco rubro-negro.

Antes da estréia, mais um reforço chegou a Gávea. Por empréstimo até o fim do ano, o clube contratou o zagueiro Boca, da Francana.

No último coletivo antes do jogo com a Portuguesa, os titulares venceram por 5 a 3, gols de Cláudio Adão (2), Adílio, Júlio César e Tita. Luisinho (2) e Boca. Nesse treino, ficou decidido que Andrade seria o lateral direito, já que Toninho estava suspenso e Leandro, sem ritmo de jogo. Para completar o clima de otimismo, Júnior, em entrevista a O Globo, diz que prefere o tricampeonato pelo Flamengo a Copa América pela seleção.



Apesar disso e da vitória de três a zero (Tita, Reinaldo e Leandro), o time não esteve bem e deixou o gramado sob vaias. Diante da fragilidade do oponente, a torcida queria mais gols!

A próxima partida seria frente ao Goytacaz, novamente no Maracanã. No coletivo apronto, goleada dos titulares por cinco a zero em cima dos juvenis. Tita (3), Júnior e Adílio marcaram.

Se na rodada anterior, o time não esteve bem, no confronto contra o time de Campos, a equipe se acertou. A goleada veio, por cinco a um, com gols de Cláudio Adão (2), Tita (2) e Adílio. Dessa vez, a torcida não reclamou.



Na terceira rodada, uma difícil vitória sobre o Bangu, por apenas um tento a zero, deixou a equipe rubro-negra com 100% de aproveitamento. Tita, o autor do gol, mostrou que vivia grande fase. Atuando em sua real posição (a mesma que Zico), ele desandou a marcar gols e jogar bem.

O que ninguém esperava era o tropeço que se seguiria. Uma acachapante derrota para o Fluminense, por três a zero, em um dia que nada funcionou na equipe. Zico, ainda sentindo a lesão, entrou no segundo tempo, perdeu um pênalti e agravou a contusão.  Mesmo assim, o time seguiu na liderança da competição, já que entrou com dois pontos de bonificação. Após o jogo, Coutinho, disse que um tropeço era possível e que a vantagem de ter conquistado os turnos anteriores havia causado certo relaxamento. Agora, era voltar a vencer para conquistar o Tri!

A preocupação de todos na Gávea era como o time ia reagir a essa derrota. Para sorte de todos, a semifinal da Copa América, diante do Paraguai desviou o foco e deixou o clube se preparar para os três últimos compromissos em paz.

Na quinta rodada, o Flamengo se recuperou. Zico, mais uma vez tentou forçar a sua escalação. Saiu jogando e teve que ser substituído no intervalo. Ele não voltaria mais a atuar no campeonato. Mesmo assim, jogando no Maracanã, o time bateu o Americano, por três a zero. Todos os gols foram marcados por Tita, em forma exuberante.

Pela mesma rodada, o Botafogo goleou o Fluminense (4×0). Com isso, Flamengo e Vasco lideram o turno final sem pontos perdidos. Botafogo e Fluminense vinham a seguir, com dois pontos perdidos. Faltando duas rodadas para o fim, a briga estava boa.

No clássico da sexta e penúltima rodada, o rubro-negro iria enfrentar o Vasco, em jogo que poderia garantir o Tricampeonato antecipado ao clube da Gávea.

Na rodada, o Botafogo bateu o Goytacaz e o Fluminense, a Portuguesa, mantendo as chances de ambos no campeonato.

Flamengo 3×2 Vasco

Taticamente, Coutinho mantinha o time e o esquema habituais. Carpegianni e Adílio jogavam um pouco mais recuados, marcando e organizando o time. Tita era o ponta de lança, substituindo Zico. Reinaldo atuava aberto pela direita. Cláudio Adão era o centroavante e Júlio César, o extrema esquerda. O Vasco atuava no clássico 4-3-3 da época.

Aos cinco, Adão ajeitou de calcanhar para a penetração de Adílio. O neguinho bom de bola invadiu a grande área e bateu rasteiro. A bola passou raspando a trave direita de Leão.

Aos 11, o primeiro gol rubro negro. Para variar, nascido de um contra ataque mortal. Adílio lançou Júlio César em profundidade, nas costas de Orlando. Na base da velocidade, Uri Geller foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Ivã se antecipou a Cláudio Adão, mas acabou marcando contra. Flamengo um a zero.

Em desvantagem no marcador, o Vasco se perdeu. Dois minutos depois, Tita ficou cara a cara com Leão, depois de uma bola mal cortada por Marco Antônio. O camisa 10, entretanto, acabou tocando para fora e desperdiçando ótima chance de ampliar o marcador.

Aos 21, Júlio César passou por dois e tocou para Cláudio Adão. O atacante ganhou a dividida com Gaúcho e saiu na cara de Leão. Porém, ao tentar driblar o goleiro, acabou perdendo a bola. A sobra ficou com Júlio César, que acabou desarmado. Na seqüência da jogada, a redonda chegou até a ponta direita, para Reinaldo. O bigodudo finalizou fraco, mas com muito efeito. Leão falhou e bateu roupa e Tita, oportunista como sempre apenas teve o trabalho de tocar para as redes. Com menos da metade do primeiro tempo jogado, o fla já vencia por dois a zero.

O rubro negro tinha tudo sob controle. Tocava a bola, marcava bem e não era ameaçado pelo Vasco. Até que aos 38, Orlando cobrou lateral, Guina cruzou, de maneira despretensiosa. Roberto cabeceou para baixo. Toninho tentou cortar, mas errou a cabeçada e ainda desviou a bola, tirando qualquer chance de defesa de Cantarele. Dois a um.

O apagão do Flamengo continuou. Aos 42, Guina bateu por cima, depois de uma bela ajeitada de Dudu. Um minuto depois, não teve jeito. O Vasco cobrou uma falta rápida. Wilsinho foi a linha de fundo e cruzou para trás, rasteiro. Roberto fez o corta luz. Guina ajeitou de calcanhar para Catinha, que, de três dedos mandou a pelota para o fundo das redes. Num piscar de olhos, o clássico dos milhões estava empatado. Dois a dois.

No intervalo, Coutinho, revoltado disse no microfone da TV Globo que time que quer ser tricampeão não pode dar bobeira como deu o seu time.

A etapa final começou de maneira cautelosa. Afinal, se o empate não decidia nada, a derrota praticamente alijava o perdedor da disputa pelo título. Aos 12, Guina bateu de longe e obrigou Cantarele a espalmar para escanteio.

A partida estava equilibrada quando aos 20 minutos, Toninho cruzou da direita. Titã subiu demais e cabeceou no alto, fora do alcance de Leão. Um golaço! Flamengo três a dois. No mesmo momento, Coutinho sacou Júlio César do time, fazendo entrar Andrade e rearmando a equipe numa espécie de 4-1-2-1-2.

Aos 24, Tita, novamente de cabeça, perdeu ótima oportunidade de aumentar a vantagem rubro-negra. Precisando pelo menos do empate, o Vasco mudou. Paulinho entrou no lugar de Wilsinho, para tentar dar mais força ofensiva ao time da cruz de malta.

Faltando oito minutos, o Vasco foi pro tudo ou nada. O atacante xaxá substituiu o meia Dudu. De nada adiantou, a torcida do Flamengo começou a gritar “Tricampeão! Tricampeão”! No fim das contas, deu rubro-negro, três a dois.

De fato, o tri estava muito próximo. Até Coutinho entrou na onda, dizendo já se considerar tri. Entretanto, o confuso regulamento do certame diz que só haverá jogo extra se dois clubes terminarem empatados. Em caso de três ou mais clube empatarem em primeiro lugar, o campeão será o clube que tiver o maior somatório de pontos no geral (Flamengo).

O mengo era o líder isolado, sem pontos perdidos. Em seguida, vinham Vasco, Fluminense e Botafogo, com dois pontos perdidos. Isso queria dizer que, se houvesse um vencedor na partida de sábado, entre Vasco e Fluminense, o clube da Gávea seria Tricampeão por antecipação, mesmo que perdesse para o Botafogo (se essa hipótese acontecesse, Fla, bota e o vencedor do jogo de sábado terminariam empatados, com dois pontos perdidos e o Flamengo seria o campeão por ter somado o maior número de pontos nos turnos anteriores).

No sábado, o Vasco venceu o Fluminense, por três a dois e garantiu o título antecipado da equipe de Zico, Júnior e Coutinho. O clássico diante do Botafogo passou a ser um mero amistoso, ou como disse Zico “o jogo de entrega das faixas”.

Flamengo 0x0 Botafogo

Mesmo sendo um “amistoso”, o Flamengo começou em cima. Aos cinco minutos, Júnior, deslocado pela direita, tentou a finalização, mas Borrachinha fez uma ótima defesa e salvou o alvinegro.

Adão perdeu uma boa chance de cabeça, aos 12. Aos 13, Renato Sá foi expulso, por reclamar e xingar o bandeirinha. A tarefa rubro-negra ficava, pelo menos em tese, facilitada.

Só que o mengo pareceu se acomodar em campo. Só foi ameaçar de novo aos 35, quando Cláudio Adão, sozinho, cabeceou para fora um cruzamento perfeito de Toninho. Sem inspiração de parte a parte, nada mais aconteceu no primeiro tempo.

Na volta do intervalo, em entrevista a TV Globo, Coutinho foi preciso em sua análise “O time precisa tocar a bola e virar o jogo com maior rapidez. Estamos segurando de mais a bola e perdendo velocidade. Precisamos explorar o fato de termos um homem a mais”.

Na verdade, além da preguiça, o treinador rubro-negro sofria com os desfalques. Zico e Tita, os melhores jogadores durante a competição não puderam jogar. Assim, Coutinho escalou o time com Cantarele, Toninho, Rondinelli, Manguito e Júnior. Andrade, Carpegianni e Adílio, Reinaldo, Cláudio Adão e Júlio César.

Outro empecilho foi a tarde muito ruim de alguns atletas. Adão, por exemplo, irritou tanto o torcedor presente ao Maracanã que a galera começou a pedir a entrada de Beijoca, que se encontrava visivelmente fora de forma. Adílio era outro que não rendia bem fora de sua posição.

Aos 18, Coutinho atendeu o apelo da arquibancada e pôs em campo Beijoca no lugar de Cláudio Adão.

Com tanta falta de inspiração assim, foi o Botafogo quem assustou. Aos 24, Gil escapou sozinho pela ponta direita, invadiu a área e bateu firme. Cantarele conseguiu desviar e Manguito despachou de vez o perigo.

Aos 38, Adílio recebeu de Beijoca na entrada da área. Ele gingou na frente dos marcadores e bateu no ângulo esquerdo. Borrachinha voou e conseguiu espalmar para escanteio.

Apesar de tudo, a festa do Tricampeonato foi linda e merecida. O Flamengo terminou o turno final com apenas um ponto perdido. O Vasco foi vice, com dois. O Botafogo, foi o terceiro, com três. Em quarto, ficou o Fluminense, com quatro.

No próximo texto: O Campeonato Brasileiro de 79. Até breve!


Gustavo RomanGustavo Roman é jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros No campo e na moralFlamengo campeão brasileiro de 1987, Sarriá 82 – O que faltou ao futebol-arte? e 150 Curiosidades das Copas do Mundo. Conhecido como um dos maiores colecionadores de gravações de jogos de futebol, publica toda quinta-feira, aqui no MRN, a série “Biografia Rubro Negra 1978-1992”, onde conta a saga do período mais vitorioso da história do clube mais querido do mundo.


 

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