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Luiz Filipe Machado | Twitter @luizfilipecm

20150918001641_752Brasília passou a SEMANA respirando o jogo do Flamengo. 64 mil ingressos vendidos até a véspera do jogo. E não vendeu mais porque não tinha. Teve gente chorando ingresso até a hora do jogo. Só o que se via era preto e vermelho na rua.

O DFTV passou todos os dias falando do Flamengo. Quando não era matéria sobre o jogo, passava alguém usando o manto atrás do repórter.

Eu nunca tinha ido a um estádio absolutamente lotado. Na hora que eu entrei, passei uns 5 minutos olhando as arquibancadas. Embasbacado. Só depois fui conseguir olhar pro campo. A torcida cantava, fazia olha, curtia o jogo mesmo antes da bola rolar. Com 30 segundos de jogo o Flamengo já tinha perdido uma bola ridícula, mesmo assim a torcida vibrou com a defesa do PV.

Aí o Flamengo legou o primeiro gol e a torcida continuou apoiando. Até o anti do Luiz Carlos Júnior elogiou a empolgação da torcida, aos 20 minutos.

Mesmo com as exageradas vaias ao César Martins, a torcida continuou cantando. Inclusive, na hora que o Flamengo deu a saída de bola, depois do segundo gol, a torcida cantou. E gradualmente apareciam aplausos e diminuíam as vaias ao César Martins.


Agora eu penso pra você imaginar a situação do torcedor de Brasília.

O Flamengo vinha de 6 vitórias seguidas. Os ingressos foram embora antes do dia do jogo, com a torcida enfrentando filas enormes pra comprar as entradas. E até os STs passando mais de uma hora em fila para retirar os ingressos. Só se via camisa do Flamengo nas ruas. Festa no aeroporto, festa no hotel, festa antes de começar o jogo, e o time não reage? A torcida fica impaciente.

O Canteros estava tão desligado que mais de uma vez, vi jogadores do Flamengo arrumarem o posicionamento dele. O ÚNICO jogador que passou os 90 minutos ligado foi o Pará. Esse ganha meu respeito a cada jogo.

Agora eu vou bancar o “jogo no estádio é diferente”. Estou vendo o jogo gravado, enquanto escrevo. E aos 38′ a torcida se indigna com algo que nem dá pra notar. Eu lembro o que foi. O time NÃO SE MEXIA. Ninguém aparecia pra dar opção de jogo. E isso era TODA HORA. A saída ida defesa pro ataque morria porque ninguém dava opção.

Você não ficaria indignado se apoiasse o time e os jogadores parecessem nem ligar pra isso? O @piroquio definiu muito bem a química torcida/time:

piroquio

Em poucos momentos a torcida ficou calada no primeiro tempo. Imagino que a vaia na saída do time tenha sido indignação por isso. A torcida empurrava e o time nem ligava. E o Coritiba, sem torcida, tava muito mais ligado no jogo. Ou seria que os 12 torcedores deles fizeram mais barulho que nossos 67.000?

No segundo tempo, com o time precisando de 2 gols pro empate, cansei de ver o Flamengo atacando com 5 e o Coritiba defendendo com 8, 9. Parecia que estávamos confortáveis com a derrota.

E mesmo com o time apático, a torcida ainda gritava VAMOS FLAMENGO aos 16′ do segundo tempo, a plenos pulmões. Sem contar com reações a cada lance, até os 40′.

Eu acho absurdo gritar olé pro próprio time. Nem vou tentar defender isso.

Mas isso não acontece só no Mané Garrincha:

Americano

 

StoAndre

Então, nada de cagar regra na cabeça de quem “não sabe torcer”.

Ainda vi reclamações sobre os torcedores que saíram do estádio antes do fim do jogo.

A gente não tem o costume de ir a jogo de futebol, muito menos em meio de semana. Eu mesmo duvidei que fosse encher o estádio. Mesmo com o Mané Garrincha sendo muito central, o acesso é ruim. Passei 40 minutos na fila pra conseguir entrar no estádio. Eu que voltei pra casa de carro demorei. Imagina a galera que foi pra casa de ônibus? Que deve ter caminhado uma meia hora só pra chegar na rodoviária, pra pegar um ônibus e chegar em casa lá pra 1h da manhã. Reclamam que o metrô do Rio é ruim, mas o de Brasília é praticamente inexistente. Repetindo, aqui não existe o costume de ir a estádio no meio da semana e sair tarde, precisando trabalhar no outro dia. Isso pesa. Além disso, o torcedor que apoiou o time, e não viu NENHUMA REAÇÃO encheu o saco. É uma via de mão dupla.

Aliás, seguindo a cartilha do Torcedor do Maracanã, eu devo ser um baita coxinha. Durante o jogo, eu fico quieto, tenso. Reajo a cada lance. Xingo juiz, fico gritando com os jogadores como se eles fossem me ouvir, saio quase sem voz. Mas não sou de ficar cantando as músicas o tempo todo. Se tivesse uma câmera me filmando o tempo todo, iam me chamar de FlaCoxinha pra baixo. Desculpem, é assim que eu torço. Acho sensacional quem pula e canta o tempo todo, mas eu sou diferente. Nem por isso sou menos rubro negro que você.

Apesar disso tudo, no final ainda vi um torcedor tirando uma selfie, sorrindo. Eu sei que a galera do Maracanã, que vê o time toda semana, patrulha isso. Não pode sorrir em derrota, nem tirar selfie. Mas aquele cara, que pagou no ingresso ⅓ do que vale o celular que ele usou pra foto, pra ver o Flamengo uma vez na vida, vai lembrar pro resto da vida do dia que ele lotou o Mané Garrincha, e o Flamengo não jogou bola.

Eu só queria entender como que o Flamengo perdeu de 3×0, em casa pro Corinthians. Ou por que o, LANTERNA, Vasco nos tirou da Copa do Brasil em pleno Maracanã. E até queria que me explicassem porque vencemos em Natal, com 20 mil na torcida. A galera de lá torce melhor que a de Brasília, ou o TIME jogou bem lá?

Não dá pra se gabar da Nação e ficar enchendo o saco da torcida OffRio. O Flamengo não é o Corinthians. Nossa torcida é nacional. Se gabem disso, mas respeitem quem não mora na cidade sede do Clube.

Só não posto aqui a SELFIE que tirei com a minha mulher, no estádio, porque ela é tímida. Mas eu tirei. E comi churros.

 

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