Mariana Sá | Twitter @imastargirl

Árbitra Simone Xavier de Paula e Silva reconheceu que o estado do campo era ruim, mas alegou ter recebido ordens para dar início ao jogo, independentemente das condições do gramado. | Foto Flamengo

Árbitra Simone Xavier de Paula e Silva reconheceu que o estado do campo era ruim, mas alegou ter recebido ordens para dar início ao jogo, independentemente das condições do gramado. | Foto Flamengo

Na noite desta terça-feira (15), o Flamengo expôs em seu site oficial uma situação que chamou a atenção de muitas pessoas. A partida entre o clube e o Barcelona-RJ, válida pelo Campeonato Estadual Feminino, não aconteceu graças à péssima condição do gramado. Situações como essa não são tão incomuns quanto muitos imaginam e, infelizmente, as mulheres brasileiras sofrem com isso há anos.


Oito anos atrás, durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2007, as atletas entraram em campo após perderem a final com a faixa “Brasil, precisamos de apoio”. Aquele foi um pedido de socorro silencioso, um grito por ajuda ignorado. Podemos ter evoluído desde então, entretanto andamos lentamente, quase parando.

O futebol feminino sofre todos os dias com o descaso daqueles que deveriam ser os primeiros a investir. A luta contra o preconceito é diária, seja das iniciantes ou de jogadoras da seleção, dentro ou fora de campo. Enquanto outros países evoluem cada vez mais, o Brasil fica pra trás e é difícil esperar uma mudança dessa situação.

Há alguns meses o Flamengo se uniu a Marinha para iniciar o projeto do futebol feminino no clube. As meninas se destacaram com vários resultados positivos e seguem fortes na disputa do Campeonato Brasileiro e do Carioca. No Estadual, a campanha da equipe é 100% com oito vitórias e incríveis 50 gols marcados, sem levar nenhum.

A FERJ, que organiza o Campeonato Estadual, é uma das federações com a pior política para o futebol feminino. Os altos valores para a inscrição de times e o baixo investimento na competição prejudicam e muito a evolução das equipes. Situações como a vivida pelo Flamengo/Marinha são consequência desse descaso.

A atitude do clube de não permitir a entrada das meninas em campo é mais do que certa. Todos os envolvidos sabiam do risco e estavam cientes de que colocar as meninas para jogar seria pôr em jogo meses de trabalho. É muito claro que não havia condições de realizar a partida, mas apenas o Flamengo/Marinha se opôs a esse absurdo.


Está nas mãos da FERJ definir se o clube leva ou não o WO na partida. Infelizmente, a Federação está longe de pensar no bem do esporte carioca, então podemos esperar qualquer decisão. Quem perde com isso não é só o Flamengo, campeonato ou qualquer um. Perde o futebol feminino, que enfrenta esse tipo de dificuldade não pela primeira e certamente não pela última vez.

 

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