A população brasileira vive atônita diante de tantas ocorrências nos últimos tempos. Parece que vivemos uma realidade tão surreal, que nada mais nos assusta. Até o bombardeio diário de notícias ruins ou sensacionalistas aparentam não mais surtir efeito. A indignação tão propalada pelo saudoso Darcy Ribeiro deu lugar a um estado catatônico coletivo.

Nada traduz melhor esse momento, que o olhar do torcedor presente no Mineirão no dia em que a seleção alemã venceu a brasileira por 7×1. A derrota do Flamengo para o Corinthians na décima terceira rodada foi nosso pesadelo particular e só não foi maior porque, pelo menos em metade do jogo, o Flamengo demonstrou qualidades, domínio da partida e superioridade.

Para compreendermos o resultado, nós temos que aceitar que tudo que ocorreu faz parte do futebol e que nada acontece por acaso. O Flamengo na temporada 2016 ainda é muito distante daquilo que desejamos. A cada insucesso buscamos um culpado. E para cada culpado, sempre aparecem defensores.

 Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Aos que ficaram frustrados com o inesperado resultado eu apresento a minha visão dos fatos, a de que a nossa derrota já estava escrita desde a escalação de Heber Roberto Lopes, que possui o péssimo hábito de estragar partidas de futebol. Se alguém duvida, basta ler o que argentinos e chilenos acharam da arbitragem dele na final da Copa América.

Um árbitro errar também faz parte do futebol. Apitar em favor da “camisa mais forte” acaba sendo uma normalidade, semelhante a uma contravenção. Mas certos sopradores de apito já desanimam os torcedores quando são anunciados. Até ontem, eu mesmo pensei que a entrada do Fagner em Éderson fosse, talvez, um “jogo perigoso”. Mas hoje, ao rever o lance de outro ângulo, fiquei muito triste.


Compartilho aqui as imagens dessa falta criminosa e peço ao leitor que a separe do resultado da partida. Objetivamente não há como afirmar se o Flamengo venceria o jogo ou se evitaria a goleada, caso Fagner fosse expulso. São coisas que só podemos especular. Tá longe de ser choradeira. Nunca reclamei de resultados em decorrência de erros de arbitragem. Até por que, se Heber Roberto erra assim de maneira frequente, a CBF nos deve sérias explicações sobre os critérios que utiliza para promover os árbitros para seu quadro da FIFA.

A não marcação da falta, a expulsão do Zé Ricardo, e o exposto na súmula da partida são motivos claros para a imediata suspensão de Heber Roberto Lopes. E mais, o momento é privilegiado para que se faça um levantamento estatístico dos resultados de cada equipe que este e os demais árbitros brasileiros apresentam. Ou seja, quantas partidas o Corinthians ganhou, empatou ou perdeu com o Heber apitando. E quantos jogos o Flamengo venceu com Sandro Meira Ricci no apito.

A condição de flagrante corrupção encontrada nos quadros da CBF e FIFA é motivo suficiente para que os torcedores das equipes prejudicadas acreditem em possíveis arranjos de jogos, como os que já ocorreram sob o comando do ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho e, anteriormente, na máfia da loteria denunciada pela Revista Placar.

Só nas três partidas que vi nesta rodada, as arbitragens favoreceram equipes paulistas ou prejudicaram quem as ameaça na tabela. Além do Flamengo, Atlético Mineiro questionam a expulsão do atacante Fred. Confesso não ter visto a cotovelada alegada. E no jogo que fechou a rodada, jogadores do Sport reclamaram muito do juiz, principalmente de uma não expulsão de um atleta do Palmeiras, que nesse momento se encontra a oito pontos do Fla e do Galo. Coincidências?

Feito esse desabafo, que enfatizo, não é desculpa para a goleada que sofremos, apresento a minha visão sobre o jogo:

Corinthians 4×0 Flamengo

O jogo começou demonstrando uma fragilidade na marcação pelo lado direito da defesa do Flamengo. Marquinhos Gabriel e Wendel levaram vantagens sobre Rodinei em consecutivos lances. Em uma dessas jogadas, Muralha fez grande defesa. Cirino conseguiu ser nulo no ataque e omisso na ajuda ao lateral do Fla.

Pelo lado esquerdo a coisa era diferente. Ederson, além de fazer boas jogadas ofensivas, foi visto várias vezes na defesa, o que só não facilitou mais a vida do Jorge, por que este escorregou por duas vezes, diante da velha estratégia de jogar água no gramado.

Gradativamente o Flamengo foi melhorando, adiantou a marcação, induzindo o adversário ao erro. O time rubro-negro trocava passes demonstrando tranquilidade e passou a dominar a partida, tendo aumentada sua posse de bola e as chances de gol. Em uma delas, Ederson chutou uma bola cruzada, que caprichosamente bateu na trave. No rebote, o trágico Cirino deu uma senhora furada quase dentro da pequena área.

Indiscutivelmente, Ederson era o melhor jogador em campo. Sua função tática bem aplicada à técnica, vontade, velocidade e força fizeram a partida pender para o Flamengo. Em uma de suas grandes jogadas, ganhou a bola de Fagner e foi em direção a linha de fundo, quando o lateral do Corinthians se valeu de uma jogada desclassificante. O resto da história todos já sabem…

Fomos para o intervalo com o sentimento de que poderíamos ter vencido o primeiro tempo. E foi então que nossa derrota começava a ser desenhada. Em função da péssima atuação, Zé Ricardo deveria ter sacado Cirino do time, mas vou lhe conceder o benefício da dúvida, pois talvez ele aguardasse a definição da situação clínica do Ederson, que poderia ter ficado comprometida.

Ao retornar para o segundo tempo, Ederson bem que tentou jogar, mas em mais um lance com Fagner, com o qual fazia um duelo a parte, acabou pedindo substituição. Entrou Everton, que não jogou absolutamente nada e que ainda parou de dar apoio ao lateral Jorge. E aí quero enfatizar uma situação bem específica. O Flamengo talvez seja o time mais disciplinado da competição. E para uma equipe que faz poucas faltas, os dois cartões amarelos aplicados por Heber nesta partida são no mínimo questionáveis.

Pois saibam que o que faltou ao Flamengo para evitar o primeiro gol foi justamente uma daquelas faltas lá no ataque, bem típicas do Muricybol. E bastou que o jogador caísse em falta duvidosa, para os padrões habituais, para que o árbitro marcasse a infração.

Bem, até esse momento os erros do Flamengo e de Zé Ricardo poderiam ser considerados normais. Eis que surge a cobrança de escanteio e parte da defesa do Flamengo comete rigorosamente a mesma besteira que Leandro Guerreiro cometera dias antes, em favor do mesmo Corinthians. Márcio Araújo e Jorge ficaram comendo mosca parados e acabaram ajudando a consagrar o tal do Romero. Mais um gol no campeonato que presenteamos nosso adversário.

Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Gol do Corinthians. A antes apreensiva torcida dos gambás só precisava disso para acreditar na mística de seu apoio fiel. Contra o Coritiba foi muito parecido, o time perdia, mas virou de maneira surpreendente. Por mais que falem o contrário, até o lance da falta, que originou o corner, que resultou no gol, o Corinthians não era superior ao Flamengo.

Nossa equipe ainda tentou retomar as rédeas, continuando a tocar a bola, mas aí Zé Ricardo cometeu um erro mortal. Ele tinha que ter sacado de imediato Márcio Araújo, que perdera a função com o placar adverso. Afinal, Márcio fazia um jogo de forte marcação, numa correria desenfreada, mas que foi útil ao Flamengo até certo momento. Cuellar deveria ter entrado para reposicionar taticamente o time.

Márcio Araújo ficava praticamente como um terceiro zagueiro. Houve vários momentos na partida onde ele se posicionou em linha com Rever e Vaz. Com o time em desvantagem no placar, Márcio Araújo se perdeu completamente e começou a correr atrás dos jogadores do Corinthians.

O time desabou. E tem uma explicação. Quando se leva um gol, o jogador brasileiro tende a esperar que seu treinador lhe diga o que fazer. Os do Flamengo, ao olharem para o banco, não viam seu treinador Zé Ricardo. Lá estava Jayme de Almeida, pessoa pela qual tenho profundo respeito, mas que não sabia rigorosamente o que fazer para mudar o jogo. Thiago Santos, como eu sempre pedi, acabou entrando, porém o time já estava abatido.

A explicação dos 4×0 esta aí. O Flamengo foi superior enquanto Ederson esteve em campo. A previsão preliminar é a de que fique afastado por cerca de 30 dias. Que prejuízo! O sonho do hepta foi roubado. Os melhores momentos que o Flamengo viveu neste Brasileirão foram com Ederson em campo. E agora?

Paramos na sétima posição. O desastre poderia ser ainda maior. Jogaremos no próximo fim de semana alijados do Ederson e de Rodnei. Espero que Zé Ricardo tire coelho da cartola e que esse coelho fale espanhol.

Tendências: Flamengo – Descolar do G4; Corinthians – Se manter no G4, enquanto o gás do Tite não acabar.

 

Outros confrontos da rodada:

Fluminense 0x0 Coritiba – Péssimo resultado para o tricolor. Esse jogo deve ter sido muito duro… de se ver. Tendências: Flu – Meio de tabela; Coxa – torcer para que outros sejam ainda piores que ele.

Alético/PR 1×0 América – A equipe paranaense de Paulo Autuori aproveitou a oportunidade de chutar um combalido América, que está mudando o termo “cachorro morto” para “coelho morto”. Tendências: CAP – Meio de tabela; América – Alguns dizem que já caiu.

Cruzeiro 2×2 Vitória – Depois de receber rasgados elogios de parte de nossa torcida no Twitter, a equipe celeste literalmente peidou na farofa. Após estar ganhando de 2×0, diante de um estádio com mais de 45 mil pagantes, o Cruzeiro flamengou. Tendências: ficarem abraçados, só não se sabe aonde.

Internacional 0x1 Grêmio– O que aconteceu com o Inter? Fácil, ele disputa um campeonato extremamente difícil e uma sequência de maus resultados é algo até previsível. Mas será que a diretoria e a torcida do Colorado vão entender isso? Tendências: Inter – Viés de queda livre; Grêmio – Se manter no G4.

Botafogo 2×1 Santa Cruz – O Foguinho nem é tão ruim ofensivamente, mas tem um tal de Renan na zaga, que me faz pensar o quanto o reserva dele deve ser horroroso. E o Santinha? Meu Deus! Tendências: briga dura para ver quem cai…

Santos 3×0 Chapecoense – A Chape sentiu a saída de seu treinador e o Santos se aproveitou.   Tendências: Santos – G6, Chape – meio de tabela, com viés de baixa.

Ponte Preta 1×0 São Paulo – Estão fazendo fila para bater no São Paulo. Tendências: Ponte Preta – Que time mais estranho; São Paulo – Abandonou o campeonato, só pensa “naquilo”.

Figueirense 1×1 Atlético/MG– Quando parecia que decolaria, o Galo deu ré na tabela. Sorte nossa. Sorte? Saberemos na próxima rodada. Tendências: Figueirense – Z4; Atlético/MG –G5.

Sport 1×3 Palmeiras – De certa forma deu a lógica. É a típica vitória que pode fazer a diferença na reta final da competição, fora de casa vale muito, principalmente para uma equipe que tem 100% de aproveitamento em seu próprio estádio. Tendências: Sport – Meio baixo de tabela; Palmeiras – Luta pelo título.

Só pinta classificação completa quando eu estiver de bom humor…

 

Cordiais Saudações Rubro-Negras!