Empresa ligada a diversos escândalos pode ser a escolhida de Pezão para assumir estádio

Depois da derrota para o Confiança na estreia da Copa do Brasil, o presidente do Flamengo declarou que estava mais preocupado com a questão do Maracanã. O motivo: o Governo do Estado do Rio de Janeiro articula a entrega da administração para a BWA, empresa que assumiria, na prática, como representante do Consórcio Complexo Esportivo Cultural do Rio de Janeiro que perdeu a licitação para o Consórcio Maracanã S/A em maio de 2013. O pool de empresas derrotado era formado pela Construtora OAS,  Stadion Amsterdam N.V., e a Lagardère Unlimited, esta última associada da BWA.


A resolução do assunto é visto com muita urgência no Gabinete da Casa Civil. O Maracanã não recebe jogos desde dezembro do ano passado e nas últimas semanas a pressão popular se tornou insuportável, com as denúncias de abandono do Complexo. E há conversas adiantadas para que a entrega seja feita através de um dispositivo legal, sem que haja necessidade de lançamento de um novo edital. Com isso, o Flamengo continuaria sem possibilidade de administrar o estádio.

O Fla promete jogar duro contra a tentativa do Governo. Há o entendimento que a manobra está sendo feita para excluir novamente os clubes. A justificativa é a de que estes são instáveis política e economicamente. Um parecer frágil, tendo em vista o fato de ser a Odebrecht, com presidente condenado a 19 anos de cadeia por envolvimento em diversos crimes, a empresa responsável por cuidar do Maracanã nos últimos dois anos e meio.

A BWA (Ingresso Fácil) já foi parceira do Flamengo na comercialização de ingressos para jogos. A empresa também era credora do clube, formalizando empréstimos de emergência com juros altíssimos na gestão de Patrícia Amorim. O rompimento de relações entre Flamengo e BWA foi motivo de comemoração entre os novos gestores que assumiram o clube em janeiro de 2013. A empresa sempre foi suspeita de manter relações com cambistas, falsificação de ingressos e tráfico de influência.

Além disso, no que tange o serviço propriamente dito, a BWA nunca foi conhecida pela eficiência. Poucos pontos de venda eram disponibilizados e os sistemas de catracas nunca foram eficientes, causando sempre indignação aos usuários nos jogos em que ela operava pelo Brasil. As ações nas mesas do Ministério Público e dos órgãos de assistência ao consumidor, como os Procons, se tornaram numerosas.

Em reportagem publicada pelo Jornal O Estado de São Paulo, em 21/04/ 2013 (leia aqui), o jornalista Almir Leite relaciona como a BWA já tinha sido alvo de diversas operações policiais desde 1992, quando entrou no mercado de venda de ingressos. Em especial, uma chama nossa atenção. Em 2009, a operação chamada Gol de Mão, da Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu, antes do confronto entre o Flamengo x Grêmio no Maracanã, 8 mil ingressos de gratuidade que supostamente seriam vendidos.

Flamengo vai jogar duro

Dentro do clube há um clima de indignação por, mais uma vez, a instituição ser colocada de lado. Bandeira de Mello entende que a preocupação quanto às garantias do Flamengo como ente administrativo não pode ter um peso maior do que um acordo firmado sem lançamento de nova licitação por parte do Governo Pezão. O Secretário de Estado da Casa Civil, Leonardo Espíndola declarou em fevereiro deste ano que os clubes não estariam alijados de um novo processo licitatório decorrente de um acordo de entrega com a atual concessionária. Uma manobra que evitasse a licitação e retirasse a Odebrecht sem custos entre as partes é visto como solução estratégica para os interesses governamentais, que nesse caso, novamente vai na contramão do interesse esportivo. Outro ponto importante é que se houver um acordo financeiro entre Odebrecht e BWA, o Governo ficaria isento de ser processado pela empreiteira por conta das mudanças nos termos de licitação.

Uma situação talvez não seja levada em conta pelo políticos. O Flamengo que aceitou um contrato pouco proveitoso em 2013, não é mais o mesmo Flamengo. Com fluxo de caixa mais robusto e sem o sufocamento financeiro causado pelas enormes dívidas, além, claro, das substancial diminuição das mesmas – de quase R$ 800 para pouco mais de R$ 400 milhões em três anos –, fez o poder de barganha do Mais Querido aumentar consideravelmente. A situação era precária ao ponto de, atrelada à assinatura do contrato, a Odebrecht abrir um canal de empréstimos a juros praticados abaixo do mercado.

Hoje o clube é o que mais arrecada no Brasil. Segundo o relatório Itáu/BBA que avalia receitas e despesas dos 12 grandes, o Flamengo é o mais equilibrado financeiramente. Um dado que chama a atenção é o EBITDA (sigla de “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”, que significa “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização“, em português), indicador de desempenho das organizações capaz de medir a produtividade e a eficiência da empresa, aponta o Flamengo com o espantoso número de projeção de R$ 143 milhões de reais apenas neste primeiro trimestre.

Dentro deste cenário, o Flamengo está forte. O Governo Estadual está fraco. O acúmulo da pressão popular advindo do fracasso pós reforma do Maracanã, a instabilidade política contagiante nas esferas da sociedade civil e o nível de confiança da população em queda brutal são os fatores que ainda são cotizados pela cúpula rubro-negra na tentativa de reverter o processo de entrega à BWA.

Contudo, o modo de operação do Governo parece cada vez mais alheio ao que a sociedade carioca quer, de fato. A torcida rubro-negra não esquece o estranho fechamento do Engenhão apenas para forçar os clubes a assinar contratos com o recém-nascido Consórcio Maracanã SA. No final das contas, a fórmula é simples: cria-se um beco sem saída para o Flamengo, trem pagador do Maracanã.


De qualquer forma, dentro de um cenário irreversível, o plano B será colocado em prática e um estádio próprio será a primeira linha da agenda de Eduardo até o fim do mandato. Interlocutores do clube sabem das imensas dificuldades inerentes a cada etapa do processo de realização deste novo equipamento no Rio de Janeiro. Avaliam que um estádio pode ficar pronto em três anos, dentro de um cenário positivo. E que durante esse período, o Maracanã se torna realmente indispensável.

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