Derrotado nos pênaltis para o Cruzeiro pela final da Copa do Brasil, só restou um tiro cartucho para garantir um título de expressão em 2017 e salvar a temporada de uma enxurrada de protestos e críticas, a Copa Sul-Americana. Pelas quartas de final, haverá Fla-Flu, o vencedor enfrenta o vencedor entre Júnior de Barranquila e Sport Recife. O outro finalista está entre Racing ou Independiente, ambos da Argentina, ou Libertad ou Nacional, ambos do Paraguai. Se não for campeão, a catástrofe plena seria não conseguir a classificação para a Libertadores 2018. No futebol, só há sucesso se houver título. Ponto.

Destacado isto, vamos falar do Programa de Sócio-Torcedor Nação Rubro-Negra, que está completando seu 18º trimestre de vida (4 anos e meio). O ano de 2017 é o de maior sucesso do programa neste percurso. Em três trimestres de 2017, a arrecadação do Sócio-Torcedor já supera todos os anos anteriores. Se, desilusionados com a perda da Copa do Brasil, todos os STs pedissem hoje, ao mesmo tempo, para cancelar suas respectivas assinaturas, e nem um centavo pingasse nos cofres da Gávea daqui até 31 de dezembro, ainda assim o resultado financeiro com o Sócio-Torcedor fecharia o ano de 2017 com um volume de receita superior aos obtidos em 2013, 2014, 2015 e 2016…

O volume líquido de adesões trimestre a trimestre está desacelerando, e isto só endossa o quanto um título de expressão é importante para manter o fôlego do programa e sustentar a longo prazo o nível de investimento agressivo em um elenco caro!

Analisando por períodos agrupados de expansão ou retração, nota-se o quão expressivo é o desempenho em 2017:

No acumulado de adesões líquidas em 2017,no período acumulado de janeiro a setembro, nenhum clube do Brasil supera o Flamengo:

Em termos financeiros, veja-se do que estamos falando: aproximadamente R$ 11,5 milhões gerados pelo Programa de Sócio-Torcedor Nação Rubro-Negra só no 3º trimestre de 2017. Este número ainda não é oficial, já que não tenho acesso à contabilização exata, usei o ticket médio do trimestres anteriores para fazer esta conta. O valor exato sairá no balanço trimestral que o clube divulgará na primeira semana de novembro.

Analisando o resultado pela ótica de receita acumulada nos últimos 12 meses, para se ter uma estimativa em termos anuais, o Programa de Sócio-Torcedor Nação Rubro-Negra gerou R$ 38,5 milhões para o cofre do Flamengo no acumulado dos últimos 4 trimestres. Pelo gráfico abaixo se consegue ver melhor o quanto de receita anualizada se obteve desde o lançamento do programa:

Certamente o 4º trimestre de 2017 gerará mais do que os R$ 7,5 milhões gerados no 4º trimestre de 2016. Com isto, certamente o resultado de 2017 desta conta superará os R$ 40 milhões. Arrisco uma projeção: o ST gerará entre R$ 41,5 e 42,0 milhões para o Clube de Regatas Flamengo no ano!

Para se ter uma idéia do que isto representa, em 2012 a receita no ano com patrocínio foi de R$ 34,4 milhões, a receita no ano com Bilheteria foi de míseros R$ 9,5 milhões. Comparando com os rivais, em 2017, nem Fluminense, nem Vasco nem Botafogo arrecadarão mais do R$ 30 milhões no ano com patrocínio!

Embora a estratégia da “Ilha do Uruburguês” esteja representando uma média de público muito aquém da tradição histórica do clube, a Arrecadação com Torcida (sócio-torcedor + bilheteria) acumulada nos três primeiros trimestres do ano é de aproximadamente R$ 70 milhões. Mais uma vez é preciso aguardar a contabilização exata que sairá no balanço trimestral que o clube divulgará na primeira semana de novembro. Certamente o número será muito próximo a este. A maior arrecadação com torcida na história do clube foi de R$ 73,3 milhões no total do ano de 2015.

Para alimentar a saúde financeira do Programa de Sócio-Torcedor, é fundamental a conquista de títulos expressivos. Além disto, para manter o espírito de ousadia aceso, tão condizente com a história do Flamengo quanto títulos e estádios cheios, está na hora de fazer uma investida no mercado europeu e contratar um jogador de destaque no Velho Continente. Obviamente não sou lunático de achar que poderemos competir com Real Madrid, Barcelona, Paris St-Germain, Manchester United, Manchester City ou Chelsea, mas se olhar direito dá para fazer apostar interessantes e acessíveis à nova realidade rubro-negra do ponto de vista futebolístico. Mas isto será tema para um post futuro…

 
Marcel Pereira é economista e escritor rubro-negro, autor do livro “A Nação” (Editora Maquinária).

 


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Imagem utilizada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo