O Flamengo acaba de divulgar o balanço de 2016. O clube teve uma receita líquida recorde de R$ 483 milhões, R$ 144 milhões a mais do que em 2015, e um superávit no exercício de R$ 153 milhões. A dívida caiu de R$ 447 milhões no fim de 2015 para R$ 390 milhões. Pela primeira vez, a gestão Eduardo Bandeira de Mello conseguiu cumprir a meta de ter uma receita anual maior do que a dívida.

O grande motor da arrecadação no ano passado foi o novo contrato com a TV Globo referente às temporadas de 2019 a 2024, que garantiu bônus de assinatura de R$ 120 milhões. Com isso, mas o aumento já previsto no contrato anterior do pagamento de 2015 para o triênio 2016-2018, de cerca de R$ 120 milhões para cerca de R$ 170 milhões, pelos direitos do Campeonato Brasileiro, o Flamengo teve um salto em receita com televisionamento de R$ 127 milhões para R$ 297 milhões, o que compensou a queda de arrecadação em todas as outras principais fontes de receita.

Sem jogos no Maracanã a maior parte do ano, o Flamengo teve queda na receita com bilheteria e com o programa de sócio-torcedor. Os R$ 39 milhões arrecadados em bilheteria representaram o menor montante dos quatro anos da gestão Eduardo Bandeira de Mello e uma perda de cerca de R$ 5 milhões em relação a 2015. O programa de sócio-torcedor também teve a sua menor arrecadação em um ano completo, já que foi lançado em meados de 2013 – R$ 26 milhões, contra R$ 30 milhões em 2014 e 2015.

O maior recuo, porém, foi nos patrocínios. Com vários espaços na camisa desocupados ao longo de boa parte da temporada, a perda foi de cerca de R$ 19 milhões em relação a 2015: R$ 66 milhões contra R$ 85 milhões.

Para 2017, porém, o Flamengo já garantiu quase R$ 30 milhões em novos patrocínios.


Despesas

O Flamengo continua muito abaixo do limite estabelecido pelo Profut no que diz respeito ao investimento máximo com a folha salarial do futebol, de 80% da receita bruta do futebol. Dos R$ 421 milhões arrecadados com o carro-chefe do clube, só R$ 200 milhões foram revertidos para a operação do departamento (ou 48% do total). Se considerada apenas a folha salarial mais os “serviços de terceiros”, onde entram os direitos de imagem dos jogadores, o número fica na casa de R$ 124 milhões, ou apenas 29%. Se não tivesse parte tão grande do seu orçamento engessada com o pagamento de dívidas, o Flamengo poderia legalmente ter investido R$ 336 milhões na folha de futebol, ou quase três vezes o que gastou.

Além das dívidas, o excedente do futebol também financiou um buraco de R$ 5,9 milhões nos esportes olímpicos. Em entrevista em fevereiro ao MRN, o diretor de Esportes Olímpicos esclareceu que parte do rombo se deve a uma questão contábil, de recursos de projeto do incentivo fiscal referentes a atividades de 2016 que só seriam pagos no início de 2017. Ele admitiu, porém, que o remo é deficitário e dificilmente deixará de ser. Em 2014, no entanto, os esportes olímpicos chegaram a dar lucro de mais de R$ 3 milhões e o clube saudou a autossustentabilidade da pasta.

O futebol também pagou um déficit de R$ 22 milhões nas atividades do clube – que inclui em grande parte, porém, o dinheiro investido na construção do módulo profissional do Ninho do Urubu.

Empréstimos

O Flamengo reduziu em mais de R$ 50 milhões suas dívidas com empréstimos, que baixaram de mais de R$ 161 milhões para cerca de R$ 111 milhões. O clube zerou a dívida com o Consórcio Maracanã e também com a CBF e a Ferj, tendo agora somente empréstimos feitos por instituições financeiras.

Dos R$ 111 milhões, R$ 92 milhões vencem este ano e o restante até 2018 – mas o Flamengo prevê no orçamento a tomada de R$ 50 milhões de novos empréstimos em 2017.

Direitos econômicos

O balanço revela que o Flamengo entrou o ano tendo que pagar cerca de R$ 19 milhões pela compra parcelada de jogadores. Isso sem incluir o acerto para a compra de 50% dos direitos de Marcelo Cirino, pelo qual a Doyen tem que recuperar seu investimento de 3,5 milhões de euros até o fim do ano ou ser ressarcida. O saldo devedor inclui R$ 4,6 milhões por Mancuello, R$ 4,4 milhões por Cuéllar e R$ 2,4 milhões por Rodinei. As contas a pagar incluem ainda R$ 26,6 milhões em direitos de imagem — as luvas diluídas no contrato a jogadores como Guerrero e Diego.

Na outra ponta, além da dívida por Hernane, avaliada em R$ 15,5 milhões, o clube tinha a receber em dezembro R$ 2,2 milhões do Grêmio pela venda do zagueiro Wallace.

Romário e Ronaldinho

O balanço confirma ainda o acordo com Romário para o encerramento da dívida estimada em mais de R$ 11,8 milhões com o pagamento à vista de R$ 6,8 milhões. Já com Ronaldinho, o acordo foi de R$ 15,8 milhões, dos quais o último R$ 1,2 milhão será pago este ano.

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