Atento devemos estar às críticas. O que nos fortalece é justamente a forma como a encaramos. Se pessoas que, em essência desejam o bem comum, divergem em suas opiniões, não existe o certo e o errado de maneira imperativa. Não existe o bem e o mal. Não existe o “nós contra eles”. Ou pelo menos não deve existir.

Quem me conhece, quem tem paciência de ler meus textos e interações nas redes sociais, sabe que só tenho um lado quando o assunto é Flamengo: o lado rubro-negro. Esse fato já me fez ser chamado de azul, verde e muralista, tudo isso em apenas meia hora de conversa. Isso não me torna especial, nem um paladino da verdade. Mas me faz ter mais conforto na hora de dar minhas opiniões. Como essa que vocês estão prestes a ler.

Aprendi, depois de anos de idade e tombos, dois pontos fundamentais em minha vida. Primeiro: se, de alguma forma, fui interpretado de maneira equivocada pela grande maioria das pessoas que me ouviram/leram, falhei ao transmitir minha mensagem. Não estão errados os que me entenderam mal. Eu não me fiz entender corretamente. Utilizo essa regra para os meus colaboradores onde trabalho e garanto: é muito mais fácil corrigir qualquer mensagem mal interpretada se o mensageiro percebe o problema e o transforma. Segundo ponto: cuidado com suas promessas. Calcule-as. De maneira a cumpri-las. Principalmente se nessa promessa estiverem envolvidas crianças ou paixões.

Essa administração rubro-negra, de 2013 para cá (sim, nem tentem discutir comigo sobre a cisão do grupo original pois é uma das minhas maiores dores rubro-negras: é impossível analisar o Flamengo atual excluindo qualquer participante da gestão nesses 4 anos), é sensacional. Sensacional mesmo. A ponto de ser reconhecida por rivais, por imprensa bairrista, por todo mundo. O que fazem com as finanças rubro-negras, com o patrimônio do clube, com a valorização da marca e com tudo que envolve a gestão, é digna de aplausos. E o mais importante: esse caminho é sem volta. Por tudo isso, na minha opinião (e sei que não é a de muitos) essa gestão é a que melhor conduz o Flamengo para aquilo que sempre falamos que somos, mas nunca conseguimos provar: os maiores do mundo.

Essa administração também falha. Falhou em 2013, em 2014, em 2015 e em 2016. E tenho uma coisa a dizer: vai falhar muitas vezes daqui para frente também. Falhar não é o problema. Mas repelir a culpa pela falha é o caminho para falhar de novo e de novo. Em 2013, prometemos comprar o Elias com a renda da final da Copa do Brasil. Não deu. Prometemos, em 2016, que o rodo levaria muitos jogadores. A maioria ficou. São apenas exemplos. São bons exemplos, pois em ambos os casos, a promessa não pode ser cumprida por motivos nobres e justos. Digo mais: que bom que não foram cumpridas, pois ambas acarretariam transtornos financeiros para o clube. Então onde está a falha? A falha está na promessa, não na atitude.

Vamos usar o exemplo do caso Romário: conseguimos trazer a dívida com o baixinho para patamares excelentes. Nos exigiu caixa, mas foi uma excelente oportunidade de mercado. Tem que pagar mesmo. Onde está o erro? Está em prometer 70 milhões para 2017. Está em falar de ano mágico. E não adianta provar contabilmente que os 70 milhões estão aí. Que o ano mágico já está começando. Porque somos crianças ou apaixonados: queremos a entrega do que foi prometido como foi realmente entendido. Quem sabe, na hora de falar a voz da razão, a paixão também não se fez presente? Afinal, todos falhamos, certo?

O futebol falhou muito de 2103 até hoje. E temos que agradecer a Deus que o título inesperado da Copa do Brasil chegou no início da gestão, porque ele aumentou a cota de paciência dos rubro-negros. A torcida do Flamengo quer títulos. Não está errada ou certa. Ela é assim! A montagem do elenco do ano passado foi uma tragédia. Terminamos o ano muito bem e com uma base sólida. Mas não apaga o planejamento errado, que nos fez jogar sem zagueiros por um bom tempo, viajar o dobro dos adversários, não priorizar competições importantes. E os rubro-negros esperavam voar nas contratações desse ano. Não estão errados nem certos, apenas esperavam, porque em algum momento esse conceito se criou.

Retaliar quem também quer o bem do clube, a ponto de ignorar opiniões por divergirem das suas, não faz bem ao Flamengo. Basta ver que algumas pressões externas fizeram o clube se movimentar no mercado e garantir boas contratações no passado. Sabemos que não nadamos em dinheiro. Não precisamos do Mauro Cesar para falar sobre isso. Nem de texto contábil/justificativo para nos trazer a realidade. Sabemos, ainda, que estamos aproveitando oportunidades de mercado únicas e que os excelentes profissionais que estão à frente do clube são capacitados para seguir no caminho de tornar o Flamengo cada vez mais forte.

Posso fazer um pedido a diretoria rubro-negra? Nunca abandonem a gestão profissional. Nunca cometam loucuras financeiras, que culminem em problemas futuros. Mas aprendam que, no Flamengo, o vento não consegue levar as palavras ditas. E todas as palavras ditas ou escritas são ouvidas ou lidas por apaixonados, que transformam cada sílaba em alimento para sua paixão. E o coração pulsante, o grito da arquibancada é o que move essa paixão. O maior lateral direito da história rubro-negra, Leandro, não sente saudade da gestão bem-feita, mas sim do grito de Mengo no Maracanã. Essa gestão tem que entender (e entende) que uma coisa leva a outra. Mas não esperem razão onde transborda paixão.

Estamos no caminho certo. O céu é o limite. Mas não me venham prometer data para chegar no céu, ok?
 
 
Felipe Foureaux escreve no site Falando de Flamengo e foi convidado para escrever no Cultura RN.
Siga-o no Twitter: @FoureauxFla

 
 
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