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Por Mauricio Neves

 

Eu estou velho, e com manias de velho.

Antes de cada jogo do Flamengo, fico me lembrando de edições antigas do confronto. Faço um Top 5 mental, como o Rob Gordon em Alta Fidelidade, evocando boas memórias.

Jogos contra o Vitória em Salvador, ordem cronológica, eleição afetiva:

– 1×0 em 1986, peixinho de Bebeto calando a Fonte Nova;

– 1×0 em 1996, Ronaldão de cabeça na pequena área;

– 4×1 em 1998, Pet do lado de lá e hat trick de Romário;


– 2×1 em 2002, Zé do Gol e Liedson, raro momento de alegria em um ano de chumbo;

– 3×3 em 2009, gol salvador de Zé Cachaça na Bacia das Almas.

Quando outro Zé, o Love, fez o gol do Vitória neste sábado, nada indicava que este jogo pudesse pedir espaço no meu Top 5. Parecia um velho roteiro de filme ruim. Gol de estreante contra nós, e Fernandinho e Gabriel ao mesmo em campo em um Flamengo que fez um primeiro tempo quase todo sonolento.

Quase todo. Porque aos 43 minutos Pará fez o seu segundo cruzamento perfeito – o primeiro havia sido para Damião quase empatar – e Fernadinho, o Improvável, flutuou na Salvador de Todos os Santos e, qual Dadá, qual beija-flor, qual helicóptero, parou no ar e acertou uma cabeçada de almanaque e a tristeza virou esperança.
 

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Quando Gabriel tabelou com Diego e virou o jogo, já no segundo tempo, era absolutamente certo que venceríamos. Gols de Gabriel e Fernandinho em dois jogos consecutivos não pode ser acaso, não pode ser em vão, não pode não significar nada. Era a vitória, e por mais que ainda houvesse jogo, aquela era indubitavelmente a vitória.

Afora o susto de um primeiro tempo mal jogado, dominamos o segundo tempo e estivemos mais perto do terceiro e do quarto – Damião vem ensaiando seu gol de cabeça – que o Vitória do segundo. E até o que parecia não ter explicação, foi explicado depois. Zé Ricardo optou por Fernandinho no lugar de Everton porque este apontava, nos exames, alta probabilidade de lesão.

Algo me diz que será preciso mexer no meu Top 5 dos jogos entre Flamengo e Vitória em Salvador. Algo me diz que esta virada, que chegou a parecer improvável como um gol de cabeça de Fernandinho em cruzamento de Pará, ficará guardada em espaço nobre na nossa memória afetiva.

E se o título vier, ah, meu irmãozinho, se o título vier e se algum dia alguém me pedir para escolher minha partida inesquecível contra o Vitória em Salvador, eu escolherei esta. Sobre todas as outras, molhada pela chuva e abençoada pela nossa fé, não tenha dúvidas.

Eu escolherei esta.

@Flapravaler

 

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Veja a análise de Gustavo Roman