No dia 20 de dezembro de 2015, Luiz Altamir conquistou o índice olímpico e vai representar nos 400m Livres o Flamengo na Olimpíada mais importante da história brasileira.

 

Luiz Altamir conquista o índice no Troféu Brasil Open. Foto: Satiro Sodré / SSPress / CBDA

Luiz Altamir conquista o índice no Troféu Brasil Open. Foto: Satiro Sodré / SSPress / CBDA

 

Após um déficit de 14,5 milhões de reais apenas em 2012, ainda em dezembro daquele ano a nova diretoria eleita há poucos dias anuncia o fim da equipe profissional de natação do clube. Apesar de deixar claro que não deixaria de investir nas categorias de base e em infra-estrutura.

Em março de 2013 foi a vez das equipes de ginástica e judô. A notícia foi amplamente explorada, quase sempre com um viés negativo. Como se o clube estivesse matando a tradição olímpica rubro-negra. Na visão de alguns o Fla cometia um crime inafiançável, mesmo para quem não tinha condições de pagar em dia os salários dos atletas.

Diego Hypolito, um dos maiores ginastas brasileiros, não digeriu bem a coisa. E chegou a falar de perseguição política.

“Achei isso uma falta de respeito. Não tem como dizer que não há dinheiro. Foi uma falta de respeito e de consideração que não tem tamanho por parte da nova presidência. Isso é uma retaliação à Patrícia Amorim” – declarou Diego ao GloboEsporte.com, assim que ficou sabendo da dispensa.

Alexandre Póvoa mostrou estatura, agiu como um líder que sabe que “consideração” é uma piscina que não vaza 500 mil reais e pode a qualquer hora afundar;  e um dojô adequado, não aquela sauna com goteiras onde os lutadores treinavam.


O parque aquático Fadel Fadel estava visivelmente aquém dos ótimos César Cielo, Joanna Maranhão, Nicholas Reis, entre outros nadadores de elite. Que sequer treinavam no clube. Cielo ganhava 100 mil reais por mês e aparecia no complexo raramente, e sempre como um compromisso mais afeito ao marketing do que ao esportivo.

O que é ser sério? É manter a estrutura anterior e ficar três meses sem pagar esses atletas? Isso é apoiar o esporte olímpico? Manter uma equipe de natação com uma piscina vazando e gerando uma conta de R$ 500 mil é ser sério? Deixar os atletas do judô treinando em um espaço quente e com goteira é apoiar o esporte? Apoiar é ser sério, se reestruturar, pagar em dia, voltar a pagar os impostos para ter direito a leis de incentivo e questionar a estrutura dos esportes olímpicos do Brasil. E o Flamengo vai questionar o motivo para ter uma parcela tão pequena de um bolo que a gente sabe que é grande –  disse em coletiva na ocasião, o VP de Esportes Olímpicos.

 

 

Nascido em uma família de nadadores, no Flamengo desde os 15 anos, Luiz Altamir se torna o símbolo da nova natação do Flamengo, que deixou de perseguir medalhões para investir na Base e criar seus próprios ídolos. Com o

O MUNDO RUBRO NEGRO conversou com atleta após coletiva na Gávea, na terça-feira (12/01).

 

Começo

Minha história começou quando eu tinha um mês de vida. Minha mãe simplesmente me mergulhou, depois me mudei pra Fortaleza e com um ano eu já sabia nadar. Depois pratiquei futebol, judô, sem nunca deixar de nadar. Sempre fui muito fanático por esportes. Como minha família toda é de nadadores, naturalmente eu fui me concentrando mais nas competições da natação.

 

Conquistas

Com 13 anos eu ganhei meu primeiro Brasileiro, conseguindo medalha de ouro e recorde. Sempre com muita dedicação, muito trabalho os resultados continuaram a aparecer e aí eu cheguei no Flamengo.

 

Altamir ganhou o Individual de melhor atleta do Troféu Julio de Lamare Junior, o seu último. Foto: Flamengo/Eduardo Fonseca

Altamir ganhou o Individual de melhor atleta do Troféu Julio de Lamare Junior, o seu último. Foto: Flamengo/Eduardo Fonseca

 

O Flamengo

Devo ao Flamengo minha formação como atleta e como homem. Quando eu cheguei aqui eu era um garoto. Não tinha experiência de nada, inocente mesmo. Hoje eu sei lidar com pressões, por ter vivido aqui no Rio sem meus pais eu aprendi a me virar a não ser dependente. Sou eu que preciso cuidar de mim. Claro que a saudade foi dolorosa, mas aprender a lidar com ela foi importante. Não ttinha mais mamãe e papai para arrumarem o quarto, lavar louça, roupa e resolverem tudo pra mim (risos).

 

Treinamento

Nunca deixei de treinar no Flamengo. Mesmo quando a piscina principal foi fechada. Não tem nada a ver com condições. Tem a ver com você querer algo, sabe? O quanto você quer alguma coisa. E com certeza os profissionais que trabalharam comigo, que foram e são importantes. O Eduardo Pereira e o Fernado Pereira, que são meus técnicos e todas as pessoas envolvidas, o trabalho de muita gente foi fundamental para esses 3m50s32.

 

Período conturbado

Pouco depois da minha chegada houve a saída dos atletas. Acabaram com a equipe mas a Base vem crescendo cada vez mais. Hoje os atletas mirins e petizes estão ganhando campeonatos. Isso é muito importante para o Flamengo.

 

Exemplo próximo

Estou sempre aqui. E o legal é que para eles eu sou alguém para se espelhar. E isso volta como motivação pra mim! Às vezes eu treinando no sábado de manhã e eu via que as crianças — nadadores do mirim, infantil — paravam em frente à minha raia, e outras pessoas também, os pais… Ficavam assistindo o meu treino. Eu acho muito legal. Isso pode mostrar na prática que os que estão iniciando podem conseguir também chegar, buscar o espaço que eu venho conquistando assim, com muito trabalho. Todos percebem que eu dou 100% nos treinos. E agora com a Myrtha vai ser sensacional pra todo mundo.

 

 

Luiz Altamir, quero fazer um agradecimento público. Você sempre esteve conosco. Acreditou no Flamengo e hoje teve esse esforço recompensado. Você hoje é um catalizador. A nossa natação, nossa Escola de Esportes Sempre Flamengo tem em você um exemplo. E com a piscina vamos voltar a formar grandes atletas

Alexandre Póvoa

 

 


Diogo Almeida faz parte da Equipe MRN Informação. Twitter: @DidaZico