O Flamengo começou a nova temporada em alto nível e, na terceira rodada, conseguiu vencer o Pinheiros por 96 a 88 e manteve a invencibilidade no Novo Basquete Brasil 9. Com jogo tranquilo no início e bem disputado nos quartos finais, o Mais Querido acabou sofrendo com a queda de desempenho no fim, mas conseguiu se impor novamente e saiu com a vitória. Após a partida, o técnico José Neto e Marcelinho Machado falaram sobre o confronto diante do time paulista, o próximo duelo e sobre a suspensão da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

A queda de rendimento era prevista. Jogamos contra uma equipe que tem um ritmo muito bom, conseguiu vencer jogos importantes durante a temporada, inclusive no Paulista, quando bateu o Bauru, Paulistano, Mogi. Nós ainda estamos engatinhando, mas de uma maneira que conseguimos suportar o ritmo deles. Precisamos focar nas próximas partidas. Foi o suficiente para essa, ainda estamos distantes daquilo que precisamos para ganhar o campeonato. Mas foi o primeiro jogo do Fischer e do Lelê, Pedrinho Rava ainda está lesionado. Então acho que conseguimos contornar isso, fazer com que o foco na vitória seja maior do que nos problemas, é muito mérito da equipe“, analisou José Neto.

O treinador ainda falou sobre as ausências no elenco, o que acaba prejudicando as opções disponíveis durante a partida. “A vitória vale o dobro para gente. Temos que administrar essas ausências, tem a rotação curta. O Fischer voltou agora, mas sabemos que ele não pode jogar no ritmo e na intensidade que gostaríamos que ele jogasse. Mesmo com tudo isso foram vitórias importantes. O Flamengo ainda não perdeu e, em um campeonato disputado como o NBB, isso faz com que, além de dar a classificação, ainda dá um ânimo para a equipe, que sabe que mesmo nas adversidades consegue se superar e vencer“, disse Neto.

Durante a última semana, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) foi suspensa pela Federação Internacional por não cumprir com as regras e, com essa punição, Flamengo e Bauru não poderão disputar a Liga das Américas em 2017. “É triste. Do jeito que o basquete brasileiro está hoje pelas equipes, pelo investimento dos clubes, pela liga forte até em nível internacional, vamos ter que pagar um preço que talvez não fosse nosso. Mas fazemos parte do esporte nacional. Quando um tem um problema, infelizmente os outros também pagam, já que somos subordinados da Confederação. Estamos pagando em um momento em que o Flamengo não poderia estar pagando, já que faz um dos maiores investimentos no Brasil, mas temos que acatar. A comunidade do basquete está indignada com isso, mas existe um orgão maior e não temos como fugir“, concluiu José Neto.

O próximo jogo do Flamengo será diante do Campo Mourão, recém promovido para o NBB e vice-campeão da Liga Ouro. Neto falou sobre a dificuldade do confronto e avaliou a partida: “Sabemos que Campo Mourão em casa é um adversário duro e venceu em São Januário contra o Vasco, mostrando que não é qualquer equipe e precisamos ir preparados. Vamos conseguir ter uma semana de trabalhos e treinos, a equipe vai evoluindo e vamos chegar lá preparados para superá-los“.


Outro que falou com a imprensa foi Marcelinho Machado, que foi um dos destaques e terminou o jogo com 22 pontos, três rebotes, três assistências e dois roubos de bola. O jogador comentou sobre o duelo diante do Pinheiros: “Foi bom. Acho que para um jogo de início de temporada foi normal, acabamos oscilando muito. Foi muito bom ofensivamente, mas defensivamente nem tanto. No segundo quarto já melhoramos a defesa e limitamos o time deles. Depois ditamos o ritmo de jogo no terceiro quarto e abrimos quinze pontos. E mais uma vez oscilamos, deixamos eles encostarem e até perigando o resultado. Mas aí vale a maturidade, a energia, a atitude do time por ter uma mentalidade vencedora e foi muito capaz de decidir o jogo e sair com mais uma vitória”.

Marcelinho também comentou sobre a situação da CBB, afirmando que é a hora para mudanças. “Alguma coisa tinha que ser feita, a Confederação chegou em uma situação realmente vergonhosa. Esse momento tem que ser usado por todos do basquete para sair disso tudo com uma solução. Sabemos que o sistema da eleição é antigo e muita coisa precisa mudar. Chegamos no nível mais baixo que poderíamos chegar para que pudéssemos dar um passo atrás para ter uma estrutura melhor e fazer um basquete cada vez mais de alto nível”, completou.

 

*Foto: Gilvan de Souza/Flamengo