Antigamente, no jornal O Globo, o cartunista Otelo tinha uma página de humor esportivo e sempre colocava o “placar moral” das partidas, dentro do que ele acreditava que seria mais justo para os jogos que havia assistido ou ouvido pelo rádio.

Nunca o Flamengo perdeu. Mesmo derrotado, o gozador rubro-negro Otelo, colocava o placar moral com vitória do Mengão.

O empate sem gols, entre Flamengo e Botafogo, neste domingo, em Volta Redonda, foi injusto.

Otelo, falecido em 2006

Se formos levar em consideração as chances reais de gols perdidos pelas duas equipes, o placar moral seria 5 x 2 Flamengo. E não estou fazendo piada, dando uma de Otelo. Nem tenho competência para isso.

De cara, gostei do Zé Ricardo ter barrado o Rafael Vaz e colocado o velho Juan, que acabou dando mais segurança à nossa defesa, que ainda considero fraca.


Os primeiros sessenta minutos de jogo foram bem disputados, apesar do calor, mas houve um certo equilíbrio entre Fla e Bota.

Cada um dos times perdeu uma chance de gol.

Porém, caro compatriota da Nação, as coisas começaram a mudar (e muito) a partir dos 15 minutos do segundo tempo.

O Flamengo vinha jogando com um homem a menos, desde o início do jogo, já que o Ederson, que até hoje, não disse o que veio fazer por aqui, nada fazia.

Parece até coisa de empresário amigo de diretor, que conseguiu colocar o cara em um time, só na camaradagem e com um bom salário, é claro. E nem estou levando em consideração o tempão que esse Ederson ficou machucado. Nunca o vi jogando nadinha. Se estou errado, me avisem, por favor.

Parece até o caso daquele inesquecível “craque” Carlos Eduardo. Lembra deste traste? Se não lembrava mais, me desculpe por fazer essa maldade.

É o tal negócio, a gente já atura o Caramujo, que desarma daqui, desarma dali e falha de montão na hora do passe, entregando a bola no pé adversário. E ainda tem que aturar o Ederson?

Pois bem, voltando ao que é bom, o mala do Ederson saiu e entrou o Diego, quase dois meses sem pisar em campo. Mesmo assim, fora de ritmo, não é que o cara já mudou a forma do Flamengo jogar?

Cinco minutos depois do Diego, entrou o menino Vinícius Júnior, que colocou fogo no jogo.

Vinícius Júnior lamentou a bola que acertou o travessão. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Com Diego na armação e Vinícius Júnior partindo pra cima da apavorada defesa botafoguense, não é que o Mengão ainda perdeu quatro gols?

Dois com o Guerrero, um com o Éverton e outro do próprio Vinícius, que deu um belo chute colocado e a bola caprichosamente bateu no travessão.

O Flamengo e o Vinícius mereciam melhor sorte. Essa vitória era necessária, pois só vencemos um jogo e empatamos três, neste Brasileirão.

Continuamos perdendo muitos gols este ano. Tá difícil resolver esse problema…

Estamos mal na tabela, mas vamos melhorar, com toda a certeza.

Mas nossa torcida precisa ter calma. Não adianta querer que um menino de 16 anos seja logo transformado em titular. Vai deixando ele no banco e colocando aos poucos.

Já perdemos uma infinidade de futuros craques (ou grandes jogadores) por causa disso. Ou alguém esquece de Marcelinho, Paulo Nunes, Djalminha, Marquinhos, Andrezinho, Negueba, Rafinha, Thomaz etc e tal? Se puxar um pouco mais pela memória, vamos lembrar de outros.

Muitos deles fizeram sucesso e viraram ídolos vestindo outras camisas. Outros não.

Se bem que o Vinícius Júnior já está vendido mesmo para o Real Madrid. Ainda assim, devemos ter calma com ele.

Antes de terminar, voltando ao Otelo, queria deixar registrado que foi ele quem criou a expressão Manto Sagrado, para a camisa do Flamengo.

 
Paschoal Ambrósio Filho é jornalista e autor dos livros 6x Mengão, 100 Anos de Bola, Raça e Paixão e PentaTri


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