Eduardo Bandeira de Mello assumiu o Flamengo com a promessa de reestruturar o clube financeiramente, resgatar a credibilidade no mercado e o colocar entre as principais potências esportivas do país. As finanças do Mais Querido, que outrora eram motivo de vergonha e hoje é referência entre os clubes brasileiros, inclusive recebendo prêmio de especialistas da área, se tornaram alvo de interesse da imprensa e dos torcedores.



Em três anos e oito meses no comando do clube, o mandatário e sua equipe diminuíram de R$ 750 milhões para R$ 414 milhões a dívida do clube, segundo o Vice-Presidente de Finanças, Cláudio Pracownik, que neste domingo (04/09), participou do programa Enquanto a Bola não rola, da Rádio Globo Rio.

Pracownik, antes VP de administração, assumiu uma das cadeiras mais importantes do clube com a saída de Rodrigo Tostes, que deixou o cargo em agosto de 2015, sendo bastante elogiado para trabalho realizado. Entre outros assuntos, o VP de Finanças falou sobre o Maracanã, estádio próprio, a relação do Flamengo com a FFERJ e a folha salarial do time. Confira os principais trechos da entrevista.

Início do trabalho

“Pegamos o clube numa situação muito complicada . Quando assumimos a primeira coisa que fizemos foi contar dinheiro – quanto tínhamos para receber e quanto tínhamos que pagar – e, chegamos a um valor que orbitava a ordem dos R$ 100 milhões negativos, ou seja, começamos o ano devendo 100 milhões e tendo que pagar salários, folhas e principalmente os impostos que não se pagava há muito tempo. E o Flamengo ainda corria o risco de ser acusado de locupletamento – enriquecimento indébito ou injustificado -. O Flamengo retinha determinados impostos nas fontes e não repassava  aos cofres públicos”.

Recuperação Financeira

“O Flamengo, neste período – se referindo à gestão Bandeira de Mello -, conseguiu escalonar e alongar o perfil das suas dívidas, renegociar com seus credores, pagar dívidas antecipadamente e efetivamente colocar os impostos em dia. O PROFUT (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro) veio para nos ajudar de uma forma mais definitiva nesse sentido”.

Participação da Tv na receita do clube

“Em 2015 a televisão foi responsável por 36% do faturamento do Flamengo, o que nos coloca na 10º colocação entre os grandes clubes com maior dependência da tv. Já neste ano a televisão está com uma importância maior para o Flamengo. Teve a renovação, o que gerou o pagamento de luvas e deixamos a desejar na captação de patrocínios, muito em virtude no cenário nacional – se referindo à crise financeira do país -. Hoje 45% da receita do clube é proveniente da televisão, a maior entrada de recursos em 2016”.

Bilheteria

“O Flamengo tem a maior torcida do mundo, mas essa torcida não consegue contribuir com o Flamengo como as outras torcidas do resto do mundo e nem mesmo do Brasil. O Flamengo não tem o seu próprio estádio, portanto os custos são elevadíssimos e o que sobra para o clube é uma receita mínima. Isso também se dá em virtude da política com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro”.

Sócio Torcedor

“Para alavancar o programa de sócio torcedor, ter um estádio é determinante. O sócio torcedor é um ativo que pertence ao estádio. Tendo um estádio inteiro para explorar, você pode conceder para os sócios torcedores uma série de benefícios, que não são os benefícios que hoje em dia o Flamengo consegue conceder, que são quase os de todo mundo. Ter um estádio reduz o seu custo de operação. Reduzindo o custo de operação e tendo um ativo para explorar, você oferece ao seu sócio torcedor o melhor equipamento que ele pode ter, que é a experiência no estádio”.

Estádio próprio

“O Flamengo tem totais condições de operar qualquer estádio e já fazemos isso quando jogamos em Brasília, por exemplo, cuidamos da bilheteria, segurança e das placas. O Flamengo tem capacidade de desenvolver uma engenharia financeira junto com outros parceiros de arrendar, alugar e ter um estádio assim como tem a capacidade até de construir o seu próprio estádio também com parcerias”.

“O Flamengo tem conversado com investidores e com terrenos necessários para construir o seu estádio. Queremos que seja o Maracanã mas temos outras possibilidades. O Flamengo terá um estádio para chamar de seu. Nós temos uma maneira de trabalhar que é mais silenciosa, com essa atitude mais discreta temos obtido resultados. Não estamos parados. Existe um grupo dentro do Flamengo de vice-presidentes e executivos cujo o único objetivo é tratar dessa questão. Temos que ter um estádio e isso tem que estar no mínimo encaminhado na nossa gestão”.

Maracanã

“O Flamengo tem um contrato em vigor com o Maracanã que está suspenso por conta das Olimpíadas, lamentavelmente, e estamos esperando a devolução dele. Estamos aguardando essa negociação entre Estado, Comitê Olímpico e a Odebrecht, representando o novo concessionário, para que o Maracanã seja devolvido ao Flamengo”.

“O Maracanã é uma aparelhagem do  estádio, mas se houver alguma licitação ou se houver uma possibilidade de ser entregue ao Flamengo para a sua operação, o estádio será nosso. O que é preciso nesse momento é um chamamento ao bom senso. É inacreditável que o estádio mais famoso do mundo fique parado principalmente quando existem pessoas com capacidade, vontade e torcida para efetivamente operá-lo de maneira superavitária”.

Estádio próprio e Maracanã

“Estamos analisando todas as possibilidades. Se o Flamengo tivesse dois estádios, um como o Maracanã e outro para jogos menores também seria interessante e isso está no nosso radar”.

Folha de pagamento 

“O Flamengo é um clube sério. Ao que ele se propõe, ele paga. Durante três anos saneamos a nossa dívida. Não havia espaço para nada a não ser reorganizar financeiramente e contar com a paciência e a paixão da torcida. Vimos que era o momento de investir em produção para trazer uma alavancagem em receitas. Receita vem com time, vem com títulos e com estádio. Tudo o que fazemos é com planejamento, com consulta de caixa organizado, é com toda engenharia financeira necessária para cumprir o que é de obrigação de qualquer clube que é pagar em dia os salários, os impostos e que é cumprir com suas obrigações decorrentes da lei”.

Sobre a relação com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Pracownik disse que o Flamengo está aberto ao diálogo e sempre que for chamado para discussões que sejam produtivas e pertinentes, participará. O VP de Finanças também reconheceu o baixo investimento do clube na formação de atletas, mas afirmou que isso mudará.


Crédito imagem destacada: Flávio H. Souza

 

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