Agora é oficial. O Flamengo, em nota publicada em seu site, fez um ultimato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, reafirmando seu desejo de administrá-lo. Caso não faça parte de um novo consórcio, o clube vai partir para a construção de sua própria casa.

O clube afirmou que se opõe ao modelo atual que deixa de fora a participação na administração do estádio. Fechado para jogos oficiais desde dezembro do ano passado, o Maracanã viu, do interior de seus portões cerrados, a derrocada política e financeira da empreiteira Odebretch, que ainda detêm 95% de participação no atual consórcio. Com a prisão do seu presidente, Marcelo Odebretch e as investigações em diversos escandâlos de corrupção, a empresa está em processo de falência e manifestou ao poder público a vontade de desistir do negócio.



Como o governo estadual do Rio deixou de cumprir metas acordadas em contrato, criou-se um impasse. Quando a BWA manifestou interesse no negócio no lugar da Odebretch, sem necessidade de nova licitação, o Flamengo perdeu a confiança de que seria desta vez que o estádio finalmente fosse gerido pelo clube.

O clube também afirmou no documento que a participação dos clubes no papel de protagonistas não só do espetáculo, mas também da gestão, administração, operação e manutenção do estádio, além da readequação do contrato às alterações do projeto é necessário em um novo processo licitatório. Concluindo que essa é a única forma legítima de sair do impasse “que priva a população de utilizar o equipamento”.

Com a consciência que é o motor de arrecadação do estádio o clube foi direto ao afirmar que possui a maior torcida do país e que acredita ser moralmente essencial ao menos participar da nova licitação, e salienta ainda que essa participação deve ser como protagonista da correspondente administração.

Desse ponto em diante a Nota Oficial começa a vislumbrar o caminho que será tomado deste ponto em diante.

Começa por afirmar que se o modelo atual for mantido realemente, não irá renovar o contrato atual, que termina ao final deste ano. Seja quem for o administrador da do estádio. O impacto já seria sentido em 2017.

A nota segue para seu ponto alto, onde afirma categoricamente que vai partir para a construção do seu estádio próprio:


“Acredita que pode seguir a tendência mundial de buscar o próprio estádio, com o clube gerando valor real aos seus torcedores e patrocinadores.”

 

Leia a seguir a nota na íntegra:

Nota oficial: Maracanã

Posicionamento do Clube de Regatas do Flamengo

Em 9 de maio de 2013, o Governo do Estado do Rio de Janeiro realizou licitação para a concessão da exploração comercial do Complexo Maracanã por 35 anos, processo este vencido pelo consórcio formado por Odebrecht, IMX e AEG. Contrariando uma realidade mundial, o contrato proposto pelo governo vedava a participação de clubes de futebol.

Menos de três anos depois, o consórcio vencedor manifestou interesse em negociar a devolução do contrato de administração do estádio sob o argumento de que a viabilidade do empreendimento ficou comprometida após a alteração do projeto inicial e devido aos altos custos operacionais e vultosas obras previstas no contrato.

Diante do insucesso do atual modelo de concessão no Maracanã e das manifestações e tentativas de transferir o atual contrato de concessão vigente para terceiros, o Clube de Regatas do Flamengo vem a público declarar que:

– Opõe-se ao modelo atual que veda a participação dos clubes na administração do estádio, em detrimento de empresas dissociadas da essência e da história do Maracanã;

– É necessário um novo processo licitatório, com a participação dos clubes no papel de protagonistas não só do espetáculo, mas também da gestão, administração, operação e manutenção do estádio, além da readequação do contrato às alterações do projeto. São essas as únicas formas legítimas de resolver o impasse que priva a população de utilizar um equipamento esportivo importante como o Maracanã;

– O insucesso do consórcio vencedor em 2013 reforça que as condições apresentadas no modelo atual representam um retrocesso com relação aos modelos mais modernos de gestão, administração, operação e manutenção de estádios e arenas esportivas;

– Como clube de futebol com a maior torcida do Brasil, que gera as maiores receitas no Maracanã, manifesta seu total interesse em participar da necessária e moralmente essencial nova licitação para a concessão do Maracanã, desde que como protagonista da correspondente administração;

– Se o modelo atual for mantido, em que o clube é explorado por concessionário que não gera contrapartidas compatíveis com os altos valores de aluguéis cobrados, não irá renovar o contrato de locação para uso do Maracanã, cujo contrato terminará no final de 2016;

– Não irá celebrar contrato de locação com eventual sucessor do atual Consórcio Maracanã;

– No modelo atual de concessão, sem a participação na administração dos geradores de conteúdo e receitas, existe o risco concreto de transformar um dos mais importantes estádios do mundo num “elefante branco”, o que seria lamentável para a imagem do Rio de Janeiro;

– Espera que o Governo do Estado do Rio de Janeiro, conhecedor da paixão dos seus torcedores e da importância do Flamengo no nosso Estado, possa refletir com bom senso em prol de um novo modelo concessão, justo, inclusivo com os protagonistas de direito e transparente;

– Acredita que pode seguir a tendência mundial de buscar o próprio estádio, com o clube gerando valor real aos seus torcedores e patrocinadores;

– Como clube cidadão, premiado por sua gestão transparente e reconhecido no mercado como parceiro comercial digno de confiança, está hoje, ao contrário da época em que a primeira licitação foi realizada, preparado para assumir a administração do estádio, atribuindo ainda mais valor econômico e cultural a este ícone do esporte mundial. 

Por fim, torcemos, como em uma final de campeonato, para que o Maracanã volte a ser o “templo do futebol” com o espetáculo administrado por quem o produz.

Clube de Regatas do Flamengo

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