“Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral”.

Dan Brown em seu livro O Inferno

 

O Campeonato brasileiro foi ofuscado, como já era esperado, pelas Olimpíadas no Rio de Janeiro. A reação do público em geral foi positiva. Na verdade foi muito distante das previsões catastróficas que duvidavam do sucesso do evento. Afinal, nos últimos tempos a razão vinha dando margem para sofismas e sentimentos retrógrados, que enfim foram superados ao longo dos jogos e sua diversidade de modalidades.



Confesso que eu não queria que a Copa do Mundo e as Olimpíadas fossem realizadas no Brasil. Hoje reconheço que apesar das contradições, tais acontecimentos serviram para provocar trincas significativas em nossas deformações morais e, em particular, testar a nossa jovem democracia diante da diversidade política, étnica, cultural e de gênero.

O grande aprendizado é que no Brasil há muito que se fazer. Não resolveremos nossos problemas em embates retóricos, mas sim com inteligência, estudo, muito trabalho e dedicação. O lema “O importante é competir” não é absorvido por nossa imprensa, o que acaba contribuindo para que só aceitemos as medalhas de ouro como prova inconteste de superioridade absoluta.

O maior desafio que temos não é o de ganharmos medalhas, mas sim ter uma cultura esportiva, que esteja em nossas escolas, condomínios, locais de trabalho, da mesma forma que já existe, mesmo que embrionária, em nosso Exército. Venho conversando com muita gente e para decepção de alguns, esse debate transcende as retóricas ideológicas.

Como o meu objetivo agora não é aprofundar esse tema, me disponho a prosseguir com o assunto interessante em outro momento. Por enquanto, publicamente confesso que a única conquista brasileira nas Olimpíadas que me emocionou de verdade foi a da judoca Rafaela Silva. A vitória dessa jovem militar me fez pensar muito no que falou MV Bill em relação ao premiadíssimo “Cidade de Deus”.

O rapper fez as devidas considerações aos aspectos técnicos do filme, mas na ocasião reclamou da elevada estigmatização aos moradores da Cidade de Deus. Bill sempre enfatizou que os mais de 18 grupos culturais da Comunidade fazem um belo trabalho, tão ou mais robusto que a presença da marginalidade. Chorei Bill! Você estava certo.

E o Mengão? Vamos ao pacotão…

Flamengo 1×0 Atlético/PR

Sport 1×0 Flamengo

Flamengo 2×1 Grêmio

Chapecoense 1×3 Flamengo

Eu não havia gostado do futebol apresentado pelo Flamengo contra o Atlético/PR. A vitória veio mas o time ficou devendo. A equipe não fez um jogo tão ruim como contra o Sport, mas a atuação nesses dois jogos parece ter provocado em Zé Ricardo a percepção de que ele deveria promover alterações diferentes e isso ocorreu nas partidas subsequentes.

Contra o Grêmio o Flamengo fez uma partida monstro. Afinal, a equipe sempre foi carne de pescoço para nós e esse time atual é muito bom. O resultado poderia ter sido mais folgado, mas uma lambança de Rever e Muralha colocou os caras no jogo.

Contra a Chape o Flamengo também foi superior, porém também demonstrou vacilos pontuais, com recuos que acabam assustando a Magnética. O placar foi maiúsculo e nos levou ao segundo lugar, posição que não merecemos e não queremos. Enfim, o cheiro é de hepta mesmo!

O que temos de mais importante é saber que, com um Flamengo apresentando um bom futebol, a desculpa de que o Maracanã faz falta, as viagens são cansativas e de que a torcida de Brasília não presta, tudo isso vira mimimi do passado. Esse time do Flamengo é capaz de vencer em qualquer estádio do Brasil, onde a Magnética se fará presente sempre em grande número.

imanes

A Magnética está em todos os lugares

É lógico que queremos jogar no Maracanã. Está todo mundo querendo colocar a mística em campo ao lado do bom futebol. Bom futebol que devemos ser gratos ao treinador Zé Ricardo. Ele pode não fazer o que queremos, mas demonstra capacidade em romper com suas próprias convicções e promover as alterações cada vez mais acertadas, mesmo quando o nome que surge na beira do campo não nos agrada. Fico feliz em constatar que em pelo menos uma coisa eu estava certo, a de que não deveríamos ter contratado Abel Braga.

Para concluir, embora não tenha ligação com o Campeonato Brasileiro, a vitória contra o Figueirense, que nos garantiu o avanço de fase na Copa Sul-Americana inaugurou a era dos golaços, o que não deverá deixar meu amigo Dadá Maravilha triste. Logo ele que sempre disse que não existe gol feio. Feio é não fazer gol!

Para não dizer que não falei do arco-íris:

Os confrontos dessas quatro últimas rodadas separaram os homens dos meninos. De ponta a ponta como ficaram os clubes?

Palmeiras – Lidera com 43 pontos. É forte candidato ao título por diversos fatores. O Porco possui um dos melhores treinadores brasileiros; aproveita muito bem seu mando de campo, dispõe de um elenco razoável e ainda conta com a simpatia da arbitragem…

Flamengo – Até certo ponto me surpreende a campanha do Mengão. Todavia, em um campeonato nivelado, sem grandes craques, jogadores como Diego podem fazer a diferença. Mas não é só isso. O jovem treinador Zé Ricardo vem fazendo um trabalho louvável e o time é visivelmente bem arrumado. O Rubro-Negro faz um baita campeonato até agora e habilitou-se a disputar o título. O segredo é manter o sapatinho e só falar no cheirinho…

Atlético/MG – Robinho vem sendo muito importante nessa nova fase do Galo na competição. Quando chegou, sua forma física estava lastimável. Como ninguém esquece como se joga futebol, logo que Robinho melhorou seu condicionamento, os resultados começaram a aparecer em campo, tanto que é artilheiro do time. Mas o time mineiro começa a ter problemas com perdas de atletas para o exterior ou com contusões. Ainda é um dos favoritos ao título, mas já demonstrou que não tem aquele elenco tão forte como a imprensa (mineira principalmente) divulgava.

Corinthians – Parafraseando o José Trajano, a quem nutro enorme respeito, os Gambás ocupam um lugar mentiroso na tabela. Eles não possuem elenco, time e tampouco treinador. Para garantir vaga no G4 precisarão muito mais que um apito camarada.

Santos – Pela juventude e qualidade do elenco a equipe santista pode sonhar com vaga na Libertadores.

Grêmio – Outro time que briga fortemente por G4. Se sua torcida acreditasse, o estádio próprio poderia ajudar.

Ponte Preta – Nosso próximo adversário. Time perigoso em decorrência de sua imprevisibilidade. Não briga por nada. Mas parece que continuará na Primeira Divisão, sonho de consumo de outro time que tem a camisa igualmente feia.

Fluminense – Time sem vergonha. Se houvesse eleição direta para rebaixamento, certamente eles seriam levados diretamente para a Série D.

Atlético/PR – Time bem armado, mas limitado. Deve ficar no meio da tabela.

Chapecoense – Impressionante. O time catarinense tem uma estratégia histórica para se manter na elite do futebol brasileiro. Eles sabem que não possuem equipe para disputar o título, então dificultam ao máximo para os adversários. O futebol apresentado pela Chape é muito regular. A estratégia deve funcionar mais uma vez, e eles devem permanecer na Primeira Divisão.

São Paulo – Campeonato medíocre dos bambis. A zona na diretoria derrubou o time em campo.

Sport – O que falar desse Clube? O Flamengo fez caridade ao ceder a vitória ao fraco time pernambucano, que pode ser sugado a qualquer momento para o Z4.

Botafogo – É um zumbi. Vive de um passado distante de poucas conquistas, ou de um mais recente, quando chegou a levar alguma vantagem em carioquetas. Luta para não permutar com a bigoduda.

Cruzeiro – Com a volta de Mano Menezes a equipe celeste deverá sair da posição incômoda de porteiro da zona. Nada mais que isso…

Vitória – Levando-se em conta as limitações de elenco, a equipe Baiana está até bem colocada. Eles não montaram time para disputar a Série A. Permanecer na Primeira Divisão será conquista digna de volta olímpica.

Coritiba – O filme se repete todo ano. Luta sempre contra o rebaixamento.

Internacional – A grande decepção do Brasileirão 2016. Começou muito bem, mas já está 14 partidas consecutivas sem saber o que é vencer. E logo Celso Roth seria a solução? Três treinadores… Receita clara para a Segunda Divisão.

Figueirense – Outro clube cuja diretoria acha que técnico tem que se virar. Desfaz-se de parte do time e queria ser campeão? Luta fortemente para cair.

Santa Cruz – As primeiras rodadas iludiram a todos.  19 pontos em 22 rodadas são para encomendar o funeral.

América/MG – Que vergonha do simpático Coelho. Outro clube cuja diretoria tem 100% de responsabilidade pelo vexame. A solução para a família América é constituir uma fusão com os xarás América/RJ, América/SP, América/RN, e serem financiados pelo América de Cali.

Enquanto isso, o Zumbi vai aprontando contra o Grêmio, em jogo atrasado…

Dica: Departamento de Matemática da UFMG – Estatísticas do Brasileirão 2016.


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