Com todos todos os méritos e desméritos, o Vasco está em mais uma final de Campeonato Carioca, após bater o Flamengo na semifinal do famigerado Estadual. Não quero falar do jogo em si e, muito menos, da atual freguesia rubro-negra para o Cruzmaltino. O que aconteceu na Arena Amazônia não tem muito o que se dizer, vitória incontestável do Vasco. Podemos tentar explicar o ANTES. Por que o 2016 do Flamengo está com a cara de 2015?

O início foi errado. Ainda na campanha eleitoral, Flávio Godinho, que viria a ser confirmado vice de Futebol, deu ao site GloboEsporte.com, a seguinte declaração, após a derrota do Flamengo para o Atlético-PR por 3 a 0, na Arena da Baixada:

“Assim como o torcedor, a minha reação é a seguinte: tem que passar o rodo. Então eu poderia dizer o seguinte: se você considerar o time titular do Flamengo, não estou nem dizendo o de domingo, porque estava muito desfalcado, mas em relação ao time titular posso te garantir que vamos ter pelo menos seis novos jogadores para o ano que vem”.

Prometeram uma faxina no elenco. Entretanto, além de não fazer o prometido, ainda renovaram contratos de jogadores que brincaram com o Manto Sagrado. As contratações não chegaram a ser ruins, Juan, William Arão, Mancuello, Rodinei e Cuéllar se mostram como gratas surpresas. O problema foi que simplesmente ignoraram nossas maiores deficiências, expressas ao longo do ano passado.

O Flamengo terminou o Campeonato Brasileiro com 19 derrotas (equivalente a um turno) e, tendo sofrido CINQUENTA E TRÊS GOLS, sistema defensivo menos pior apenas do que os dos rebaixados Avaí e Vasco. Fato este que notabilizava a necessidade de uma enorme mudança; não só de nomes, mas de personalidade. O próprio Flávio Godinho, assumiu isso, na supracitada entrevista:

 

“Você vê que, pela quantidade de jogos que o time conseguiu virar, é um time apático. E, na maioria das vezes, composto por jogadores coadjuvantes”.

 

Apesar das mudanças na equipe titular, uma coisa não se alterou, o Flamengo é um time com pouca vontade de vencer e quando tenta alguma coisa, o faz desorganizadamente. Quando sofre um golpe então, baixa a guarda e entrega os pontos. Algo inadmissível para um time que se caracterizou justamente por sobrepujar seus adversários através da RAÇA.


Muito se falou em jogar o Campeonato Carioca com um time reserva, mas recuaram dias antes do início da competição, cedendo à pressão da emissora detentora dos direitos de transmissão. Se o Fla mantivesse o discurso (jogar o Carioca com reservas) que o presidente fez durante sua campanha eleitoral, a torcida, talvez, nem se importaria com o Estadual.

A Copa da Primeira Liga, competição que seria prioridade, foi subestimada quando Muricy Ramalho escalou um time alternativo em plena semifinal. Todas as atenções se voltaram ao Carioca, que em nenhum momento, o Flamengo conseguiu convencer. O técnico apresentado às pompas, na Gávea, mais uma vez errou num jogo decisivo, e assumiu esse erro quando ainda no intervalo fez a mexida na formação tática da equipe. Nada adiantou, Vasco 2×0 Flamengo.

Como vimos, muitos são os fatores que nos fizeram iniciar 2016 com o mesmo espírito de 2015. E os culpados são diversos. Do Presidente aos jogadores, passando pelo Conselho Diretor, com Godinho à frente do departamento, Rodrigo Caetano e Comissão Técnica.

O que ficou de bom até aqui foi o show da Nação pelo Brasil. Milhares de torcedores que não pouparam esforços para apoiar o time.

O ano não está perdido. O Campeonato Brasileiro vem aí e o Flamengo entra novamente com a obrigação de fazer uma campanha que honre suas tradições.