E agora, José?



O jogo acabou,

o Márcio enganou,

o Jayme sumiu,

a cabeça esfriou,

e agora, José?

 

O rubro-negro Carlos Drummond de Andrade há de me perdoar pela paródia mequetrefe, mas essa é a pergunta que está no ar. E agora, José Ricardo Mannarino?

Zé Ricardo é um batalhador. Para chegar ao patamar de técnico efetivo da equipe profissional de futebol do Clube de Regatas do Flamengo, passou, além do futsal, pelas categorias mirim, infantil e juniores do clube.

Foi nessa última que ganhou notoriedade. Pegou um Sub-20 desacreditado e, em menos de dois anos, ganhou uma OPG, um Estadual e a Copa SP. O time jogava bonito. Mais do que isso, o time jogava de forma bem estruturada.

Quem conversava com Zé Ricardo voltava impressionado. Era tudo, menos um treinador boleirão. Mostrava ser esclarecido, estudioso e atualizado. Encantava os jornalistas especializados em categorias de base.

Cito aqui um momento em especial me marcou e me encheu de esperança: quarta fase da Copinha desse ano. Jogo contra o Bahia e ele manda ao campo o seguinte time: Thiago, Thiago Ennes, Léo Duarte, Lincoln e Michel; Arthur Bonaldo (Ronaldo estava suspenso); Klebinho, Paquetá, Matheus Sávio e Cafú; Vizeu. Vejam essa linha de 4 no meio-campo. Apenas jogadores técnicos, nenhum volante grosso. Fiquei encantado pela ousadia.

O tempo passou e Zé Ricardo acabou recebendo a grande chance de sua carreira. Virou treinador dos profissionais do Flamengo… Um Flamengo mal treinado, mal organizado, mal planejado… Mas agora o cenário é outro. O elenco ganhou reforços e Zé dispõe de peças para armar um time que brigue lá em cima.

É bem verdade que ele não tem muito tempo para trabalhar (o ocioso primeiro semestre foi desperdiçado por Muricy), não tem um auxiliar e não tem uma casa fixa no Rio de Janeiro, mas agora o elenco é bom.

E Zé Ricardo também é bom! Eu quero acreditar nisso. Eu faço questão de acreditar nisso. Eu vejo o Márcio Araújo em campo jogo após jogo, mas me recuso a aceitar que o treinador que fez um trabalho fantástico na base tenha se tornado um Celso Roth 2.0.

Para não ser injusto, o time hoje já pratica um futebol muito melhor do que fazia com Muricy, Oswaldo, Cristóvão, Jayme, Vanderlei, Ney… Mas quero mais! Acredito que possamos ter mais!

Não quero entrar no mérito de qual deva ser a escalação, mas Zé Ricardo tem a obrigação de conseguir encaixar o que temos de melhor entre os onze.

Pra falar do meio pra frente, Cuéllar, Mancuello, Arão, Diego e Paolo seriam titulares na maioria dos times da América do Sul. Ainda temos Alan Patrick, Everton, Ederson, Vizeu… Zé Ricardo pode fazer muito mais.

Mas e agora, José?

Chegou a hora da verdade. Vai ser aquele treinador intrépido da base ou o que escala Márcio Araújo pela entrega e Fernandinho porque segura o lateral?


Ouse, José!

 

Crédito imagem destacada: Arte do blogueiro sobre foto de Gilvan de Souza/Flamengo
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