A criação da Copa do Nordeste não foi fácil, a liga dos times nordestino comprou uma enorme briga com a CBF e venceu. A competição apelidada de Lampions League, em referência a Champions League, se tornou um sucesso esportivo, de público e financeiro inspirando a criação da Copa Verde e da Copa Sul-Minas-Rio.



A lógica das competições é praticamente regional, mas também poderia ser financeira e de peso esportivo, já que os clubes estão nivelados. Esse equilíbrio e a possibilidade de distribuição nacional se remete à ideia geradora da Copa do Brasil, que é uma competição que visa ter clubes de todo o país e proporcionar chance a qualquer clube de ser campeão nacional independentemente da divisão em que esteja no campeonato nacional.

Recentemente muitos clubes se uniram para protestar contra o atual formato da Copa do Brasil, que favorecia os chamados “clubes grandes”, que são os de maior poder financeiro e tradição futebolística na série A. De fato, desde que se mudou o regulamento para que os clubes participantes da Libertadores entrassem nas oitavas de final na competição, ficou muito mais difícil para um time menor surpreender e chegar à final.


A Copa do Brasil deveria ser uma competição que promovesse integração nacional, proporcionando a chance de alto ganho financeiro e esportivo a clubes de fora do eixo Sul-Sudeste, o que tenderia a fortalecer os clubes de outras regiões e, por consequência, permitir-lhes maior força nas divisões nacionais nivelando por cima as competições das séries A, B e C.

O Sucesso da Copa do Nordeste

No atual formato, a Copa do Nordeste teve início em 2013 e de lá para cá vem crescendo em arrecadação, média de público e audiência, que em 2015 chegou a 18,9 milhões de TVs segundo o Esporte Interativo. O trabalho de marketing feito em cima da competição com tour da taça pelos estados participantes, cerimonial nos jogos semelhantes aos da Champions League com direito a bola própria, patch da competição nas camisas e até moedinha personalizada para o cara e coroa, criou toda uma atmosfera sedutora para os torcedores e patrocinadores, permitindo uma premiação que chegou a R$ 5.895.664 para o campeão.

 Comparação dos maiores públicos pagantes
 Comparação das médias de público pagante referência 08/2015

Como podem ver, as médias de público da Copa do Nordeste são bem inferiores à média do Campeonato Brasileiro, mas devemos considerar nesse ponto a base de torcedores de times menos tradicionais que costumam impactar na 1ª fase, que é de grupos. Se consideramos apenas a fase de mata-mata a média sobe, em 2015 chegou a 21.990 pagantes, bem maior que a do Brasileirão. Já no gráfico de maiores públicos vemos 2 vitórias do Ceará em cima do São Paulo nos dois últimos anos, um dado que em hipótese alguma pode ser desprezado.

Em termos de arrecadação, o sucesso inquestionável da competição que só é transmitida pelo Esporte Interativo em seu canal por assinatura e em suas transmissões pela parabólica, mas ainda fora das grades das principais operadoras de TV por assinatura, e pela Globo (um jogo por rodada para o Nordeste) não só atrai mais público como mais patrocinadores. Se somarmos os dados de arrecadação com bilheteria, cotas de TV e patrocínios a competição alcançou os valores de R$ 20 milhões em 2013, R$ 23 milhões em 2014 e R$ 29 milhões em 2015.

A Primeira Liga

A Copa do Nordeste é uma realidade, assim como a Copa Verde, mas a Primeira Liga ainda está se estabelecendo. Tenho críticas ao modo de organização com um presidente e um CEO ligados a clubes ao invés de uma gerencia totalmente profissional e espero que o formato um dia seja repensado para termos uma Liga de futebol que realmente represente um avanço em termos de gestão e resultado esportivo e financeiro.

Com clubes de várias regiões e organizando uma espécie de regional Sul-Sudeste com a exceção de clubes de São Paulo e Espírito Santo (estado que já faz parte da Copa Verde), os números dessa primeira edição ainda não são tão impressionantes financeiramente, mas com sua incorporação no calendário anual e maior segurança para negociação dos direitos de TV, deve passar a ser financeiramente muito interessante e, assim, atrair os clubes de São Paulo.

Contudo, o número de clubes fortes desses estados inviabilizaria uma única competição que contemplasse boa parte deles, seria quase um mini brasileirão. Assim a sugestão é que a Liga fosse responsável por 2 campeonatos: Copa Sul e Copa do Sudeste.

Em ambos os torneios haveriam 8 representantes de cada um dos 3 estados (no Sudeste excluir-se-ia o Espírito Santo), divididos em 4 grupos de forma a ter 2 clubes de cada estado em cada um. Classificam-se os times que estão na Libertadores e completa-se a vaga pela colocação no Estadual do ano anterior.

Após jogos de ida e volta, os primeiros colocados fariam a semifinal em um jogo, assim como a final e a disputa do terceiro lugar.

O Novo formato da Copa do Brasil

A Copa do Brasil ocorreria no segundo semestre e contaria com os 4 melhores colocados da Copa do Nordeste (CN), Copa Verde (CV), Copa Sul (CS) e Copa do Sudeste (CSE). Inicialmente seriam sorteados os pares de regiões a se enfrentar, por exemplo, Copa do Nordeste x Copa Sul e Copa Verde x Copa do Sudeste. Com a observação de que no ano seguinte não poder-se-ia repetir o mesmo pareamento até todas as combinações possíveis serem usadas.

Os clubes então seriam pareados de modo que o 1° colocado de um regional, enfrentasse o 4° do outro e 2° colocado o 3° do outro. O vencedor avançaria e o campeão de uma chave enfrentaria o campeão da outra em uma Super Final em 3 jogos, tendo ambos os times garantindo vaga na Libertadores no ano seguinte.

Esse formato garantiria melhor distribuição de premiação entre as regiões, estimularia as rivalidades regionais e poderia dar a chance de um time de menor expressão no cenário nacional se sagrar campeão. As possibilidades em termos de marketing seriam imensas, assim como a atratividade de público, o que permitiria haver maiores premiações.

Os Estaduais

É inegável que os campeonatos estaduais vêm perdendo apelo com o público, a fragilidade dos adversários e o grande número de datas tornam a fórmula cansativa para os torcedores dos clubes de maior expressão. Por outro lado é também difícil para os times menores serem competitivos contra os grandes pelo baixo orçamento.

Uma forma de melhorar o estadual poderia ser estabelecendo o limite de 12 datas. No caso do Rio de Janeiro, poderíamos 2 grupos de 5 clubes, que na Taça Guanabara enfrentariam os clubes do outro grupo e o melhor de cada grupo faria a final (6 datas). Já na Taça Rio os clubes se enfrentariam dentro do grupo e o melhor de cada faria a final (5 datas). O campeão estadual seria conhecido na final entre os campeões da Taça Guanabara e da Taça Rio.

Outra medida benéfica para o equilíbrio de forças seria a utilização de um time sub-23 como regra para os “clubes grandes”, de modo a dar rodagem para os jovens que estão saindo do sub-20 e aqueles que foram destaque em clubes menores e foram contratados como aposta. Isso permitiria maior equilíbrio no confronto com os times menores e ainda reservaria o time principal para o regional e Libertadores.

No balanço final

A mudança no calendário permitiria a integração das competições, daria um sentido para que cada uma existisse e evitaria um excesso de datas no início do ano. Com a mudança de 19 para 12 datas, haveriam menos 7 para os estaduais que ocorreriam nos meios de semana e 12 para as Copas que ocorreriam aos fins de semana, de modo a nunca se chocar com a Libertadores. Além disto, a fase seguinte da Copa do Brasil teria apenas mais 7 datas, sendo 3 para a final (um jogo em casa, um fora e o último em campo neutro).

O Calendário para o Campeonato Brasileiro será abordado na parte II da discussão. Além da proposta de mudança, haverá uma simulação de como ficaria o calendário deste ano com a nova distribuição de datas.

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