O Flamengo de Zé Ricardo veio de um 2016 sem títulos, mas de um desempenho muito bom na principal competição da temporada — o Campeonato Brasileiro. Além da maior pontuação do Flamengo em campeonatos de pontos corridos desde que eles foram estabelecidos, em 2016 — superando até o ano do hexa –, o time acumulou algumas outras marcas muito positivas, como a maior sequência de vitórias em casa do Flamengo em Brasileiros e a menor média de gols sofridos em 27 anos, abaixo de um por partida.

O ano de 2017, por enquanto, vem sendo ainda melhor. O time acaba de ser campeão carioca invicto, venceu o seu grupo na Primeira Liga e lidera o da Libertadores. Mais do que isso: o time correspondeu em todo jogo “grande” do ano, mesmo os que perdeu.

Quem frequenta as redes sociais rubro-negras, porém, vê uma História bem diferente. O Flamengo 2017 é uma crise prestes a explodir ao menor sinal de tropeço. Desde que o ano começou, parte da torcida representada nas redes já fez terra arrasada em:

– Derrota em amistoso
– Derrota em jogo-treino
– Derrota nos pênaltis que não mudava nada no campeonato
– Empate em clássico no qual o time já estava antecipadamente classificado, mesmo sendo flagrantemente roubado no final
– Eliminação em semifinal de turno que não valia nada

Isso para ficar apenas dentro de campo, já que quem quer cria crise até com a má distribuição do produto do patrocinador que fechou com o Flamengo o maior contrato de patrocínio da História. Quem ousava minimizar esses tropeços e ressaltar o trabalho bem feito e o bom desempenho do time nos jogos que valiam alguma coisa era acusado de “passar pano” e ser torcedor de diretoria.


É claro que a conquista do Carioca ainda não é o grande título que os rubro-negros esperam desde a Copa do Brasil 2013, mas é mais um indicativo de que estamos no caminho certo e que esse time — ao contrário do que foi inacreditavelmente discutido a partir de uma derrota em amistoso com menos de uma semana de pré-temporada e os titulares jogando meio tempo — não está “acostumado com a derrota”.

O jejum de títulos incomodava a todos, mas certas reações que só podem ser chamadas de histéricas diante de tropeços em jogos irrelevantes — tropeços que, excetuados os amistosos, foram apenas empates, e não derrotas, visto que o Flamengo terminou o campeonato invicto — não contribuem em nada para que o Flamengo alcance seus objetivos.

Não sabemos se jogadores ou a comissão técnica leem o que os torcedores escrevem nas redes sociais. Mas sabemos que membros da diretoria o fazem. De maneira geral, eles parecem convictos do seu trabalho. Mas nada impede que em algum momento eles embarquem nesta onda autodestrutiva de parte da torcida e tomem alguma decisão que comprometa o restante da temporada, como a interrupção do trabalho muito bom feito pelo técnico Zé Ricardo — o que alguns, e às vezes, muitos torcedores insistem em defender apesar de o time só ter, por exemplo, perdido 2 dos últimos 33 jogos.

À exceção da Primeira Liga, acabaram os jogos que não valem nada ou valem muito pouco para o Flamengo nesta temporada. O que não significa que a torcida não possa tirar lições para o resto do ano. Maus resultados vão acontecer. Pode ser que ocorram até eliminações — uma hecatombe pode levar à desclassificação da Libertadores já na fase de grupos, que não seria merecida pelo desempenho apresentado pelo time, mas no futebol o que vale é bola na rede. O importante é seguir a lição de Walter Franco e manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. Os primeiros frutos da continuidade do bom trabalho no departamento de futebol — que não se resume ao que Zé Ricardo faz dentro de campo, mas também engloba o investimento em estrutura que se esperou por tantos anos e as contratações que o clube vem conseguindo fazer por sua melhor condição financeira e por essa mesma estrutura — já vieram. Outros virão se soubermos esperar o tempo para eles frutificarem.

Não era possível ser campeão carioca antes do fim do campeonato. A mesma coisa vale para os outros desafios que enfrentaremos. Deixemos a crise para a hora da crise. Não precisamos criar crises artificiais.

Saudações rubro-negras campeãs cariocas pela 34ª vez.

Rodrigo Rötzsch é jornalista e coeditor do MRN. Siga-o no Twitter: @rodrigorotzsch.
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