O Flamengo divulgou há duas semanas o seu balanço trimestral do período encerrado em 30 de setembro, que permite fazer algumas observações sobre o presente e o futuro financeiro do clube.

 

Receitas

O ano mais difícil para a economia brasileira em muito tempo não poderia deixar de repercutir nas contas do Flamengo, por mais competentes que sejam os profissionais do clube. Mas como a sorte ajuda os competentes, apesar do cenário devastador da economia nacional, entrou em vigor neste ano o novo contrato que aumenta exponencialmente as receitas de televisionamento dos jogos do Flamengo. Isso permitiu que as receitas de TV tivessem um salto de R$ 53 milhões dos nove primeiros meses de 2015 para o mesmo período deste ano. Esse acréscimo compensou com folga as quedas em três outras grandes fontes de receita do Flamengo: os patrocínios, que registraram recuo de R$ 14 milhões, o programa de sócio-torcedor, que teve redução de cerca de R$ 3 milhões, e a bilheteria, com a qual arrecadamos cerca de R$ 10 milhões a menos. A boa notícia é que, no balanço do fim do ano, essas três rubricas nas quais perdemos devem, no mínimo, reduzir as perdas em relação a 2015, com a volta do Maracanã, o novo recorde de adesões ao Nação Rubro-Negra e os três novos patrocínios para a camisa conseguido no último mês.

Endividamento

De maneira geral, as receitas do Flamengo aumentaram 35 milhões e as despesas aumentaram 42 milhões. Mas o clube ainda reserva uma boa parte de sua arrecadação para a quitação de dívidas. Nos últimos nove meses, o endividamento líquido teve uma redução de R$ 58 milhões, baixando de R$ 481 para R$ 423 milhões. Tudo indica que a meta de uma receita anual superior ao total da dívida será batida já em 2016. Com a dívida fiscal equacionada com o Profut, a dívida trabalhista sob controle dentro do Ato Trabalhista e a dívida cível em queda com alguns acordos muito positivos como o com o Consórcio Plaza – enterrando um cadáver de 21 anos que datava da malsucedida contratação de Edmundo -, o Flamengo também começou a quitar os empréstimos privados. O principal deles, quase zerado – e que estimo, será zerado até o fim do ano – é com o Consórcio Maracanã, a quem devíamos cerca de R$ 27 milhões. O contrato com o consórcio, que se encerra em dezembro, tinha uma cláusula de prorrogação automática enquanto o Flamengo não quitasse o empréstimo. No total, o Flamengo tinha 161 milhões a pagar em empréstimos em dezembro de 2015, e esse valor caiu para 114 milhões.

Gastos com futebol

Como muitos sabem, o endgame da recuperação financeira do Flamengo é tornar o time aquele que mais investe no departamento de futebol no Brasil, dentro da adequação ao Profut na qual um clube só pode gastar 80% de suas receitas com o futebol profissional. Nos primeiros nove meses do ano, o clube gastou 52% do total da sua receita com o departamento de futebol e apenas 33%no pagamento da folha, bem abaixo do limite do Profut. Isso apesar de o futebol responder por 84% do total da arrecadação. No ano passado, esses números eram, respectivamente, 47% e 85%. Projetando os próximos anos, a margem para crescimento de gastos de futebol do Flamengo à medida em que as receitas vão crescendo e o endividamento vá diminuindo é muito grande.

Custos Maracanã

Num período em que o Flamengo pleiteia o direito de assumir a administração do Maracanã, a discriminação das receitas com bilheteria traz preocupação sobre a viabilidade econômica do estádio. Sem Maracanã, a arrecadação bruta de bilheteria do Flamengo de janeiro a setembro de 2016 foi de R$ 27 milhões, mais de R$ 11 milhões a menos do que nos nove primeiros meses do ano passado. Já a arrecadação líquida teve uma redução de apenas R$ 2,5 milhões. Em outras palavras, ou outros números: com o Maracanã como principal casa, o Flamengo ficou, de fato, com 42% da receita bruta de bilheteria em 2015; sem o estádio, essa cifra subiu para 51% em 2016.

Projetando contratações

A rubrica “contas a pagar” revela que o Flamengo ainda tem 23 milhões a pagar pelos direitos econômicos de jogadores adquiridos nos últimos anos, o que deve ser levado em conta na projeção de novas contratações para 2017. A troca de Fernandinho pelos restos a pagar do Grêmio por Wallace, que foi ventilada, pode ter fundamento: o balanço registra que o Grêmio ainda deve R$ 2,2 milhões ao Flamengo pela operação – muito embora o Flamengo deva mais que isso aos investidores do passe de Wallace.


Esportes Olímpicos

A grande má notícia do balanço diz respeito aos esportes olímpicos. A grande conquista da gestão de Alexandre Póvoa e Marcelo Vido no primeiro mandato de Eduardo Bandeira de Mello – fora os títulos, principalmente no basquete – foi a autossustentabilidade da área, que deixou de ser um sugadouro dos recursos do futebol e passou a caminhar com as próprias pernas. Em 2016, esse quadro deixou de existir, e os primeiros nove meses do ano deixaram um rombo de quase 9 milhões na pasta. A redução de arrecadação de recursos via leis de incentivo fiscal e a perda do principal patrocínio do basquete explicam o rombo – e explicam também o enfraquecimento do time de basquete para a sequência da temporada. Acostumado a ter dez jogadores adultos e três estrangeiros na rotação, estamos disputando a final do Carioca contra o Vasco com apenas seis adultos e o balanço é indicativo de que o cenário não deve mudar nos próximos meses. Uma pena para o basquete brasileiro que um clube da envergadura do Flamengo, com o retorno de mídia que tem e um time tetracampeão nacional consecutivo não consiga um patrocinador para manter seu nível de competitividade. De qualquer jeito, o Flamengo deve continuar buscando a autossustentabilidade na área, e, se não for possível aumentar as receitas, deve sim, conter as despesas, ainda que isso possa acarretar resultados abaixo dos desejáveis para o “Orgulho da Nação”

O balanço na íntegra está disponível AQUI

Rodrigo Rötzsch (Twitter: @rodrigorotzsch)

Imagem destacada: Reprodução / Arte MRN

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