Ronaldo de Assis Moreira, mundialmente conhecido como Ronaldinho Gaúcho, completa 37 anos neste dia 21 de março de 2017. Hoje aposentado, o eterno “R10” coleciona prêmios importantes e títulos por onde passou. A sua carreira foi marcada por alegrias, muito pagode e festas, e momentos inesquecíveis.



Um destes momentos, principalmente para o torcedor do Flamengo, foi a vinda dele para o clube. Impossível esquecer o “Flamengo é Flamengo” dito por ele e a sua apresentação diante de uma multidão vermelha e preta na Gávea.

O flamenguista é empolgado, cria expectativas e com Ronaldinho não foi diferente. “O melhor no maior do mundo”. Se lembram disso? Vindo de uma reserva no Milan, o duas vezes melhor do mundo já não era “o melhor” há algum tempo. A genialidade, a técnica e a habilidade em campo, ainda que parecesse a mesma que o consagrou, na verdade estava se perdendo.

Talvez o que ele ainda tinha de melhor era a habilidade como promoter, fazia festas como poucos. Frequentava outras como vários. Ninguém ligava pra isso enquanto em campo ele dava três balões no mesmo marcador, distribuía canetas, ganhava jogos sozinho.

Ronaldinho virava cada dia mais baladeiro do que jogador. Se tornava alguém preguiçoso, com pouca vontade em campo e pensava que por ter um bom passe, e apenas isso, continuaria ganhando jogos.

Mas a Nação rubro-negra é, como falei anteriormente, extremamente empolgada. É papel de torcedor. Assim como a cobrança também é, e convenhamos, R10 sentiu isso na pele.

Título de Guanabara com gol de falta dele, Taça Rio em cima do Vasco e o primeiro título com a camisa do Fla. Eliminação precoce na Copa do Brasil diante do Ceará. Meses de invencibilidade, goleada na estreia sobre o Avaí e derrota vexatória pro Atlético-GO no Brasileirão, em momento algum ficando abaixo do sétimo lugar na tabela, e vaga na Libertadores conquistada.

Seu momento principal veio no duelo considerado o mais genial dos último 10 anos pelo menos. Santos x Flamengo, Vila Belmiro com todo mundo curioso para assistir o grande duelo entre Neymar, ainda futura estrela, e Ronaldinho Gaúcho, ídolo de uma geração. Além do placar de 4×5 a favor do Mengão, foi nessa partida em que saiu o gol Puskas do “menino Ney” e que toda a “nova geração” viu de perto, com enorme semelhança aos anos de 2004/2005, o craque que R10 foi e/ou era. Foram 3 gols marcados e um com “a grife do gaúchinho”, como na narração de Luis Roberto, após uma cobrança de falta magistral por baixo da barreira.

O primeiro ano de Ronaldinho no Flamengo teve a alegria do “Bonde do Mengão sem freio”, de um título carioca e de uma vaga na Libertadores. R10 foi, ao lado de Thiago Neves (pra mim o melhor do ano) e de Deivid, o artilheiro do rubro-negro com 21 gols no ano.

Engana-se quem acha tudo foram só flores. Falei da estreia empolgante no Brasileirão diante do Avaí, mas dali em diante o Fla empatou nas 4 rodadas seguintes e, na última delas, no clássico contra o Botafogo, Luxemburgo resolveu substituir R10 no finalzinho do jogo. Sob vaias, o craque deixou o gramado. Contudo, foi a partir desse episódio que ele viveu o momento considerado “o melhor dele pós-Europa” e até voltou a ser convocado para a seleção brasileira.

Queria a Nação (ou não) que esse fosse o único episódio ruim da passagem de Ronaldinho pelo Flamengo. No ano seguinte, situações contratuais atrapalharam o que poderia ser mais um ano no mínimo regular. A Traffic, quem deveria pagar o salário de mais de R$ 1 milhão por mês, devia o atleta, rompeu o acordo com o clube e o Fla teve que arcar com esse pesado fardo. Não arcou e o torcedor passou a sentir os problemas de uma gestão irresponsável.

R10 quase não viajou com a equipe para enfrentar o Real Potosí, pela fase de playoffs da Libertadores. Luxa, que logo depois da classificação para a fase de grupos da competição, foi demitido – “fritado”, para muitos – chegou a acusar o jogador de levar uma mulher para a concentração durante a pré-temporada. O velho Ronaldinho de volta.

Vexame na Libertadores, com eliminação na fase de grupos, eliminado contra o Vasco na Taça Rio e desempenho ridículo do camisa 10 e de todo o time foram pesando e deixando a torcida envergonhada, impaciente. O momento auge, pra mim o mais vergonhoso de todos, foi quando Assis, irmão e agente de Ronaldinho, entrou na loja oficial do clube e pegou 40 itens lá dentro. Não queria pagar e alegou que “se não pagam meu irmão, eu também não vou pagar”. Que vergonha, Flamengo!

As públicas cobranças de Joel Santana ao jogador e a também pública crítica de Ronaldinho ao esquema tático do treinador, ditavam que tudo corria de mal a pior.

Pra finalizar, numa manhã vaza um vídeo vindo do Piauí, onde o Fla tinha feito um amistoso, com o diretor Paulo Cézar Coutinho afirmando que R10 “não joga p* nenhuma” e que ele já estaria afastado do elenco. Zinho teve que apaziguar a situação. Não adiantou.

Mais tarde, ainda no mesmo dia, saiu a notícia de que Ronaldinho havia acionado o Flamengo na justiça e rescindido o seu contrato judicialmente, ou seja, de uma das maneiras mais esdrúxulas possíveis, cobrando 5 meses de salário e de bonificações atrasadas.

E foi assim, sem despedida e pela porta dos fundos, que a passagem do (ex) melhor no maior do mundo acabou. Totalmente ao contrário da forma como chegou. Sua última partida, contra o Inter, no dia 26 de maio de 2012, teve um gol e mais vaias, antes mesmo de tudo isso acontecer.

Foram 74 jogos com a camisa do Fla e 28 gols. Uma passagem decepcionante também pro marketing do Flamengo, que, esperava a diretoria, era pra ser o principal impulsionado pela contratação. No rubro-negro, ele viveu tudo, ou até mais, do que viveu em toda a sua carreira.

Hoje os R$ 40 milhões que foram cobrados pelo jogador viraram R$ 17 milhões. A passagem dele serviu pra escancarar que o Flamengo precisava de uma revolução administrativa.

E a única coisa boa que Ronaldinho trouxe ao Mais Querido do Brasil foi fazer do clube ainda maior do que ele sempre foi.


Lucas Tinôco é baiano, cursa jornalismo e escreve no Blog Vivendo o Flamengo. Siga-o no Twitter: @lucastinocof

 


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