Poucos assuntos me incomodam tanto quanto o mimimi por uma divisão mais justa dos direitos de TV.

Mais justa?

Já viram a quantidade de jogos do Flamengo na TV? Não é benevolência da mãe Globo. É questão de mercado. A TV quer audiência, então transmite jogos que dão mais IBOPE. Simples assim. Não adianta chorar, mercado não é igualitário.



“Ah, mas o Flamengo tem que jogar contra outros times. Não tem campeonato sozinho.”

Sim, é  verdade. Mas o Tom Hanks faz filmes com outros atores, e ganha MUITO mais que eles. Não tem como uma estrela ganhar o mesmo que um coadjuvante. A culpa não é nossa se seu time não é relevante. Não vou fazer um estudo sobre isso, mas o Blog Teoria dos Jogos já fez e mostra que é justo sim o Flamengo receber mais que os outros.

Aí surge alguém com aquele papinho de comparar a ligas americanas.


A MLB (de baseball) não tem essa divisão igualitária de cotas de TV, que muitos acham imprescindível para ter um campeonato equilibrado. A NFL divide igualmente entre todos os times. Sabem quantos times diferentes foram campeões na MBL, nos últimos 15 anos? 9. Sabe quantos foram na NFL no mesmo período? Também 9.

Tentando chegar a um índice de equilíbrio por salário, peguei a maior folha de cada liga e dividi pela menor. Para ver a diferença entre o mais rico e o mais pobre. Na NFL ficou em 1,9, na MLB em 5,3. Ou seja, mesmo com a liga de baseball tendo uma disparidade salarial onde o mais rico gasta 5 vezes mais que o mais pobre, ainda existe um equilíbrio igual ao da liga onde o primeiro não gasta nem o dobro do último.

Para fechar a análise dos esportes americanos, vou falar rapidinho da NBA. As posições no ranking de maiores salários da liga, dos três primeiros colocados da conferência oeste (dia 18/03/2015), são 27º (Atlanta), 3º (Cleveland) e 5º (Toronto). Na conferência oeste é ainda mais impressionante, são o 13º (Golden State), 11º (Memphis) e 18º (Portland). Ou seja, dos 6 times melhor classificados na NBA, só dois estão entre os 10 maiores salários da liga. E o humilde Atlanta Hawks, 27º no ranking, consegue ser o líder de uma conferência onde o maior salário (Brooklyn) está em 11º lugar.

Ou seja, muito dinheiro nem sempre é garantia de resultado.

“Os clubes brasileiros deveriam se unir e criar uma liga.”

Não seria má ideia.

Se isso já não tivesse acontecido e falhado miseravelmente. Os clubes não conseguiram nem se unir o bastante para bancar o campeão de 1987, imagina para dividir dinheiro. Botafogo e Vasco apoiam a FERJ que faz de tudo para prejudicar os times. Porque imaginar que eles, ou os outros clubes, estariam dispostos a serem justos, se nunca demonstraram isso? Pra mim, qualquer conversa sobre uma liga deveria passar obrigatoriamente pelo reconhecimento do Flamengo como ÚNICO campeão brasileiro de 1987. Não é picuinha, é um marco.

Além disso, uma coisa muito comum entre times pequenos na Copa do Brasil (e semi falidos como o Botafogo) é ter patrocínios pontuais contra times grandes em jogos televisionados. Mas os times que são responsáveis por esse interesse pontual não ganham um centavo. Estaria o Brasil de Pelotas disposto a dividir com o Flamengo o que ganhou com o patrocínio que fechou só para os jogos da Copa do Brasil? O Botafogo não daria nem o smartphone de R$ 149.

Outro aspecto que ninguém lembra é o fator visitante. O Flamengo lota estádios como visitante pelo Brasil todo. Mas não vê um centavo. Não seria justo receber um cachê para arrastar multidões a estádios alheios?

Já me estendi demais.

Espero ter sido bastante claro para mostrar que divisão de cotas de TV não garante equilíbrio, dinheiro não significa bom trabalho e que tem muito time precisando colocar a mão na consciência antes de colocar no bolso dos outros.

 
Luiz Filipe Carneiro Machado é publicitário e titular do blog CRF & ETC.
Twitter: @luizfilipecm

 


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