cultura rubro negraHoje receberemos a honrosa visita de Mario Cruz.

Esse espaço está abrilhantado e eu, particularmente, muito feliz. Saboreiem o texto, percebam a história descortinar e entendam melhor os processos inerentes ao Clube de Regatas do Flamengo.

Diogo Almeida


 

Mario Cruz (email: [email protected])

Caros,
 
Antes de ontem, durante a reunião do Conselho Deliberativo que autorizou o ingresso de mais duzentos e quarenta e dois Sócios Proprietários em seus quadros, vendo a reação de alguns dos novos Conselheiros, recordei-me da emoção que senti ao passar a fazer parte do Conselho Deliberativo de nosso Clube.
Para tentar passar-lhes toda a emoção de minha relação com o Flamengo, torna-se necessário um preambulo.
Em dezembro de 1965, estava em Salvador acertando minha vida com o Exército, quando recebi um telefonema de meu pai, um sergipano alucinadamente rubro-negro, dando-me a seguinte noticia: “meu filho, acabei de adquirir um título de Sócio Patrimonial para mim e um para você”, para completar, disse-me que moraríamos praticamente em frente ao Flamengo.”

Naquela noite, não dormi. Minha paixão pelo Flamengo já era explícita, a influência exercida pelo velho era avassaladora. Quando viemos para o RJ, pela primeira vez, eu tinha 4 anos, aqui cheguei a acompanhar nosso segundo Tri, 53/55. Infelizmente, apenas pelo rádio. Meu velho, que não perdia um jogo, fosse onde fosse, não me levava, achava temerário em função de minha idade, entre 7 e 9 anos. Em uma de suas incursões à Bariri, estádio do Olaria, a arquibancada onde estava desmoronou. Acredito até que este incidente tenha postergado mais um pouco minha ida aos estádios.

Aos oito anos mudamo-nos para Niterói, fomos residir no Saco de São Francisco, hoje, apenas São Francisco. A distância do Maracanã, minha pouca idade e por meu pai ter assumido a função de auditor da Petrobras, com constantes viagens, fez com que minha estreia no Maracanã fosse mais uma vez adiada.
Aos onze anos, já incomodado por ainda não ter visto ao vivo o Flamengo jogar, consolava-me em ver alguns jogos pela TV, que na ocasião começou a transmitir um ou outro jogo, sem qualquer constância. O ano, 1958, meu pai foi transferido para Salvador-BA. Era meu retorno à terra onde nasci e minha angustia estava centrada em “E o Flamengo? Lá não tem Flamengo!”.



Chegando a Salvador, meu pai levou-me para conhecer a Fonte Nova, jogo Bahia x Vitória, o grande clássico baiano. Obviamente, ao ver as cores do Vitória, de cara, simpatizei com o mesmo, entretanto, o resultado do jogo fez com que eu perdesse qualquer simpatia, Bahia 5 x 0.
Logo em seguida, o Bahia foi Campeão Brasileiro, 1959, após 3 jogos antológicos contra o todo poderoso Santos de Pelé. Por mais que tentasse, não conseguia torcer por nenhum dos dois times locais, minha alma já estava impregnada de Flamengo.
De Salvador, acompanhei pelo radinho o Bi do Botafogo, 61/62, em cima de meu Flamengo. O jogo em que Garrincha acabou conosco, eu ouvi sozinho – meu velho estava viajando – na escada do prédio onde morava. Chorei muito.
Dezembro de 1965. Retornei ao RJ e praticamente mudei-me para a Gávea, como sócio Patrimonial, virei Móveis & Utensílios. Acompanhava todos os treinos, tornei-me amigo dos jogadores, principalmente daquele time de juniores que tinha o ataque formado por Zequinha, Dionísio, Luis Carlos e Arilson. Viviam lá em casa.

Como acompanhávamos tudo que envolvesse Flamengo, meu velho terminou sendo convidado para assumir a Vice-presidência de Basquete. Tive oportunidade de conviver com um time juvenil invencível, bicampeão carioca, que tinha seus exponentes em Pedrinho e Gabriel. Além deles, dentre outros, tínhamos Canguru, Tocantins, Robertão, Ventania. Na época, Veiga Brito jogava no infantil. Para comandar todas as Divisões, o inesquecível Kanela. Para mim, até hoje, o maior técnico de basquete que vi.
Este meu dia a dia dentro da Gávea foi interrompido quando casei-me em 1973. Sai do Leblon e fui residir em Laranjeiras. Afastei-me do Clube mas continuei totalmente ligado nos jogos do Flamengo. Não perdia nenhum. Inclusive, em alguns torneios ou campeonatos que aconteciam em MG, SP, RG, ES, eu lá estava.
Em 1987 concretizou-se meu grande sonho, consegui adquirir meu título de Sócio Proprietário, caríssimo na época, tornando-me Conselheiro. Orgulho, muito orgulho. Não faltava a uma reunião do Conselho, entretanto, mantinha-me apartidário, não pertencia a nenhum grupo político, mesmo sendo admirador incondicional de Marcio Braga, pelo que, à frente da FAF, havia feito pelo Flamengo em 1977.

Pela primeira vez, salvou o Flamengo da falência total, a segunda foi em 2004. Consolidou todas as dívidas do Clube, obteve aval para empréstimos, extinguiu o bicho dos jogadores, implantando um sistema de participação nas rendas, para completar, começou a montar o time que de 1978 até 1983 deu-nos as maiores glórias. Um time praticamente imbatível, que ganhou tudo o que disputou. Sem a menor dúvida, o melhor time do Flamengo de todos os tempos. Coadjuvado, dentre outros, por Junior, Leandro, Andrade, Adilio, aconteceu a maior de nossas revoluções: surgimento de nosso ídolo maior ZICO.



No começo de 2004, resolvi que tinha que voltar a frequentar o Flamengo com mais constância, o desempenho do time a partir de 2002 estava sofrível. Decidi que era ora de começar a melhor conhecer as entranhas políticas do Flamengo. Passei a frequentar todas a palestras, seminários, etc., promovidos pelo Clube.
Em um destes Seminários, lembro bem que, dentre outros, compareceram: Brunoro, que havia revolucionado o Palmeiras com a Parmalat, o Presidente do Vitória, figura controversa mas bastante impactante pelo que havia conseguido com seu time, tive a oportunidade de fazer algumas considerações sobre o tema em discussão. Ao término do mesmo, fui procurado por José Maria Sobrinho, profícuo organizador de todos Seminários que aconteciam no Flamengo e que na época respondia pela Vice-presidência de Planejamento. Sem a menor dúvida uma das grandes cabeças pensantes do Clube. O mesmo convidou-me para uma conversa em sua sala.

Para mim, dissertar sobre o Flamengo sempre foi um prazer, conversamos muito, discutimos vários aspectos controversos de nossas avaliações e ao termino de nossa conversa, o mesmo, relativamente surpreso com minha relação e conhecimento do clube, disse que eu reunia todas as condições para assumir uma Diretoria no Flamengo. Seria um cargo não remunerado, mas que faria parte de um Projeto maior que o mesmo pretendia implantar.
Ponderei que, da forma como o Flamengo estava sendo conduzido, conhecendo-me, disse-lhe que eu não ficaria um mês no cargo. Haviam fatos, acontecimentos, que na minha visão eram inaceitáveis. JMS então solicitou que eu o ajudasse informalmente, o que aceitei.

A partir daí, colocou-me a par de um projeto idealizado por Bruno da Silveira, um verdadeiro ícone nas hostes rubro-negras. O projeto chamava-se Nação Rubro-Negra e dentre seus vários objetivos, o mais importante era o resgate de uma maior interatividade com a Nação Rubro-Negra. Mergulhamos de cabeça no assunto e de cara sugerimos a criação das Embaixadas da Nação Rubro-Negra. Sequencialmente, ajudamos na elaboração do GEASE-FLA (Grupo Especial Alegria e Segurança nos Estádios), este pensado pelo Bruno para dar um maior suporte e segurança nos estádios aos nossos torcedores. O trabalho desenvolvido para implantação do mesmo, apesar de todas as dificuldades que enfrentamos, muito nos orgulhou. Os Boletins de Pré-Jogo e Pós-Jogo, eram sensacionais. Estes e outros projetos foram criados e sistematicamente implantados. Eu, continuava cooperando de forma informal.

Veio a eleição, Marcio Braga foi reeleito para a gestão de 2007/2009. No dia da posse, após o mesmo encerrar seu discurso de posse e nomear seus Vice-Presidentes, fui surpreendido com a seguinte convocação: “Senhores, após a nomeação de meus Vice-Presidentes, gostaria de anunciar a nomeação de Mario Cruz como Diretor do Projeto Nação Rubro-Negra. Ele será o interlocutor do clube com a Nação. Já imaginaram minha surpresa e emoção? Pois é… Algum tempo depois, em uma dedicatória em seu livro, João Henrique Areias presenteou-me com a alcunha de “Guardião da Nação”. Mais uma vez, muito orgulho.

Lá ficamos, como Diretor do Projeto Nação Rubro-Negra até janeiro-2008, quando, com a saída de JMS, fui nomeado VP Planejamento, onde permaneci até dezembro 2009.
Caros, lendo o que escrevi de supetão, gosto mais que textos muito revistos, elaborados, senti-me um pouco acanhado. O que a paixão por este clube faz com seus adictos torcedores?! No Facebook, ao ler a declaração do companheiro Benny Kessel sobre a emoção de ser admitido no Code, resolvi escrever umas poucas linhas, retratando a minha emoção, anos atrás, para a mesma situação. Ser Conselheiro do CRF.

A paixão e meu envolvimento com o Flamengo, levaram-me a este absurdo tamanho de texto que agora, envergonhado, apresento a todos meus companheiros rubro-negros.

Desculpem-me.

SRN
Mario Cruz
24/01/2015


 

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