Por Diogo Almeida | Twitter: @DidaZico

FullSizeRenderFred Mourão era o Gerente de Eventos e Relacionamento do Departamento de Marketing do Flamengo até o final de abril último. A notícia da sua saída veio alguns meses depois da impactante saída do VP de Marketing – agora opositor declarado de Eduardo Bandeira de Mello – Luiz Eduardo Baptista, famoso e polêmico Bap. Fred não esconde sua amizade com Bap, responsável direto pela sua chegada ao clube. Mourão participou efetivamente do processo eleitoral, que culminou com a vitória da Chapa Azul  naquela segunda-feira histórica de dezembro de 2012.  Tive uma longa conversa com Fred Mourão, que oficialmente será desligado nesta segunda, dia 01/06. O papo girou em torno das dificuldades encontradas no clube, a relação morna do departamento de futebol com o marketing, os eventos organizados com pouca ou nenhuma grana e, claro, sobre sua demissão. Não posso realmente dizer que entrevistei o Fred. Tivemos um longo papo, com algumas indagações aqui e ali. 

 Artífice de muitas empreitadas do contestado programa de Sócio-Torcedor do Flamengo, sua saída foi comemorada por muitos críticos do marketing rubro-negro; e também lamentada por muitos sócios que fizeram testemunhos da dificuldade de se trabalhar nos últimos anos de vacas magríssimas. 


Mourão, primeiro vamos falar da sua entrada no marketing do Flamengo. Já houve uma participação  sua efetiva na campanha da Chapa Azul ou você foi convidado só depois?

Não, fui convidado pelo BAP ainda para participar da campanha. Sou Carioca mas morava em São Paulo e ele me convidou. Fui trabalhar na campanha e trabalhar diariamente! Eu ficava na Gávea, o Rafael Strauch era responsável pela parte estratégica da campanha e eu pela parte operacional. No dia da eleição toda a operação, toda preparação dos seguranças que estavam conosco, localização onde íamos ficar, quem iria acompanhar os sócios que chegassem no estacionamento, a gente tinha toda uma logística, tinha membros do SóFla tomando conta da chegada de vários sócios para acompanhá-los, toda essa logística é bem minha especialidade… Eu cuido de eventos, então tocar o operacional no dia da eleição, eu já sabia bem como fazer.



A sua especialidade é eventos? 

Na verdade eu sempre trabalhei com marketing/vendas. Eu gosto muito de tocar eventos, organizar eventos. Acho que tem um pouco a ver com o fato de ser filho de militar e criado em base militar. Evento é uma coisa assim muito militarizada. Tem que organizar os tempos, movimentos. O Bap já me conhece há certo tempo. A primeira vez que eu trabalhei com ele foi em 96 na TVA Rio. Sempre que posso estou envolvido em seus projetos. Teve momentos, claro, quando eu fiz a volta ao mundo de mochila (Fred Mourão é autor de livros sobre viagens, veja em fredmourao.com.br); quando eu trabalhei numa Agro Indústria em Santa Catarina, aí eu estava mais afastado, mas sempre mantivemos algum tipo de contato, então quando aparecia alguma oportunidade ele conversava comigo e via se interessava, e essa me interessou, eu queria voltar pro Rio. Eu sou flamenguista mas eu nunca pensei em trabalhar no Fla, eu fui criado no Piraquê, que é do lado,  e eu fui pouquíssimas vezes à Gávea. Desde meus 3 anos eu vou ao Maracanã porque meu pai me levava e tal, sou Flamenguista de berço batizado pelo Rondinelli  naquele gol de cabeça em 78, mas não frequentava a Gávea. Então quando o Bap me ofereceu a oportunidade, foi unir o útil ao agradável: eu ia trabalhar no meu time, legal! Eu sou um profissional de marketing então fui trabalhar no Flamengo, ótimo! É meu time. Mas isso não impede que eu trabalhe em algum outro clube ou então que eu saia do futebol.

Muita gente tem dúvidas, percebe-se uma confusão muito grande entre a torcida com relação a essa coisa toda do setor de marketing do Fla. Primeiro que antes diziam que não existia marketing. Como foi o primeiro dia? Chegar e organizar quem ia fazer o que ali dentro. Como é que foi?



Dizer que não existia marketing isso depende muito, porque as pessoas, cada um tem uma definição diferente para marketing….parece uma coisa muito abrangente. É igual a futebol, todo mundo sabe muito de futebol e marketing. Todo mundo tem uma ótima opinião para dar… sempre tem uma ótima opinião de futebol? Talvez sim. Às vezes a opinião é ótima porém não é uma coisa tão simples assim, chegar e implantar. Eu, por exemplo, não fiz faculdade de marketing fiz ADM na UERJ, Pós em Gestão no Ibmec e depois fui fazer uma especialização em marketing na Universidade da Califórnia. Então é mais a prática, os anos de prática, quando se trabalha em empresas como a TVA, NET, SKY, na Agroindústria que eu trabalhei, tem que ir absorvendo experiências e vendo o que funciona e o que não funciona. O que não funcionou em um determinado momento pode funcionar em outro, não funcionou em um determinado mercado pode funcionar em outro mercado. Numa visão geral o que não funciona não funciona e o que funciona, funciona. Então, por exemplo, quando a gente lançou o boleto bancário no Sócio-Torcedor sabíamos  que não ia funcionar. A gente tinha experiência de outros mercados, de outros produtos que o boleto bancário não funciona. A inadimplência é absurda. Mas se falou tanto, era uma gritaria tão grande para ter o boleto, então faz o seguinte…vamos lançar e vamos provar que não funciona. Vamos fazer tudo para funcionar claro! Por que a gente queria que funcionasse. De repente a gente poderia contrariar a tese, ia ser legal!

Não funcionou.

Então é o seguinte quando assumimos, a gente batia o escanteio e corria pra cabecear, vestia  camisa de goleiro, defendia, ia bater o tiro de meta e tava lá no meio de campo para pegar a bola porque era preciso. No primeiro momento tinha um estrutura que funcionava lá, mas a gente precisava fazer o diagnóstico no departamento, sabe. Quem é que fica? Não é chegar e fazer o seguinte: já que a minha chapa ganhou vamos tirar todo mundo que tava antes e trazer todo mundo novo. Não é assim que tem que ser feito, tem gente boa, independente da chapa, independente do partido. Então a gente chegou e foi analisando, ficou o JP (João Pedro), ficou o Tannure, ficou a Thalita, ficou o Luiz Alberto. Algumas pessoas ficaram, outras saíram. Esses que ficaram se encaixavam na filosofia que era a base do funcionamento da Chapa Azul e o que levou a Chapa Azul a ganhar.

Qual a sua visão sobre esta filosofia? Como ela foi aplicada na VP de Marketing?

Essa filosofia é a coisa mais importante de tudo que está acontecendo, essa filosofia tem que ser mantida em todos os momentos, foi essa filosofia que conseguiu fazer com que esse grupo fosse eleito.

Então desde o primeiro dia, antes do primeiro dia, assim no qual ganhamos as eleições, a gente começou a fazer algumas reuniões, e foi ficando claro para todo mundo, por exemplo, vamos lá, a Golden Goal já tinha o projeto sócio torcedor com o Flamengo. A gente poderia chegar, assumir e dispensar a GG. Assumir e colocar outra empresa dentro. Não. Vamos conversar com eles, vamos entender o que eles propõe. Então chamamos o Cadu (Presidente da Golden Goal) para conversar, entender como funcionava e constatamos que ele tem a mesma filosofia da Chapa Azul, que é essa filosofia do funcionamento transparente, de você se dedicar a trabalho, de você não querer levar vantagem em cima de um contrato e consequentemente do Flamengo, como muita gente fazia. Então ficou muito claro que a gente ia sentar ali e ia fazer negócio. Que era positivo para o Flamengo, instituição, e para a empresa parceira.

Todo mundo que já tinha contrato com o Flamengo foi chamando para conversar, todos. O Marcelo do Espaço Rubro Negro… Então todo mundo sentou pra conversar e explicamos no que acreditavamos. A gente não quer jogar ninguém pela janela, queremos analisar cada contrato e, se tiver justo pra todo mundo, ok, caso contrário, fazer os acertos que tem que ser feitos e vamos botar para funcionar.

Conversamos com as Torcidas Organizadas, conversamos com elas em termos claros. Conversamos com todos os stakeholders pra ver o que poderia ser feito de melhor e aí sim fomos fazendo ajustes finos. E aí sim cada um assumiu uma parte. O Sócio-Torcedor ficou todo comigo, o Tiago Cordeiro ficou com a parte Digital, Redes Sociais, o Bruno Spindel abraçou a área comercial. O Bruno é claramente um Diretor Comercial. Ele tá sempre atrás de patrocínio, dos negócios com os patrocinadores; ele está gerando receita. Isso é uma área, uma área mais comercial. Licenciamento das lojas, licenciamento em geral, receita de estádio, tudo isso é comercial. E tem um outro viés que é o ST, que não deixa de ser um patrocinador, e também é cuidado pelo departamento de marketing. Tem o marketing propriamente dito que cuida dos relacionamentos, que cuida de eventos, que cuida do dia-a-dia do marketing (lidar com agencia, fornecedores, essas coisas). Depois de algum tempo a gente trouxe o André Monnerat para o departamento para focar na parte de ST no que tange o processamento do sistema/site. E eu fui cuidar diretamente com a parte de eventos, que é o relacionamento com o ST, com o torcedor, com o sócio do clube, todas essas coisas.

Então o Bruno Spindel é quem busca os patrocínios, faz as macronegociações…

O Bruno é o diretor de marketing. Sim, ele é o diretor-executivo de marketing e na prática lida com as negociações grandes de patrocínio de camisa e tudo o mais, junto com uma equipe formada pela Angélica e o Igor.

É o homem que traz as grandes empresas para dialogar com o Flamengo.

Junto com o Fred Luz e com o Bap.

E você ficava…

Com o relacionamento com as Torcidas Organizadas, relacionamento com o sócio, com as Embaixadas, relacionamento em geral, responsável pelo SAC. Eu também tinha experiência de cuidar do SAC na SKY, muita gente reclama do SAC, mas a gente trabalha com o que pode. Se a gente tivesse muito dinheiro a estrutura seria melhor.

O SAC é terceirizado, certo? 

Sim. São 12 posições de atendimento de telefone e tem mais 4 posições de atendimento para email, que é o fale conosco.

Qual é o orçamento do Departamento de Marketing do Flamengo?

Eu já trabalhei em empresas onde o departamento de marketing tinha um orçamento baixo, já trabalhei em empresa onde o marketing tinha um orçamento base zero, quer dizer que você não tem um orçamento claro mas tem que gastar o mínimo possível. Agora, eu nunca havia trabalhado numa empresa onde o departamento de marketing não tem orçamento, não tem dinheiro. O Departamento de Marketing do Flamengo não tem dinheiro e faz o dinheiro para o Flamengo pagar as dívidas, pro Futebol contratar…

2013, 2014, 2015… 

Tudo que a gente fez no Departamento de Marketing foi tirando leite de pedra. Com muita criatividade, essencialmente. Então, por exemplo, eu preciso fazer relacionamento dos STs para eles poderem sentir o valor do produto, ou seja, perceberem a vantagem de ser ST. Então, o que a gente faz? A gente busca ações onde eles (torcedores) interajam com o clube, com jogadores. Criou-se o Match Day, que é a visita lá no Maracanã. O pessoal visita o vestiário, visita o campo, espera o time chegar, e no final do jogo espera o time sair. A gente tem uma ação em campo, no intervalo, que os STs entram no gramado para ver como é o clima do jogo no intervalo, e como a arquibancada já está ocupada, o ST vê como é que é o clima, o que está acontecendo, como é a passagem dos jogadores. E outras ações, como o Bate Papo do Nação.

O grande problema é que tudo que a gente fez teve que buscar saídas fora do futebol profissional. Apesar do ST querer alguma relação com os jogadores, com o técnico, com o CT… tudo que a gente teve que fazer foi fora! Então o Bate Papo do Nação tem que ser feito com ex-jogadores ídolos. Júlio César, Adílio, Paulo Henrique, chamamos inclusive jornalistas, como o Sérgio du Bocage…

Só que a gente também gostaria de ter a participação dos jogadores do elenco! A gente não consegue! Teve uma com o Cirino, mas só teve com o Cirino porque eu conheço o empresário do Cirino! Veja bem, eu me aproximei pelo empresário do jogador e consegui marcar uma data. O que acontece é: o Futebol é um mundo à parte. E quando o Bap estava lá a gente conseguia envolver um pouco mais.

Você conseguiu o Cirino para o Bate Papo do Nação pedindo ao empresário dele. Precisou desviar do Departamento de Futebol?

A falta de apoio do futebol no marketing é um ponto fundamental. O futebol acha que está fazendo um favor ao Marketing quando autoriza alguma ação com o patrocinador ou com o ST, quando na verdade isso é uma simbiose. O futebol, na hora que abre um espaço pra que uma ação seja feita com os jogadores ou com o CT, outros patrocinadores começam a ver, “Caramba olha só eles estão fazendo isso com a Caixa. Os funcionários da Caixa estão indo lá visitar…”. “Tem ST indo lá visitar, então eu quero me tornar ST, por que quero estar mais próximo dos jogadores!”. Gera mais receita, vão entrar outros patrocinadores, quando gera mais receita o futebol tem mais dinheiro, com mais dinheiro a gente pode investir em mais jogadores, pagar melhores salários, conquistar mais craques para o Flamengo. Círculo virtuoso.

Num primeiro momento quando conversei isso com o futebol, colocaram várias barreiras pra gente fazer. Então eu falei beleza, ok. Fui à Europa. Por minha conta. Visitei Porto, Benfica, Bayern, Milan, Inter de Milão, Chelsea, Hotspur, pra conhecer como é a relação deles com os torcedores, com o Sócio-Torcedor, com a torcida… E trouxe várias ideias, não consegui aplicar nem 1%. É frustrante! Aí, com as mudanças que aconteceram no futebol a gente fez uma reunião na qual participou o nosso executivo de futebol, o André Monnerat, eu, o Tiago Cordeiro, o Márcio MacCulloch (Comunicação) e o Arthur Muhlenberg. Só não estava o Bruno Spindel por conta de outra reunião e não pode participar. A gente trouxe todas essa ideias também pro Rodrigo, ele ficou de estudar. Nada aconteceu.

Sabe o que nos foi dito? 

A grande explicação era que essas “coisas” eram pra Europa. Não dá pra trazer as coisas da Europa pro Brasil. “Isso não funciona assim. Europa é Europa, Brasil é Brasil”

Quem falou isso?

Desnecessário citar.

Mas esta foi a resposta do futebol?

A colocação era sempre essa. A colocação durante esses dois anos era sempre essa. Algumas coisas passaram a acontecer porque o Bap meio que pressionava.  É o seguinte: O Bap é um cara de marketing. Então ele sabe que se as ações acontecem isso atrai outros patrocinadores.

Deixa só eu terminar o raciocínio… Será que só na Europa que acontece…???

Então fui pesquisar no Brasil com a ajuda do Walter Monteiro, nosso Embaixador em Porto Alegre. A gente fez um levantamento das ações. Eu passei pra ele todas as que eu tinha trazido da viagem, todas as ideias que eu também tinha. E ele começou a levantar, 90% das ações que a gente gostaria de fazer o Palmeiras está fazendo. Mas poderíamos ter sido os primeiros a fazer, mas não.  O Santos faz algumas coisas, o Cruzeiro faz algumas coisas, mas o Palmeiras está fazendo várias. A gente fez uma apresentação em Power Point pra mostrar para o pessoal que isso acontecia no Brasil também. Passamos a apresentação e continuou sem acontecer nada. O Futebol do Flamengo fica em um mundo fechado, são dois setores diferentes. O clube e o futebol.

Minha equipe não conseguia nada com o futebol. Raramente conseguíamos fazer algo como fizemos no amistoso recente em Juazeiro. Fazer a Recepção do Nação, que é uma coisa rara de conseguir. Colocar 10, 15, ou 20 STs no Hall do hotel pra receber os jogadores na hora que eles chegam para se hospedar. Só que sempre vem reclamação! “que é o momento que eles tem que ficar isolados, que têm que ficar tranquilos.”

E os outros times estão fazendo isso!

Então, o que eu quero dizer quando falo dos patrocinadores, é o seguinte: se você tem uma namorada e gosta dela, você não faz ela ter ciúmes de você, você faz as amigas dela e as outras mulheres terem ciúmes da sua namorada. Com os patrocinadores tem que ser a mesma coisa. Eu quero tratar tão bem o meu patrocinador que os outros patrocinadores vão ficar invejando e falar “Putz, eu queria ser patrocinador pra ser bem tratado assim… mas agora tenho que esperar porque outro chegou na frente”.

Eu sou uma montadora de automóveis. Eu queria patrocinar o Flamengo mas a Peugeot já está lá. A Peugeot é super bem tratada, fizemos aquela ação com o 208 nas costas do manto do Gabriel quando foi lançado o Peugeot 208. Quando eles saíram pagaram a multa e a gente continua tratando eles  bem. A marca continua no basquete. Nesse tempo que estive na Gávea os patrocinadores foram bem tratados. A gente cuida deles. Pergunta para o pessoal da Lafarge se eles não são muito bem tratados? Os mascotes entram com bonés escrito Cimento Campeão. Pergunta para o pessoal da Herbalife se a gente não tenta tratar da melhor maneira possível?

Agora, a gente não consegue fazer interação com o que mais interessa: o futebol profissional atual. Eu conseguia trazer o Adílio, eu conseguia trazer o Rondinelli, eu conseguia envolver até o Zico! Mas não conseguia envolver o futebol profissional atual. Seria muito legal se o futebol do Flamengo se abrisse. O Futebol não está fazendo favor para o Marketing do Flamengo. O marketing vai ajudar a divulgar a imagem dos jogadores, a imagem do time, os patrocinadores vão ver isso e vão querer entrar. Um jogador, o Brocador por exemplo, poderíamos ter trabalhado a imagem dele e, de repente, quem sabe, uma fabrica de furadeiras patrocinasse ele…  To dando um exemplo básico.

Poderíamos levar um jogador do elenco atual para visitar o Hospital do Câncer ou um asilo, alguma empresa perceber que ele está muito presente em determinada causa com idosos ou com crianças necessitadas e o contrata para alguma campanha. Ter uma agenda continua de ativações com os jogadores.

O trabalho do Marketing é colocar o time, colocar os jogadores, colocar o Futebol do Flamengo na vitrine. A gente coloca na vitrine, o mercado enxerga. A credibilidade atual do Flamengo já ajuda com isso. Vários patrocinadores estão se interessando, o fato do Flamengo estar bem na mídia, como uma instituição honrada faz isso também. Agora só falta envolver o Futebol.

O Futebol impede ações pequenas de interação com os STs?

Fala que não pode abrir o treino porque vai atrapalhar. 20 torcedores no CT atrapalham? Então, faz o seguinte, o treino acaba 16h? Marca como os ST 15h50min. Dez minutos apenas para a galera acompanhar o final do treino e interagir com os jogadores por alguns segundos. Todos ficariam felizes.

Não pode.

Dez minutos com a torcida? 

Abrimos uma promoção nas mídias sociais e quem clicava primeiro levava. Então o Tozza conseguiu ir. A gente organizou uma visita, autorizada pelo Futebol, e ainda assim ficaram de cara emburrada, reclamaram, como se tivéssemos invadido seu feudo. André Tozzini é testemunha.

Eu lembro que ele elogiou o jogador Gabriel por ser simpático.

Tem uma pessoa do Marketing, que eu não quero dizer o nome, que acompanhou e falou exatamente isso. Eram dez vagas ou quinze, foram 6 ou 7 pessoas. Não foram as quinze, enfim, menos do que foi combinado. Cumprimos exatamente os espaços, horários, e mesmo assim o Futebol ficou emburrado o tempo inteiro! Então o que a gente precisa é buscar um pouco mais de abertura

O que precisa é uma mudança de cultura no Futebol do Flamengo? Estão mimados demais. O cara aqui fica emburrado e em outros clubes ele faz as ações…

Por que aqui os caras não podem?

No Movimento Futebol Melhor a Ambev conseguiu levar o Gabriel e mais alguém para o supermercado. Mas é muito esporádico. A gente criou uma rotina de todos os jogos ter o Match Day, o Nação em Campo, os Mascotes. A gente tem essa rotina! Por que não envolve o futebol ou quando envolve é tão indireto? Por exemplo, visitamos o vestiário quando o time não chegou ainda. É só o vestiário arrumado. Mas é emocionante. Você já foi? Não foi?

No Match Day, o MRN já foi convidado. Dois colaboradores foram escalados para ir. Eles gostaram muito.

A interação aconteceria somente quando o time chega… Mas a pedido do Luxemburgo, como o time está concentrado na chegada, o ST não interage com os jogadores, isso é uma coisa clara, a gente entendeu, bom senso é essencial, e eu acho justíssimo porque tá todo mundo focado na partida. Ok.

Mas em compensação, quando acaba o jogo, o ST espera na saída pra interagir, tirar fotos, receber autógrafos.

O Bap preza muito essa relação. A Sky é um patrocinador muito forte, investe em publicidade o ano inteiro. A Jeep que tá entrando agora também.

Outro exemplo: um patrocinador queria, uma vez por mês, mandar 5 funcionários das melhores lojas para visitar o treino. A Peugeot queria fazer isso! Conseguiu? Não, não conseguiu!

Não é questão de uma mudança só de cultura. Isso é muito vagaroso. Eu lembro que no ano passado o Bap me pediu para montar uma apresentação para os jogadores. A ideia não é forçar os jogadores a aceitar isso. A gente não tem que forçar ninguém a aceitar nada, a gente tem que conscientizar todo mundo de que isso é importante, então foi uma apresentação que seria feita pros jogadores lá no CT mostrando o que é o programa ST, o que envolve, quanto traz de receita para o Flamengo. Que aquilo é algo bom. Que o Flamengo está fazendo mais dinheiro e os salários estão em dia, os prêmios estão em dia.

A imagem deles próprios é ampliada…

Isso. Também que é extremamente necessário que eles se aproximem dos STs. Que disso pode surgir um aumento da base de afiliados, os patrocinadores vão ver a imagem deles ali e vão querer participar mais disso, etc. Eu ia levar isso pros jogadores de uma maneira bem tranquila para mostrar que, bicho, se vocês puderem ajudar, tipo, ir numa casa de repouso ou ir um dia no supermercado falar do Flamengo ou de alguma coisa do Futebol Melhor; participar do Bate Papo do Nação, como o Cirino participou… Mas eu não consigo fazer com nenhum porque tem que passar pela autorização do Futebol. No horário livre do cara tem que ter autorização do futebol, pq? Bicho, acabou não acontecendo. Enquanto isso a gente vê jogador indo por conta própria participar de eventos em lojas. Participar de eventos que foram convidados, mas quando isso envolve o Marketing do clube parece que tem uma barreira. Isso era para ser apresentado e não foi, o Ximenes estava até aberto mas houve a troca e acabou não sendo apresentado e aí não tinha muito o que fazer!

A  parte que a minha equipe cuidava que era poder valorizar essa relação do torcedor com o time a gente só conseguia fazer a metade, a gente só conseguia fazer a relação do ST com os ídolos do passado, os atuais a gente não conseguiu fazer nada.

Com relação a sua saída e da saída do Guilherme Monnerat, o MRN noticiou em primeira mão. Li muitas manifestações nas redes sociais de pessoas elogiando a reestruturação do setor e, ato contínuo, sua saída. E teve o outro lado, pessoas que ficaram indignadas. Eu queria te perguntar que reestruturação é essa há 6 meses de uma eleição?

A informação que chegou foi que se está fazendo uma reestruturação no Marketing e a verba que o Fla gasta conosco, seria usada para investir na área de patrocínio. Então é o seguinte: o que se gastava de salário comigo, com a Lu (também demitida, responsável pelos licenciamentos de produtos) com o Guilherme (responsável pelo licenciamento de lojas), será usado pra contratar uma pessoa pra acumular essa parte da Lu e do Gui.

E essa pessoa vai cuidar de tudo?

Parte do que eu estava fazendo caiu sobre o André Monnerat, que já estava super sobrecarregado, uma outra parte vai para o Rodrigo Saboia, uma outra parte vai para o Tiago Cordeiro. Foi dividido entre eles.

A parte operacional dos eventos vai continuar no básico porque não dá para ampliar agora. Vai continuar com o Yuri. A gente tem 5 voluntários trabalhando junto com o ele.

Voluntários?

Sim. Voluntários. O Flamengo é uma entidade sem fins lucrativos. Então o Flamengo pode ter voluntários trabalhando lá dentro, não são estagiários, não são remunerados. Existem voluntários esporádicos quando tem algum evento, alguém do SóFla ou algum sócio do Flamengo que quer ajudar, que pode ajudar. Mas nesse caso são voluntários contínuos, que estão lá todos os dias. Contudo, a equipe de Eventos agora é o Yuri que está tocando.

Então as coisas foram divididas assim: na parte de Licenciamento, o Dirceu Júnior foi contratado pra cuidar agora de licenciamento de lojas e de produtos e trabalhar em patrocínio junto com a Angélica, essa é a informação que nos chegou. A informação oficial é vamos cortar vocês três e com essa economia vamos contratar uma pessoa que cuide do que vocês estavam cuidando.

Então não é uma reestruturação organizacional, é uma reestruturação financeira?

Diogo, você vai ter que conversar sobre isso com o Bruno Spindel e com o Fred Luz, eu não posso te dar detalhes porque eu não estou do outro lado da mesa o que eu  estou te falando é a info de quem está desse lado da mesa e do que me foi passado. Eventos, relacionamento com as torcidas organizadas e também, parte dos STs, eu estava cuidando. Mas a parte de eventos foi se esvaziando porque o futebol não se envolvia.

O Bap saindo sinalizou um racha que ninguém esperava. E aí agora a tua saída, uma pessoa ligada ao Bap, não tem como não levar para o lado político.

As interpretações são variadas, seria interessante, nesse assunto, você conversar com o Fred Luz ou com alguns membros do conselho diretor e entender um pouco mais. O Bap foi um catalisador, ele juntou esse grupo da Chapa Azul. Agora, dizer que ele mandava alguma coisa aí, vai uma grande diferença. O Bap é um cara que consegue vários contatos no Mercado através da sua credibilidade. Trazer pessoas ou trazer patrocinadores.

Vamos pensar: tem o Landin que é o ex-presidente da BR, tem o Ruben Osta, presidente da Visa, entre outros. O grupo do Flamengo é um grupo peso-pesado. E dizer que o Bap consegue mandar nessa turma?De jeito nenhum! O Bap foi um catalisador. Depois que estavam todos juntos, as decisão foram divididas. Em várias ele teve voto vencido, em algumas a opinião dele prevaleceu. Não é questão de ganhar ou perder e sim discutir o que vai acontecer e o que deve ser aplicado.

Fred, muito obrigado pela entrevista. Agora que você está oficialmente fora do Flamengo, tem mais alguma coisa para nos dizer?

Eu queria dizer que as lojas estão mandando bem, o Licenciamento está mandando bem, a área de patrocínio está bem mas poderia estar melhor se ativasse mais, mas o relacionamento com o futebol não está mandando bem. A gente fazia eventos com convidados, a gente fazia eventos sem envolver ninguém do futebol. Isso está errado, a gente fez homenagem com a Luisa Parente, o basquete a gente consegue juntar, cara… o Neto é espetacular! Não posso esquecer do Basquete. O time de basquete é espetacular! Eles tinham acabado de ser campeões mundiais e a gente chamou os caras para eventos, pra bar com torcedores e eles iam. Olivinha, Marcelinho, Meyinsse, todo mundo. O Meyinsse é uma entidade rubro-negra já! Eles campeões mundiais participam de qualquer evento! Eu falava com o Neto para marcar um almoço com o Sócio-Torcedor e ele marcava e ia. Com o futebol esquece! Está claro que o futebol do Flamengo ainda não entendeu a importância do relacionamento com os patrocinadores e com o ST. Obrigado.

 

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