Os dias que antecederam a estreia do Flamengo no campeonato carioca foram um retrato fiel do futebol fluminense dos anos 90. A instituição era uma verdadeira província, onde o senhor feudal Eduardo “Caixa d’Água” Vianna dava as cartas. Dirigentes fanfarrões, igualmente amadores, eram a tônica de um torneio nitidamente falido, mas ainda alimentado pela TV aberta como o “estadual mais charmoso do país”.



O tempo cobrou seu preço e devastou o futebol carioca. O Fluminense foi o primeiro a ser atingido; não demorou muito até que o Botafogo fosse também abatido. O Vasco de Eurico Miranda conseguiu mascarar um pouco mais os seus problemas, mas também foi atingido. Por linhas tortas – e com muita sorte, diga-se de passagem -, o Flamengo balançou, viveu anos duríssimos e esteve muito próximo do fundo do poço.

Flamenguistas de boa fé resolveram dedicar tempo a um plano audacioso, honrado e árduo: resgatar sua paixão e fazer do Flamengo um clube responsável, vencedor e novamente na vanguarda da modalidade no Brasil. Não seria fácil: convencer uma torcida bipolar de que vencer não seria necessariamente o mais importante, limpar a Gávea de suas raposas felpudas e recolocar o clube nos trilhos administrativos seriam as primeiras e mais importantes medidas para fazer do rubro-negro uma potência.

Nem tudo são flores na administração da Chapa Azul, que entra no seu último ano de mandato com elevada aprovação da torcida, admirada com a serenidade de seus dirigentes. Os elogios na imprensa responsável se proliferaram nos últimos 24 meses e tudo caminhava muito bem. Até que…

Bem, seria simplista dizer que Eurico Miranda é o responsável por criar todo esse furdunço. Mas a volta do velho dirigente é um ingrediente importante para compreender o cenário. Hábil politicamente, profundo conhecedor de regulamentos e com uma capacidade única de atrair para si os holofotes, o mandatário vascaíno resolveu agitar o ambiente. Convocou o conselho arbitral, encheu o presidente da FERJ (Rubens Lopes) de afagos e anunciou publicamente que o Carioca era o mais importante dos torneios. Levou os cartolas dos clubes pequenos na lábia, vendeu pra imprensa a mentira de que, tabelando para baixo o preço dos ingressos, voltaríamos a ter um campeonato atrativo.

Flamengo e Fluminense rapidamente se posicionaram contra a prática adotada. Iniciou-se, então, uma guerra velada através de notas oficiais, com a dupla Fla-Flu mostrando-se contrária às decisões tomadas e flertando com a criação de uma Liga para 2016. Um novo arbitral foi convocada e o clima de animosidade foi instalado. EBM abandonou a reunião se dizendo ofendido com uma série de xingamentos e comportamento inadequado do mandatário da FERJ. O que se seguiu a partir daí, provocou sentimentos distintos nos dirigentes e também nos torcedores.

Boa parte da mídia – a mesma que elogia a diretoria rubro-negra e sua administração – comprou o discursinho mole de preços tabelados; torcedores, aos montes, pediam para que o rubro-negro escalasse times reservas ou juniores. O pior estava por acontecer.

Sábado, 31 de janeiro, e o Flamengo se dirige à Macaé, onde enfrenta o time da casa pela estreia oficial no Carioca. Minutos antes do início da partida, o goleiro macaense Ricardo Berna aparece com um corte no rosto, reclamando com veículos de comunicação; afirma ter sido agredido por um grupo de torcedores que invadiu o estádio, passando pelos corredores de acesso ao vestiário, agredindo-o e saqueando os materiais do clube local.

Um repórter do Sportv se aproxima de Eduardo Bandeira de Melo, que acompanhava de perto ao jogo preliminar de juniores e reproduz o relato de Berna. Sem conhecimento do ocorrido, ele desconversa, deixando o caso para a segurança; para muitos, de maneira sonsa. Pra mim, ele deixava o assunto de lado por uma razão simples: embora tenham sido torcedores do Flamengo – e, sim, o clube pode ser punido por isso -, não é da competência do presidente responder por uma questão ainda não apurada de segurança.

Fato é que o comportamento do presidente foi mal digerido por muita gente. Imagens de TV mostraram, minutos depois, que a confusão foi fruto de um portão aberto sem a devida segurança. Mas ali, já não importava muito o que ocorrera: o técnico do Macaé acusou Vanderlei Luxemburgo de criar um clima hostil; comentaristas de canais fechados desciam a lenha no clube, pedindo punição ao Mais Querido. O caso mais grave veio num programa de mesa redonda, já no domingo, onde o âncora afirmava que o presidente rubro-negro trocara ofensas – teria ele participado da arbitral? – com Rubinho e, que inclusive, merecia uns sopapos. Oi?

A partida, mesmo com momentos raros no futebol, ficou em segundo plano. EBM veio a público no Redação Sportv se defender de acusações injustas, Ricardo Berna reiterou duras críticas ao clube, que foi alvo de novos ataques dos mais variados veículos da imprensa.

Há poucas horas, o vice presidente de marketing, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, desligou-se da diretoria. Escreveu uma carta simples, sem indicar a razão para ter saído. No campo especulativo, há quem acredite num desgaste de ter que dividir suas atenções entre o clube e seu trabalho, em São Paulo. Para mim – e aqui é mero palpite -, Bap deixa a diretoria por não concordar com a postura moderada e a tentativa de conciliação com a FERJ. Muitas vezes acusado de arrogante, ele sempre foi adepto do discurso “o Flamengo é maior que tudo e os incomodados que se acostumem com a ideia” e acredito fielmente que ele desejasse bater de frente, comprar a briga e reiterar a força que o rubro-negro tem no esporte; pressionar para “mostrar quem manda”. Como eu disse, é mero palpite.

Depois de dias tão conturbados, é hora de fechar os portões. Já que aquele, escancarado em Macaé, não segurou o ímpeto de alguns torcedores, é nossa vez de segurarmos aquele que podemos: falar menos, afastar-se da imprensa irresponsável que tenta nos desestabilizar, parar de dar munição para essa gente e deixar esse bando de maluco falando sozinho. O Flamengo tem muito mais a perder com esse tipo de evento do que qualquer outro – e, convenhamos, já estamos perdendo muito com a competição nesses moldes…

Abram os portões!

Como nosso objetivo é fornecer ao rubro-negro um pouco mais de rubro-negrismo bem intencionado, recomendo a leitura de dois textos ótimos que foram publicados sobre esse cenário.

Do Vinicius Paiva – http://www.blogteoriadosjogos.com/2015/02/02/tudo-questao-de-elasticidade/

Do Gustavo de Almeida – http://www.falandodeflamengo.com.br/2015/02/02/o-esforco-de-guerra-do-oceano-azul/

Os textos têm focos distintos, mas ajudam a complementar muito bem as ideias em torno desse post. Um olhar lúcido e dotado de razão; pros céticos de plantão pararem de olhar simplesmente para o que rola em campo e entender que o nosso futuro é brilhante!

Abram os portões II !

Ouvi a ideia no Bate-Bola primeira edição, vindo do jornalista Gustavo Hofman (se alguém sugeriu antes, desculpe-me pela falta de créditos!). Ao fim do Super Bowl XLIX, o dono do campeão New England Patriots disse amar o Brasil – citando a primeira dama do time, a modelo Gisele Bündchen. Mostrou-se entusiasmado com a ideia de trazer a franquia para uma exibição em solo brasileiro.

Certamente não é simples organizar um evento dessa magnitude, mas imaginem que bacana seria ter o time campeão do torneio mais importante da modalidade enfrentasse o Flamengo FA no Maracanã? Treinos na Gávea, aumento de popularidade, arrecadação recorde e – por quê não? – uma parceria com quem sabe, como ninguém, como organizar um espetáculo. Fica aí a ideia!

SRN


molambo racionalDaniel Endebo escreve no Blog Molambo Racional do MRN Blogs
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