O Clube de Regatas do Flamengo chegou pra brincadeira que é o Campeonato Estadual de 2015.

Escolheu sua formatação de preços – a que achou adequada – para mitigar o prejuízo que se avizinha.

O espetáculo é assistido por corações e mentes que não podem ir ao estádio. Está claro isso. Não podem, não conseguem. Por isso que ele ainda é transmitido, ano após ano. Mesmo motivo que faz a Dona Rede Globo pagar o valor que paga.

Os estaduais viraram torneios de televisão.

O Estadual vive. E viverá.

Desde que, atenção telespectadores…


5,

4,

3,

2…

1!

Continue sendo transmitido ao sinal de 5 segundos!

*

Não vamos entrar no juízo de valor da política de precificação adotada pelo Flamengo. Cabe ao clube estabelecer estudos que possam avaliar se é mais vantajoso jogar com estádio cheio e bolso vazio ou jogar com estádio vazio e bolso menos vazio.

Os mesmos jornalistas que se incomodam com o pouco público e declaram guerra contra um clube por este cobrar caro de seu torcedor, são os mesmos jornalistas que nunca, repito, nunca levantam a questão dos jogos acontecerem às 10 horas da noite de uma quarta-feira.

 

Algum jornalista sabe do perrengue? De pegar um último trem oferecido? Um trem que demora pra sair, nos faz chegar em casa além da primeira hora da madrugada.

Como carregar uma criança de 12 anos para essa aventura, no intuito de inseri-la no mundo do futebol? Ela prefere, com certeza o conforto do mundo dos games.

E tudo isso, de casa para o Maracanã, do Maracanã para a casa, CORRENDO RISCO DE VIDA. Pois a cidade é o que é, e o futebol faz parte da cultura de violência que se instaurou em nossa sociedade.

Algum jornalista, um apenas, me digam, conhece a realidade fora das cabines? Sabe que pode perder sua vida antes ou depois de assistir monótono Flamengo x Cabofriense ao caminhar pelas redondezas do Maracanã?

Multiplique por mil o perrengue quando é um clássico.

A resposta é SIM. Todos sabem de tudo isso. Mas levantar a bandeira contra a rede Globo não é bom. Fecha portas.

*

Agora, faço as mesmas perguntas para os cartolas da FFERJ.

Faço as mesmas perguntas aos deputados que entraram com ações no Procon no ano passado. Inclusive o nosso querido Freixo, que parece misturar frequentemente alhos com bugalhos, quando o assunto é defesa do pobre.

Sabem. Eles sabem de tudo isso.

Não é pela insegurança pública;

Não é pelo transporte público;

Não é pelo jogo terminar meia-noite;

Não é porque o jogo é no meio da semana;

Não é por nada disso.

O Carioca de 2015 será um fracasso por que o Flamengo virou um clube elitista.

Mas não se enganem, o Flamengo pode até vender ingresso pra elite atualmente.

Mas o real medo da FFERJ é que a atual diretoria do Flamengo é honesta.

E no meio de tantos palhaços, domadores, mágicos do erário público, haja trapézio para se equilibrar.

 

Arte: Trapeze Artists – Litografia, por Calvert Litho 1890