Willian Arão é mais um daquele caso de jogador que não teve oportunidade de amadurecimento completo em um clube e foi rodando pelo mundo do futebol. Ainda nas categorias de Base, obteve destaque no Grêmio Barueri, transferindo-se logo em seguida para o São Paulo. Em 2010 foi campeão da Copa São Paulo de Juniores. E seguindo a lógica do mercado, vendido para o Espanyol.

Arão, ainda em processo de adaptação a um novo país, foi dispensado pelo time da Catalunha em 2012. Chegou ao Corinthians e foi pouco utilizado — 18 jogos em dois anos de clube. Em meados de 2014 começa uma verdadeira peregrinação por clubes de menor investimento. Portuguesa, Chapecoense e Atlético Goianiense foram seus destinos, até que chegasse em um grande novamente. Apesar de recém rebaixado, Arão sabia que o Botafogo era a chance que aguardava para brilhar.

Fortalecido pelas experiências anteriores, o volante se reinventou, assumiu o jogo mais à frente, chegando sempre na área adversária com perigo, sem nunca esquecer que era volante de origem. A cada partida seu futebol melhorava. Para coroar a ótima temporada de 2015, o gol do título da Série B. Arão começava a provar o gosto de ser reconhecido, elogiado e discretamente idolatrado por uma torcida.

A chegada ao Flamengo, depois de um imbróglio judicial com o time da estrela solitária, trouxe dúvidas à Nação Rubro-Negra: não seria arriscado trazer um jogador cercado em tanta polêmica?

Arão mostrou que não. Na pré-temporada, sob comando de Muricy Ramalho, o “volante moderno” ganhou titularidade. E desde então, apesar da temporada irregular do time, com eliminações e atuações desesperançosas, nunca esteve entre os jogadores questionados pela torcida.


Com a chegada de Zé Ricardo suas atuações ganharam mais equilíbrio entre defender e atacar, suas subidas como uma espécie de ponta diminuíram substancialmente, e seu posicionamento mais sóbrio à frente da zaga rende números altos nas estatísticas de desarmes no Brasileiro. Ele continua ajudando a armar o time e a aparecer como fator surpresa no ataque do Flamengo. Com apenas um semestre de casa, o paulistano virou Capitão do maior clube do Brasil, outro extraordinário feito. E a faixa lhe caiu muito bem.

Chute forte e curva impressionante: o gol de Arão selou a vitória do Fla no Arruda. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Chute forte e curva impressionante: o gol de Arão selou a vitória do Fla no Arruda. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Contra o São Paulo, em Brasília, no último dia 19, com ótima atuação coletiva da equipe, o segundo gol do time saiu de uma cabeçada sua, após levantamento de Alan Patrick. E nesta quarta-feira (22), pela rodada 10, a coroação de 6 meses: um golaço de placa, calando a torcida do Santa Cruz em pleno estádio do Arruda. Com o time mal na partida, defendendo-se muito mais que atacando, o chute forte de longe foi decisivo para o Mengão sonhar em terminar a rodada dentro do G4.

As atuações do rodado jogador de apenas 24 anos, completados em 22 de março, já começam a encantar a torcida e imprensa. Após a partida, ao conceder entrevistas na zona mista do Arruda, Willian Arão foi surpreendido pela quantidade de vezes que escutou a palavra “Seleção” saindo das perguntas dos repórteres. Sobre o assunto, o jogador comentou.

“Estou vivendo um grande momento, muito feliz com a oportunidade de ser capitão, pode se dizer sim, que é um dos melhores momentos da minha carreira, estou feliz e confiante. Mas sei que há espaço para melhora. Tenho que continuar trabalhando, crescendo, estar entre os melhores jogadores tanto da minha posição quanto do Brasil”.

“Penso com o professor Tite e pensava no Dunga. Já trabalhei com ele, venho evoluindo. No ano passado, acho que fiz boa temporada, acho que estou fazendo de novo. Visto uma camisa grande, e o Flamengo faz um bom campeonato. Obviamente é o sonho de todo jogador”.

Quando perguntado sobre a sua contundente atuação, analisada sob o ponto de vista da polivalência, disse:“Graças a Deus eu estou evoluindo bastante, a cada partida e a cada jogo eu tiro uma coisa nova. Hoje eu acho que foi meu primeiro gol de fora da área tão longe, que eu venho aprimorando a cada dia nos trabalhos. Eu não me coloco um limite. Eu não posso pensar nisso. Tenho que continuar evoluindo em cada aspecto, trabalhando para que eu possa chegar em um nível máximo”.

Que Willian Arão continue fazendo gols, desarmando, armando, lançando, cruzando, dando assistência, liderando e, (ufa!), ajudando o Flamengo a se manter no topo. A próxima evolução pode ser vestir a camisa da Amarelinha.

 

Crédito imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo