Em 22 de setembro de 2012, cinco anos atrás, eu escrevi um artigo aqui com o título: “O maior adversário do basquete do Flamengo”.

Nele eu argumentei: “O Flamengo precisa de um basquete nacional forte e descentralizado para se sustentar, pois isto é essencial para atrair financiamento. Um basquete concentrando suas forças exclusivamente no estado de São Paulo é uma séria e constante ameaça à continuidade do time da Gávea. Muitos poderão argumentar que na maior parte da história do basquete brasileiro as coisas foram assim, e o basquete do Flamengo está aí desde 1919 presente, ainda que com algumas interrupções. Mas agora a necessidade de uma estrutura financeira forte é maior, se houvesse um novo distanciamento, certamente seria em escala ainda mais intensa do que no passado, e muito provavelmente de uma forma fatal. Até porque na Gávea não existe a conjugação verbal ‘ser coadjuvante’, logo ou se está brigando no páreo, ou o caldeirão arrebenta. (…) É muito importante para o Flamengo que haja um basquete forte fora de São Paulo, capaz de enfrentar as equipes paulistas de igual para igual. Mas a força do capitalismo financeiro vai sempre tentar induzir a concentração. É necessário uma estratégia ativa contra estas forças centralizadoras”.



Pouco depois, uma declaração oficial confirmava a lógica dos meus argumentos: “Não é possível fazer o Campeonato Paulista correndo junto com o NBB. Tivemos este ano Sul-Americano pra lá, Sul-Americano pra cá, Jogos Abertos… E o NBB não quis de jeito nenhum adiar seus jogos, e aí ficou nesse lenga-lenga. Ano que vem vou bater o pé. Vou querer o Paulista até o dia 5 de dezembro. O Paulista vai de agosto até o início de dezembro, como sempre foi. Essa situação ocorre porque os estados que não fazem basquete, como Brasília e Rio, querem que o NBB comece o quanto antes. O negócio deles é matar o Campeonato Paulista, mas eu não vou deixar” – declaração dada em dezembro de 2012 ao jornalista Alessandro Lucchetti, do Estado de São Paulo, pelo presidente da Federação Paulista, Toni Chakmati

No mesmo texto de setembro de 2012, eu pedia: “Seria fundamental também um torneio paralelo ao Paulista entre os times dos outros estados, talvez fosse o primeiro grande passo para viabilizar uma Segunda Divisão. Daria para fazer um torneio com pelo menos 12 times, reunindo Brasília, Flamengo, Uberlândia, Minas Tênis, Joinville, Vila Velha, Tijuca Tênis e Basquete Cearense, e dentre os que poderiam se somar a eles: Sport Recife, Bira Lajeado, Campo Mourão, Londrina, Corinthians Gaúcho, Vitória, São Sebastião do Paraíso … deveria ser aos moldes da Liga das Américas, com Quadrangulares concentrados em determinadas cidades-sedes (barateando transporte e buscando centros que dessem retorno em presença de público). De preferência um ‘torneio batizado’, levando o nome de alguma empresa em troca do financiamento dos deslocamentos das equipes de menor capacidade de financiamento…”.

Cinco anos depois, a Copa Avianca é uma primeira caminhada nesta direção. Poderia ser muito mais explorada. Precisou a Polícia Militar do Rio de Janeiro vetar os jogos com torcida organizada, precisou a FBERJ cancelar o Estadual 2017 para que as agremiações do Rio de Janeiro enxergassem este óbvio ululante!!!

Em junho de 2014, escrevi outro artigo aqui no blog no qual reforcei: “O maior adversário do basquete do Flamengo continua sendo o mesmo”, no qual endossei minha argumentação: “E se há duas temporadas dava para pensar num torneio como este com pelo menos 12 times, hoje é muito difícil chegar a esta quantidade. A próxima temporada do NBB terá 6 de fora de São Paulo, e na segunda divisão deste ano houve 2 (Campo Mourão e Sport Recife). Portanto, conseguir reunir 10 já parece um desafio enorme! Mais do que nunca, é urgente uma atitude para reverter este quadro”.

Houve um primeiro embrião com a Copa Rio-Nordeste em 2016, chamado de “Super Four”, com Flamengo, Vasco, Basquete Cearense e Vitória, disputado no Centro de Formação Olímpica, em Fortaleza.

Agora em 2017, a Copa Avianca organizou um Hexagonal em Belo Horizonte, reunindo Flamengo, Vasco, Botafogo, Minas Tênis Clube, Basquete Cearense e Vitória. Uma evolução, um passo largo adiante, mas ainda falta mais ousadia e abrangência para se alinhar ao que eu pedia há cinco anos atrás.

Minha proposta de competição ideal para atingir esta meta de um projeto de descentralização do basquete brasileiro, com datas apenas durante a disputa do Campeonato Paulista:

Participantes: Flamengo, Vasco, Botafogo, Basquete Cearense, Vitória, Minas, Contagem Towers, Campo Mourão, Caxias do Sul, Joinville, ou APAB Blumenau ou Ginástico ou Praia Clube Uberlância, e UniFacisa (para estimular o projeto num centro de pouca tradição no basquete, como a Paraíba). Seriam 6 ou 5 da Região Sudeste, 4 ou 3 da Região Sul, e 3 da Região Nordeste, totalizando 12 equipes divididas em 2 grupos com disputas simultâneas.

Formato de disputa: dois hexagonais ao mesmo tempo no mesmo formato da Copa Avianca 2015 durante três circuitos com duração de 1 semana cada. Um primeiro circuito na segunda quinzena de agosto, um segundo circuito em setembro, e o terceiro circuito na primeira quinzena de outubro. Cada circuito teria dois campeões. Cada campeão de circuito ganharia dois pontos, e cada vice-campeão de circuito ganharia um ponto. Os quatro que mais pontuassem, com o número total de vitórias como critério de desempate, disputariam um quadrangular final, um Super Four, às vésperas do início do NBB.

Exemplo

1º Circuito (agosto)

Grupo A, em Manaus (não tem equipe no torneio, mas tem ginásio e torcidas pelos times de futebol do Rio para atrair público)
Times: Vasco, Botafogo, Basquete Cearense, Caxias do Sul, Joinville, Contagem Towers e ou APAB Blumenau ou Ginástico ou Praia Clube

Grupo B, em Campina Grande
Times: Flamengo, Vitória, Minas, Campo Mourão, Joinville e UniFacisa

2º Circuito (setembro)

Grupo C, em Fortaleza ou Salvador ou Campo Mourão
Times: 1º, 3º e 5º do Grupo A + 2º, 4º e 6º do Grupo B

Grupo D, em Fortaleza ou Salvador ou Campo Mourão
Times: 2º, 4º e 6º do Grupo A + 1º, 3º e 5º do Grupo B

3º Circuito (outubro)

Grupo E, em Fortaleza ou Salvador ou Campo Mourão
Times: 2º, 4º e 6º do Grupo C + 1º, 3º e 5º do Grupo D

Grupo F, em Belo Horizonte ou Rio de Janeiro
Times: 1º, 3º e 5º do Grupo C + 2º, 4º e 6º do Grupo D

Final Four (Fim de Outubro)

Em Belo Horizonte ou Rio de Janeiro
Times: 4 com mais pontuação nos 3 Circuitos

Campeão de Circuito = 2 pontos, Vice = 1 ponto

Semi-final: 1º x 4º e 2º x 3º + Final
 



Marcel Pereira é economista e escritor rubro-negro, autor do livro “A Nação” (Editora Maquinária).

 
Imagem utilizada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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