Antes tarde do que nunca. Esse foi o sentimento de boa parte da Torcida Rubro-Negra ao saber da demissão do Zé Ricardo. Nosso ex-técnico, como já disse aqui, é uma figura simpática e de futuro na profissão, mas que infelizmente passou do prazo de validade no cargo que ocupava. Depois de um início promissor no ano passado, o que vimos foi uma equipe que sistematicamente descarrilhou rumo ao precipício. A verdade é que já havia algum tempo que se tornara evidente que o mandato do Zé Ricardo precisava acabar, só o Bandeira que teimava em mantê-lo. E depois de uma das mais vergonhosas e apáticas atuações que me lembro de ter visto o Flamengo fazer na vida contra o Vitória no sábado passado, nem ele conseguiu mais insistir na turrice. Ao ver nosso Chefe-Maior abandonar fugido a Ilha do Urubu sem dar entrevista depois da peleja, ficou claro que a casa ia cair. E caiu no dia seguinte.
 


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Passado o alívio de ver a necessária mudança finalmente começar a entrar em curso, veio então a apreensão. Quem caralhos o Bandeirão ia escolher para assumir o bonde? Sites esportivos começaram a disparar em todas as direções. FlaTT em polvorosa sugerindo 237 possibilidades. Li até que tirar o Tite da seleção era obrigação. Mentira, não li não. Mas conhecendo nossa torcida não duvido nada que alguns malucos tenham pensado nisso.

Não demorou e pipocou a notícia que Roger Machado havia sido convidado. Achei deveras esquisito. O cidadão recém-defenestrado do Atlético-MG é uma versão um pouco mais experiente que nosso Zé-Vá-Com-Deus-Ricardo. Seria praticamente o famoso seis por meia-dúzia. Roger eventualmente poderia até servir como uma opção tampão até o fim do ano caso um nome de primeira linha topasse a empreitada apenas a partir de janeiro. Mas convidá-lo para assumir definitivamente?

Fiquei tenso. Fiquei bolado. Fiquei inquieto.

Fui pro twitter reclamar e o escambau.
 

 
Mas então fez-se a luz.
 


 
Reinaldo Rueda, que nos últimos meses se tornou sonho de consumo de 9 entre 10 Rubro-Negros, havia aceitado o convite e estava negociando detalhes para ser anunciado.

Puta que pariu, agora vai!, pensamos todos. Quem disser que não entrou na decolar.com pra procurar passagem pra Abu Dhabi em 2018 está mentindo.

A verdade verdadeira é que nenhum de nós conhece tanto assim o entrenador colombiano.

Sabemos que venceu a Libertadores, a Supercopa das Américas, chegou na final da Sul-Americana (não jogada contra a Chape), venceu todos os canecos colombianos, treinou duas seleções café-com-leite em Copas do Mundo e quase classificou sua terra natal para outra ao assumir uma campanha desastrosa no meio do caminho.

Esse curriculum vitae faz dele um gênio da raça?

Not.

Todavia, nos deixa esperançosos.

Ao contrário de certos jovens que, sentadões em seus sofás de casa, preferiram soltar notinha pra imprensa dizendo que “embora orgulhosos, negaram o convite para se valorizar”, mesmo esse convite tendo sido uma mera sondagem como nos garantiu Eduardo-Homem-De-Palavra-Bandeira-Rubro-Negra-de-Melo, o Rueda, aos sessentinha, estava na Alemanha se reciclando quando recebeu e aceitou a convocação rubro-negra.

É estudioso, famoso por ser um cara bom de grupo, copeiro e fez clubes brasileiros abrirem generosamente seus cofres pra trazerem Berríos e Borjas por boladas astronômicas. Merece crédito, isso é uma façanha e tanto.

Pode não ser um Sampaoli, mas é evidentemente um nome que merece respeito e o respaldo que nossa atual diretoria planeja dar para que o trabalho seja implementado e, mesmo que não renda frutos imediatos, se sustente a longo prazo.
 


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Não vai ser fácil. Nunca é. Ruedón já chega em semana de semi-final de Copa do Brasil, contra o Botafogo, e qualquer coisa que não seja a classificação para a final será estopim para crise no Ninho, pedidos de cabeças, Revoltas Flamengas Como Nunca Antes Vistas Que Vemos Quase Todo Ano Pelo Menos Umas Duas Vezes.
 
Não vai ter tempo sequer de aprender português antes de explicar pros caras que los vacilos não serão tolerados. Mas, como conhece bem o Cuéllar, ao menos temos a esperança que já chegue craque em recitar o belo verso shakespeariano “Fora, Marcio Araújo!”.

Portanto, seja mais que bem-vindo.

 


Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015). Siga-o no Twitter: @pedroneschling

 


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Foto no post e nas redes sociais: Divulgação / Atlético Nacional