Tudo começou no alvorecer do século XX. É quando o futebol começa a cair no gosto popular da principal cidade do país.

Alberto Borgerth e seus camaradas fundaram o departamento de esportes terrestres do Clube de Regatas do Flamengo. O ano era 1912. Os treinos começaram num campo ali na Praia do Russel, onde hoje é o Hotel Glória.



Os treinos eram animados. Os rapazes que saíram do Fluminense depois de uma briga eram boa gente. Ganharam a simpatia de quem acompanhava os treinos. E torcida nos jogos.

Os outros times não conseguiam chamar tanta atenção. O Flamengo, mesmo derrotado, era sempre mais aclamado. Logo virou a coqueluche da cidade que ditava o ritmo do Brasil.

Saltamos agora para o mundo globalizado do outro século, o XXI.

O Flamengo virou o maior clube multiesportivo do continente. Seu grande feito porém é ter 40 milhões de torcedores apaixonados. Uma massa de fãs que pode render um incomensurável lucro.

O futebol agora é um entretenimento planetário. Estima-se que o esporte movimente entre R$ 455 bilhões e R$ 577 bilhões por ano.

Dentro desse contexto, a lógica seria que os governantes do Rio de Janeiro tentassem criar as condições ótimas para o desenvolvimento pleno de um clube como o Flamengo. É o que fazem as cidades de Barcelona e Madrid com seus dois titãs futebolísticos. O mesmo que toda cidade inglesa faz com seus times locais também, inclusive times de divisões inferiores.

China, Japão, Turquia, Alemanha, Portugal. Posso citar outros centros. Até na Argentina. Nestes países, entre as esferas governamentais, existe o entendimento de que é importante não atrapalhar o crescimento de seus clubes de maior potencial. Se possível, fomentam esse crescimento como se fomenta uma polo industrial. Pois é bom para a cidade, para a região e para o país como um todo.

Alguém acha que um prefeito de Madrid, mesmo que seja torcedor do Atlético, cria condições para que o Real Madrid não obtenha sucesso?

Vejamos a cronologia do ódio institucionalizado ao Flamengo:

Em 2005 o Maracanã fechou para obras. O estádio necessitava se adequar ao tal Padrão FIFA. Não tinha jeito e o momento era perfeito, pois em 2007 o Rio sediaria o Pan.

O estádio ficou fechado por um ano, já podendo ser usado no Carioca de 2006. Custou R$ 304 milhões. A Geral foi embora. Cadeiras numeradas tomaram conta de todos os lugares disponíveis e o campo foi rebaixado em 1,40m, melhorando a experiência do público. Os acessos para as arquibancadas foram alargados também. Além disso, o Maraca ganhou mais duas rampas de acesso e dois novos telões de alta definição. E não esqueçamos as reformas do Parque Aquático Julio Delamare e do Maracanãzinho.

Em 2006 Sérgio Cabral foi eleito Governador do Rio. Eduardo Paes foi nomeado Secretário de Turismo, Esporte e Lazer, ganhando assim enorme visibilidade com o Pan de 2007. No final deste mesmo ano a FIFA oficializou a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Em 2008 Paes vira prefeito do Rio. Dez meses após sua posse o Rio de Janeiro vence a disputa para sediar as Olimpíadas de 2016. Quem pode esquecer o abraço de Lula, Cabral e Paes na comemoração efusiva em Copenhague?

Todos foram surpreendidos com a notícia: O Mário Filho seria fechado novamente para obras. E agora até 2013. Já não estava reformado? Não, respondeu o Governador Cabral.

Márcio Braga, então presidente do Flamengo, acalmou a torcida rubro-negra: depois da reforma o Maraca teria todas as condições para ser administrado pelo Mengo! Sérgio Cabral garantiu em reunião com o mandatário rubro-negro. Na verdade ele matava vários coelhos com uma cajadada única: acalmava metade do eleitorado, ganhava aprovação do mesmo e anulava os esforços de construção da reforma do Estádio José Bastos Padilha, na Gávea, com papelada praticamente aprovada.

Na verdade as cartas estavam marcadas. Depois de uma reforma de R$ 1,5 bilhão o próprio consórcio “reformador” tornou-se o consórcio “administrador” do estádio.

Neste período o Flamengo, o gigante que nunca deveria ser passado pra trás pelos governos, teve que virar inquilino do Botafogo.

Com a Odebrecht administrando o Maracanã entra em cena Eduardo Paes. Ele fecha o Engenhão por tempo indeterminado. Segundo uma vistoria o teto poderia desabar a qualquer momento.

Gilberto Adib Couri, engenheiro de estrutura, professor titular da UFF de doutorado e professor e coordenador na FGV Management, que fez parte do grupo de engenheiros chamados pelo consórcio RDR, responsável pelas obras iniciais do Engenhão, para fazer uma análise técnica, destrói a narrativa tosca de Paes e Cabral.

Em palestra na Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj), em dezembro de 2015, Gilberto explicou que a montagem do teto não foi feita totalmente dentro dos padrões mas que não existia a possibilidade de queda e, portanto de interdição:

“Peças metálicas tortas foram usadas no estádio. Ele foi construído todo torto, mas estava funcionando muito bem, obrigado. Toda a equipe, formada por profissionais de prática muito grande, a maioria com doutorado, chegou à conclusão, por cálculos, premissas e análise de dados, que tudo poderia ter ficado como estava, sem nenhum risco para os frequentadores”, afirma categórico.

O trabalho que serviu de base para as afirmações de Couri foi desenvolvido por uma equipe de mais de dez especialistas e venceu o “Prêmio Nacional de Perícia”, dado pelo 18º Congresso Brasileiro de Avaliações e Perícias.

Como não imaginar que Eduardo Paes e Sérgio Cabral manobraram o fechamento do Engenhão apenas para forçar o Flamengo a assinar com a recém empossada concessionária Maracanã SA (Odebrecht)?

O susto e a dificuldade de planejamento naquele momento (03/2013) em que a nova gestão se esforçava para tocar um clube falido, provavelmente teve reflexos no péssimo contrato de utilização do Maracanã firmado na ocasião. O quanto podemos aferir de prejuízo esse conluio nos trouxe?

Ou seja, o Flamengo, que deveria ter a parceria da Prefeitura e do Governo Estadual, encontra-se verdadeiramente cercado por várias forças unidas contra seus interesses.

Cabral e Paes ganham todo dinheiro possível em cima do trem pagador do futebol carioca ao mesmo tempo que dificultam o seu crescimento.

E não acaba por aqui

Há ainda outros podres poderes contra nós. A FERJ trabalha em conjunto com Botafogo e Vasco. O Fluminense parece querer aproximar-se deles também. Aventa-se a hipótese de que a Federação de Futebol esteja emprestando dinheiro para estes clubes. A entidade não publica boletins contábeis transparentes.

Estamos no meio da negociação do novo contrato de televisão para a transmissão do Campeonato Carioca. Ano passado a FERJ simplesmente pegou parte da nossa cota e distribuiu. Tomamos um prejuízo de milhões de reais! Sem contar os 10% de taxa em cada jogo e outros detalhes financeiros surreais. Já ganhamos na justiça o direito de venda da publicidade fixa em nossos mandos.

E não acaba por aqui (2)

Com a falência da Odebrecht e seu presidente preso por corrupção, o Maracanã foi largado à própria sorte em 2016.

Os Poderes mais uma vez foram coniventes com a empresa e não com o Flamengo. O estádio deveria ser utilizado pelo clube até abril deste ano, porém, o consórcio mandou embora todos os funcionários ainda em dezembro de 2015.

E não acaba por aqui (3)

E agora temos toda essa problemática com a entrega do estádio para a reta final do Brasileiro. O Comitê Olímpico tem uma dívida com a empresa Greenleaf e… vai acabar que quem vai pagar o pato, ou melhor, o gramado será o Flamengo! A real é que é pouco provável que tudo esteja pronto para Flamengo x Corinthians, dia 23/10. Só acredito caso a Nação faça muita pressão.

O Maraca é nosso?

Este final de ano promete. Ainda temos a publicação do novo edital licitatório. A Chefia da Casa Civil andou dizendo que o Flamengo poderá concorrer. O clube vem se preparando desde o início do ano para não perder essa oportunidade. Tem parceiros com expertise no mercado, e até contratou Marcelo Frazão, ex-Diretor do Consórcio Maracanã, talvez o cara que mais conheça os desafios e as soluções para a gestão do estádio.

Não duvido que o texto do novo edital seja um banho de água fria nas pretensões do Flamengo. E posteriormente a isso o clube enfrente os obstáculos de sempre para a construção do seu próprio estádio, vide Arena McFla.

Se um ginásio para menos de 4 mil pessoas não consegue rápida aprovação, imaginem vocês a demora para sair do papel um estádio de pequeno porte na Gávea, ou quiça de grande porte em qualquer outro terreno da cidade?

Os poderes públicos deveriam fazer de tudo para fortalecer o Flamengo, o gigante da cidade.

Que nada. O Flamengo é apenas mais uma commodity política em meio a várias outras commodities políticas manobradas por essa gente: a educação, a segurança, a saúde…

Esta é a pequena grande história de ódio ao Flamengo (ou o Rio de Janeiro de Paes e Cabraes).

Solução

A torcida se unir e protestar exigindo que o Flamengo seja tratado com o respeito que merece. E que cada torcedor entenda o seguinte: estão tentando diminuir o Flamengo de qualquer jeito.

Você vai ficar aí achando que nada atinge o nosso clube?

Melhor não pagar para ver.

Nesse momento os Paes e os Cabraes estão planejando como podem atrapalhar nosso crescimento sem deixarem de lucrar em cima de você.

Diogo Almeida
Twitter: @DidaZico


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